O Dez de Paus mostra um homem curvado, a caminhar para uma casa ao longe, com dez bastões apertados nos braços. O molho é tão grande que lhe tapa a vista.
Na tradição de leitura é a carta do peso: responsabilidades a mais, esforço que já não compensa, sucesso que se tornou carga.

Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Arcano | Menor |
| Número | 10 |
| Naipe e elemento | Paus; fogo |
| Nome em Marselha / em inglês | Dix de Bâton / Ten of Wands |
| Golden Dawn | «Senhor da Opressão»; Saturno em Sagitário (3.º decanato) |
| Palavras-chave (direita) | sobrecarga, responsabilidade, esforço, fim de ciclo |
| Palavras-chave (invertida) | contrariedades, dificuldades, intrigas |
O desenho
- Os dez bastões juntos — o homem carrega tudo ao mesmo tempo, em vez de repartir. Muitos leitores modernos leem aqui a dificuldade em delegar.
- A cabeça baixa, escondida pelos bastões — não vê o caminho. Anda por hábito.
- A casa ao fundo — o destino está perto. Waite nota que esse lugar «pode sofrer com os bastões que ele leva»: o peso que se traz pode prejudicar o sítio onde se chega.
É a última carta numerada do naipe. O fogo do Ás, que era pura energia, termina aqui como fardo.
Na história
Esta é uma das cartas de Pamela Colman Smith em que se nota a influência do Tarot Sola-Busca, um baralho gravado em Itália por volta de 1490 e hoje guardado na Pinacoteca de Brera, em Milão. A carta de Smith é muito parecida com o Dez de Espadas desse baralho.
Fotografias do Sola-Busca foram doadas ao Museu Britânico em 1907, e é provável que Smith as tenha visto lá.
A Golden Dawn chamou a esta carta «Senhor da Opressão», sob Saturno. Waite abre o sentido com a mesma palavra: oppression.
O significado na tradição
Direita
Waite admite que é uma carta de sentidos que «não se podem harmonizar»:
«O sentido principal é simplesmente opressão, mas é também fortuna, ganho, qualquer tipo de êxito, e depois a opressão dessas coisas.» — A. E. Waite, 1910
Acrescenta ainda falsa aparência, disfarce, perfídia, e uma regra de combinação: o êxito fica anulado se a carta seguinte for o Nove de Espadas.
A leitura moderna fica com a ideia central: sobrecarga. Demasiadas tarefas, obrigações assumidas por todos, o fim de um ciclo feito à custa de cansaço.
Invertida
«Contrariedades, dificuldades, intrigas e coisas análogas.» — A. E. Waite, 1910
Hoje há quem a leia como pousar o fardo: largar responsabilidades que não são suas. Outros leem-na como um peso que já se tornou insustentável.
Na leitura: amor, trabalho e conselho
Amor. Na leitura tradicional, costuma indicar uma relação em que uma das partes carrega quase tudo sozinha.
Trabalho. É muito associada a excesso de trabalho e prazos acumulados. Se o cansaço for real e persistente, é assunto para falar com um médico, não para ler nas cartas.
Conselho. Na tradição, o Dez de Paus pergunta quais destes bastões são mesmo seus, e quais podem ser pousados ou partilhados.
O que se diz e o que se sabe
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «A cena foi inventada por Pamela Colman Smith» | Tem um modelo claro no Dez de Espadas do Sola-Busca (c. 1490) |
| «O Dez de Paus é só sofrimento» | Waite diz que é também fortuna e êxito, mas que pesam |
Continue a ler
➜ Carta anterior: Nove de Paus
➜ Carta seguinte: Valete de Paus
➜ A. E. Waite e Pamela Colman Smith
Fontes
- A. E. Waite, The Pictorial Key to the Tarot (1910), «Ten of Wands» — sacred-texts.com
- Wikipedia, «Sola Busca tarot» — en.wikipedia.org
- Mary K. Greer, «The Golden Dawn Minor Arcana» — marykgreer.com
- David Cunliffe, «Golden Dawn Astrological Correspondences» — davidcunliffe.com