Durante milhares de anos, a astrologia trabalhou com sete astros: Sol, Lua, Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter e Saturno. Eram os que se viam à vista desarmada. Toda a tradição — signos, regências, dias da semana, metais — foi construída sobre eles.
Entre 1781 e 1930, o telescópio revelou mais três corpos para lá de Saturno. A astrologia teve de decidir o que fazer com eles.
Esta página conta primeiro a história astronómica (facto) e depois a interpretação astrológica moderna (crença simbólica, sem confirmação científica).
As descobertas (astronomia)
Urano — 1781
A 13 de março de 1781, o músico e astrónomo William Herschel observava o céu no jardim da sua casa em Bath, Inglaterra. Viu um astro que julgou ser um cometa. Só mais tarde os astrónomos perceberam que era um planeta.
Herschel quis chamar-lhe Georgium Sidus, «Estrela de Jorge», em honra do rei Jorge III. Foi o astrónomo alemão Johann Elert Bode quem propôs Urano, o deus grego do céu, pai de Cronos. O nome só se impôs de vez por volta de 1850.
Urano demora 84 anos a dar a volta ao Sol e tem o eixo tão inclinado (cerca de 82°) que parece rodar «deitado».
Neptuno — 1846
Neptuno foi o primeiro planeta encontrado pela matemática antes de ser visto. A órbita de Urano tinha pequenas irregularidades. Urbain Le Verrier, em Paris, e John Couch Adams, em Cambridge, calcularam que devia haver outro planeta a puxá-lo.
Na noite de 23 para 24 de setembro de 1846, Johann Galle e Heinrich d'Arrest, no Observatório de Berlim, apontaram o telescópio para a posição indicada por Le Verrier. Em menos de uma hora encontraram uma «estrela» que não estava no mapa.
Neptuno demora cerca de 165 anos a dar a volta ao Sol. Só completou a primeira órbita desde a descoberta em 2011.
Plutão — 1930
A 18 de fevereiro de 1930, Clyde Tombaugh, no Observatório Lowell (Arizona, EUA), encontrou Plutão comparando fotografias do céu. O nome foi sugerido por Venetia Burney, uma menina inglesa de onze anos: Plutão, o deus romano do mundo subterrâneo.
Plutão demora cerca de 248 anos a dar a volta ao Sol, numa órbita muito alongada.
Plutão, planeta anão (2006)
A 24 de agosto de 2006, a União Astronómica Internacional definiu pela primeira vez o que é um planeta. Plutão não cumpre o terceiro critério: não «limpou» a vizinhança da sua órbita, que partilha com muitos outros corpos gelados. Passou a ser um planeta anão.
A sonda New Horizons passou por Plutão em julho de 2015 e mostrou um mundo muito mais variado do que se esperava.
Na astrologia moderna (interpretação)
A astrologia foi incorporando os novos planetas à medida que eram descobertos, sem os ter previsto. Cada um recebeu um signo e um conjunto de temas, muitas vezes inspirados no nome mitológico e na época da descoberta.
| Planeta | Na astrologia moderna |
|---|---|
| Urano | Mudança súbita, originalidade, revolução, invenção; rege Aquário |
| Neptuno | Sonho, imaginação, idealismo, mistério, confusão; rege Peixes |
| Plutão | Transformação profunda, poder, crise e renovação; rege Escorpião |
Antes destas atribuições, Aquário era regido por Saturno, Peixes por Júpiter e Escorpião por Marte. Muitos astrólogos tradicionais continuam a usar só os sete astros antigos.
Planetas «de geração»
Como se movem muito devagar, estes planetas ficam anos num mesmo signo. Toda a gente nascida num período largo tem Neptuno ou Plutão no mesmo signo. Por isso, a astrologia moderna chama-lhes planetas geracionais: diz que falam mais de uma época do que de uma pessoa.
Numa leitura individual, os astrólogos dão-lhes peso sobretudo quando estão num ângulo forte do mapa ou em aspeto próximo com o Sol, a Lua ou o ascendente.
E depois de 2006?
A maioria dos astrólogos continua a usar Plutão. O argumento é que, astronomicamente, Plutão não mudou — mudou a definição. Alguns acrescentaram outros corpos, como o planeta anão Ceres ou o pequeno corpo Quíron (descoberto em 1977).
Os críticos lembram que estes acrescentos são feitos caso a caso, e que a astrologia não previu nenhum destes planetas antes de os astrónomos os encontrarem.
Uma nota honesta
A história dos planetas exteriores é um bom exemplo da diferença entre as duas áreas. A astronomia descobriu Neptuno pelo cálculo, antes de o ver. A astrologia acrescentou-lhe um significado depois. Ambas as histórias são interessantes, mas só uma é ciência.
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Fontes
- Wikipedia, Uranus (descoberta por Herschel, proposta de Bode) — en.wikipedia.org
- Wikipedia, Discovery of Neptune — en.wikipedia.org
- Wikipedia, Pluto (descoberta em 1930 e reclassificação pela UAI em 2006) — en.wikipedia.org
- Wikipedia, Planets in astrology — en.wikipedia.org