O Cavaleiro de Paus monta um cavalo que se empina. Traz armadura, mas não vai para a guerra: segura um bastão curto e atravessa uma paisagem seca, com montes em forma de pirâmide ao fundo.
É a figura mais impetuosa do naipe. Na tradição de leitura fala de partidas, viagens, mudanças e de um temperamento que age antes de pensar.

Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Arcano | Menor (figura da corte) |
| Número | 12.ª carta do naipe (Cavaleiro) |
| Naipe e elemento | Paus; fogo |
| Nome em Marselha / em inglês | Cavalier de Bâton / Knight of Wands |
| Golden Dawn | A correspondência das figuras da corte com as de Waite não é consensual |
| Palavras-chave (direita) | partida, viagem, impulso, aventura, mudança |
| Palavras-chave (invertida) | rutura, divisão, interrupção, discórdia |
O desenho
Waite dá a chave de leitura desta carta: «o movimento do cavalo é uma chave para o carácter do cavaleiro». O cavalo empinado sugere um temperamento precipitado.
- A armadura — protegido, mas, diz Waite, «não numa missão guerreira». Está de viagem.
- As salamandras na túnica — o símbolo do fogo que se repete nas figuras da corte de Paus.
- As pirâmides ou montes — Waite hesita entre as duas palavras. Terra distante e quente.
- O bastão curto com rebentos — mesmo em viagem, o bastão está vivo.
Na história
O cavaleiro é a figura que o tarot tem a mais em relação ao baralho francês comum (rei, dama, valete). Nos baralhos italianos e no Tarot de Marselha, o Cavaleiro de Paus é um homem a cavalo com um grande bastão.
Na Golden Dawn, o Cavaleiro era a figura mais alta da corte e tinha um título longo: «Senhor da Chama e do Relâmpago, Rei dos Espíritos do Fogo». Mas a ordem usava Cavaleiro, Rainha, Príncipe e Princesa, e não é consensual qual deles corresponde ao Cavaleiro de Waite. Por isso não lhe atribuímos aqui um decanato.
O significado na tradição
Direita
«Partida, ausência, fuga, emigração. Um jovem moreno, amigável. Mudança de residência.» — A. E. Waite, 1910
A leitura de Waite é muito concreta: sair de onde se está.
A leitura moderna mantém a ideia de viagem e de mudança, e acrescenta um retrato psicológico: alguém aventureiro, apaixonado, confiante, capaz de arrastar os outros, mas pouco constante.
Invertida
«Rutura, divisão, interrupção, discórdia.» — A. E. Waite, 1910
Hoje lê-se também como impulsividade, projetos abandonados a meio, viagens adiadas ou uma pessoa que promete muito e parte cedo.
Na leitura: amor, trabalho e conselho
Amor. Na leitura tradicional, costuma indicar paixão intensa e rápida, ou alguém que tem dificuldade em ficar. Não diz se a relação vai durar.
Trabalho. É associado a mudanças de emprego ou de cidade, viagens de trabalho e projetos arrojados.
Conselho. Na tradição, o Cavaleiro de Paus pede coragem para avançar, mas com rédea: o cavalo empinado também pode derrubar quem o monta.
O que se diz e o que se sabe
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «O Cavaleiro de Paus é uma carta de guerra» | Waite diz expressamente que não vai em missão guerreira |
| «É sempre um homem que vai aparecer» | Waite dá também sentidos de partida, emigração e mudança de casa |
Continue a ler
➜ Carta anterior: Valete de Paus
➜ Carta seguinte: Rainha de Paus
Fontes
- A. E. Waite, The Pictorial Key to the Tarot (1910), «Knight of Wands» — sacred-texts.com
- David Cunliffe, «Golden Dawn Astrological Correspondences» — davidcunliffe.com
- Wikipedia, «Minor Arcana» — en.wikipedia.org