A história da magia ocidental é também uma história de pessoas. Reis, filósofos, frades, médicos, aventureiros e escritores deixaram livros, ideias e, muitas vezes, lendas maiores do que as suas vidas.
Nesta secção reunimos as figuras mais importantes, por ordem cronológica. Cada ficha separa com cuidado o que está documentado daquilo que é lenda, atribuição tardia ou fama popular.
Algumas destas figuras nunca existiram como pessoas (é o caso de Hermes Trismegisto). Outras existiram, mas o nome foi usado em livros que nunca escreveram. Saber distinguir é o primeiro passo para ler bem um grimório.
O que encontra aqui
Antiguidade: sábios lendários e magos das origens
➜ Hermes Trismegisto
O «três vezes grande», fusão do deus egípcio Thoth com o Hermes grego. Figura lendária a quem se atribuíram os textos herméticos.
➜ O rei Salomão
O rei sábio da Bíblia (séc. X a.C., segundo a tradição) que a lenda transformou em mestre dos demónios, com o seu anel e os seus grimórios.
➜ Simão Mago
O mago samaritano dos Atos dos Apóstolos (séc. I), que deu o nome à «simonia» e enfrentou São Pedro nas lendas cristãs.
➜ Apolónio de Tiana
Filósofo neopitagórico do séc. I, célebre pelos prodígios que lhe atribuiu o biógrafo Filóstrato.
Idade Média: sábios com fama de magos
➜ Alberto Magno (c. 1200–1280)
Frade dominicano, santo e cientista. O seu nome foi usado no Grand Albert e no Petit Albert.
➜ Roger Bacon (c. 1220–c. 1292)
Franciscano inglês, defensor da ciência experimental, a quem a lenda deu uma cabeça de bronze falante.
➜ Pedro de Abano (c. 1257–1316)
Médico e filósofo de Pádua, processado pela Inquisição; o Heptameron foi-lhe atribuído mais tarde.
➜ Nicolau Flamel (m. 1418)
Escrivão parisiense real, transformado em alquimista imortal por uma lenda do séc. XVII.
Renascimento: magia, ciência e filosofia oculta
➜ Tritémio (1462–1516)
Abade de Sponheim, autor da Steganographia, um tratado de escrita secreta disfarçado de magia.
➜ Cornélio Agrippa (1486–1535)
Autor dos Três Livros de Filosofia Oculta, a grande síntese da magia renascentista.
➜ Paracelso (c. 1493–1541)
Médico e alquimista suíço, que deu nome aos elementais: gnomos, ondinas, sílfides e salamandras.
➜ Nostradamus (1503–1566)
Médico e astrólogo francês, autor das Profecias em quadras.
➜ John Dee e Edward Kelley
O astrólogo de Isabel I de Inglaterra e as suas «conversas angélicas».
➜ Giordano Bruno (1548–1600)
Filósofo da arte da memória e do universo infinito, queimado em Roma.
➜ Jakob Böhme (1575–1624)
O sapateiro místico de Görlitz, autor de Aurora.
Séculos XVIII e XIX: aventureiros, visionários e o renascimento ocultista
➜ Emanuel Swedenborg (1688–1772)
Cientista sueco que passou a descrever visões do céu e do inferno.
➜ O Conde de Saint-Germain (m. 1784)
Aventureiro misterioso a quem a lenda deu a imortalidade.
➜ Cagliostro (1743–1795)
Criador de uma «maçonaria egípcia», morreu preso por ordem da Inquisição.
➜ Allan Kardec (1804–1869)
Codificador do espiritismo, com grande influência no Brasil e em Portugal.
➜ Éliphas Lévi (1810–1875)
O pai do ocultismo francês do séc. XIX, autor do célebre desenho do Baphomet.
➜ Helena Blavatsky (1831–1891)
Fundadora da Sociedade Teosófica (1875).
➜ Samuel Mathers (1854–1918)
Um dos chefes da Golden Dawn e tradutor de grimórios clássicos.
➜ Papus (1865–1916)
Médico, martinista e autor do Tarot dos Boémios.
Século XX: magia moderna e bruxaria
➜ Aleister Crowley (1875–1947)
O criador da Thelema, que também passou por Portugal.
➜ A. E. Waite e Pamela Colman Smith
A dupla por trás do tarot mais usado do mundo (1909).
➜ Austin Osman Spare (1886–1956)
Artista e criador de um método de sigilos que inspirou a magia do caos.
➜ Dion Fortune (1890–1946)
Ocultista e romancista, autora de A Cabala Mística.
➜ Gerald Gardner (1884–1964)
O divulgador da Wicca moderna.
➜ Doreen Valiente (1922–1999)
A «mãe da bruxaria moderna».
➜ Marie Laveau (m. 1881)
A «rainha do vodu» de Nova Orleães, entre a história e a lenda.
Figuras ligadas a Portugal
A tradição portuguesa tem as suas próprias figuras. A mais importante é São Cipriano, o mago convertido da lenda cristã, que deu nome ao livro de magia mais lido no país. No século XX, Fernando Pessoa interessou-se seriamente por astrologia e ocultismo.
➜ Fernando Pessoa e o ocultismo
Como ler estas fichas
Cada ficha começa com um quadro de dados essenciais: datas, origem, ocupação e obras. Depois separa a vida documentada da lenda. Quando uma obra foi atribuída a alguém sem o ser, dizemo-lo claramente.
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Fontes
- Wouter J. Hanegraaff (ed.), Dictionary of Gnosis and Western Esotericism, Brill, 2006.
- Owen Davies, Grimoires: A History of Magic Books, Oxford University Press, 2009.
- Nicholas Goodrick-Clarke, The Western Esoteric Traditions: A Historical Introduction, Oxford University Press, 2008.