O mapa astral, também chamado carta natal, é um desenho do céu no momento e no lugar exatos do nascimento. Mostra onde estavam o Sol, a Lua e os planetas, vistos a partir daquele ponto da Terra.
A parte astronómica do mapa é rigorosa: as posições podem ser calculadas ao minuto. A interpretação é tradição astrológica, uma linguagem simbólica com mais de dois mil anos, sem confirmação científica.
Que dados são precisos
Para fazer um mapa astral são necessários três dados:
- Data de nascimento — dia, mês e ano.
- Hora de nascimento — o mais exata possível. Em Portugal, costuma constar da certidão de nascimento.
- Local de nascimento — cidade ou vila, para saber a latitude, a longitude e o fuso horário.
Sem a hora, é possível saber em que signo estavam os planetas, mas não o ascendente nem as casas. A Lua pode também mudar de signo durante o dia.
As peças do mapa
Os planetas
Na astrologia, «planetas» inclui o Sol e a Lua (os antigos «luminares»). Cada um representa, segundo a tradição, uma área da vida:
| Astro | Significado tradicional |
|---|---|
| Sol | Identidade, vontade |
| Lua | Emoções, hábitos, mãe |
| Mercúrio | Pensamento, comunicação |
| Vénus | Afeto, prazer, valores |
| Marte | Ação, desejo, conflito |
| Júpiter | Expansão, confiança |
| Saturno | Limites, responsabilidade, tempo |
| Úrano, Neptuno, Plutão | Acrescentados pela astrologia moderna |
Os signos
O signo onde cada planeta estava indica, na tradição, o modo como essa energia se exprime. O «signo solar», o que toda a gente conhece, é apenas o signo onde estava o Sol.
O ascendente
O ascendente é o grau do zodíaco que nascia no horizonte a leste no momento do nascimento. Muda cerca de um signo a cada duas horas. Por isso duas pessoas nascidas no mesmo dia podem ter ascendentes diferentes.
Na tradição, o ascendente descreve a forma de se apresentar ao mundo e a primeira impressão que se causa.
As 12 casas
O mapa divide-se em 12 casas, a partir do ascendente. Cada casa corresponde a uma área da vida: a casa 1 à pessoa, a 2 aos bens, a 7 às relações, a 10 à carreira, e assim por diante.
Há vários sistemas para calcular as casas (Plácido, Koch, casas iguais, signos inteiros). Dão resultados diferentes, e os astrólogos não estão de acordo sobre qual usar.
Os aspetos
Os aspetos são os ângulos entre os planetas. Os principais, herdados de Ptolomeu, são a conjunção (0°), o sextil (60°), a quadratura (90°), o trígono (120°) e a oposição (180°). A tradição lê os trígonos e sextis como harmoniosos e as quadraturas e oposições como tensos.
Como se lê um mapa
Um astrólogo começa, em geral, pelo conjunto: que elementos predominam, onde estão o Sol, a Lua e o ascendente, e que planetas estão em ângulos fortes. Só depois passa aos pormenores.
Hoje, o cálculo faz-se em segundos com programas gratuitos. A interpretação é que varia muito de astrólogo para astrólogo, e de escola para escola.
O que um mapa astral não pode fazer
- Não substitui um médico, um psicólogo ou um conselheiro financeiro.
- Não prevê acontecimentos concretos com segurança. Os testes científicos (como o de Shawn Carlson, publicado na Nature em 1985) não encontraram capacidade dos astrólogos para associar mapas a perfis de personalidade acima do acaso.
- Pode servir, para quem gosta, como ferramenta de reflexão sobre si próprio — desde que as decisões importantes continuem a ser suas.
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Fontes
- Wikipedia, Horoscope — en.wikipedia.org
- Wikipedia, House (astrology) — en.wikipedia.org
- Cláudio Ptolomeu, Tetrabiblos, trad. F. E. Robbins (Loeb, 1940) — LacusCurtius
- Shawn Carlson, «A double-blind test of astrology», Nature 318 (1985), pp. 419–425 — nature.com