O Valete de Paus (em inglês Page, «pajem») é um jovem de pé num deserto, com pirâmides ou montes ao fundo. Segura um bastão alto com as duas mãos e olha para o topo, como quem vai anunciar alguma coisa.
Waite descreve-o «no ato de proclamar». Na tradição de leitura é o mensageiro do naipe do fogo: notícias, curiosidade, o entusiasmo de quem começa.

Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Arcano | Menor (figura da corte) |
| Número | 11.ª carta do naipe (Valete) |
| Naipe e elemento | Paus; fogo |
| Nome em Marselha / em inglês | Valet de Bâton / Page of Wands |
| Golden Dawn | Na ordem, o lugar do Valete era ocupado por uma Princesa |
| Palavras-chave (direita) | mensagem, entusiasmo, curiosidade, fidelidade |
| Palavras-chave (invertida) | más notícias, indecisão, instabilidade |
O desenho
- As salamandras na túnica — as figuras da corte de Paus de Smith têm pequenos lagartos desenhados na roupa ou no trono. Desde Paracelso (século XVI), a salamandra é o espírito elemental do fogo, e o ocultismo moderno manteve essa associação.
- O deserto e as pirâmides — Waite diz que o Valete está «numa cena semelhante à anterior», a do Cavaleiro, que passa por montes ou pirâmides. Terra quente, seca, própria do fogo.
- O olhar para o bastão — o jovem admira o que tem na mão, como quem descobre uma ideia nova.
Na história
Os valetes são das figuras mais antigas do baralho. Nas cartas mamelucas já havia uma figura de patente mais baixa, abaixo do rei e do vice-rei. Nos tarots italianos e em Marselha, o Valete é um jovem de pé que segura o bastão do naipe.
A Golden Dawn usava outro sistema na corte: Cavaleiro, Rainha, Príncipe e Princesa. Na leitura mais comum, a Princesa corresponde ao Valete. Waite regressou ao nome tradicional.
O significado na tradição
Direita
«Jovem moreno, fiel, um apaixonado, um enviado, um carteiro.» — A. E. Waite, 1910
Waite acrescenta que, ao lado de um homem, o Valete dará testemunho favorável sobre ele, e que pode significar notícias da família. Seguido do Valete de Copas, lê-se como rival perigoso.
A leitura moderna já não usa a cor do cabelo. Fala de uma pessoa jovem ou jovem de espírito, entusiasta e curiosa, ou de uma notícia que desperta interesse: um convite, uma ideia, um começo de projeto.
Invertida
«Anedotas, anúncios, más notícias. Também indecisão e a instabilidade que a acompanha.» — A. E. Waite, 1910
Hoje lê-se também como entusiasmo que não dura, ideias sem continuidade ou impaciência.
Na leitura: amor, trabalho e conselho
Amor. Na leitura tradicional, costuma indicar um admirador, uma mensagem ou um interesse novo. Waite chama-lhe «um apaixonado».
Trabalho. É associado a aprendizagem, estágios, primeiras experiências e notícias sobre um projeto.
Conselho. Na tradição, o Valete de Paus convida a explorar com curiosidade, sem prometer mais do que se consegue manter.
O que se diz e o que se sabe
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «O Valete representa sempre uma criança» | Waite fala de um jovem, de um enviado ou de uma notícia |
| «As salamandras são invenção do tarot» | O fogo como salamandra vem de Paracelso, séculos antes do baralho de 1909 |
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➜ Carta seguinte: Cavaleiro de Paus
Fontes
- A. E. Waite, The Pictorial Key to the Tarot (1910), «Page of Wands» — sacred-texts.com
- Wikipedia, «Mamluk playing cards» — en.wikipedia.org
- David Cunliffe, «Golden Dawn Astrological Correspondences» — davidcunliffe.com
- Wikipedia, «Minor Arcana» — en.wikipedia.org