«Mande uma fotografia da pessoa.» É o pedido mais comum nos anúncios de amarração. A fotografia substituiu, no século XX, as antigas figuras de cera, de barro ou de pano.
Esta página explica porque a imagem tem tanto peso na crença mágica, e porque usar a foto de alguém para tentar mudar os seus sentimentos levanta problemas éticos e legais.
A lógica da crença: a «lei da semelhança»
O antropólogo James George Frazer, em The Golden Bough (1890), chamou-lhe lei da semelhança: segundo o pensamento mágico, uma imagem parecida com alguém pode agir sobre ele.
É a mesma ideia que está por trás dos bonecos usados em magia em muitas culturas. O que se fizesse à imagem, acreditava-se, aconteceria à pessoa.
A fotografia junta as duas leis de Frazer: é uma imagem da pessoa (semelhança) e, para muitos crentes, guarda algo dela (contacto).
Nenhuma das duas está demonstrada.
Antes da fotografia: figuras e bonecos
Antiguidade
No Museu do Louvre está um conjunto do Egito romano (séculos III–IV d.C.): uma figura feminina de barro trespassada por alfinetes, com uma tabuinha de chumbo onde um homem pede que ela o ame. É uma das peças mais conhecidas da magia amorosa antiga.
Bonecos e figuras de cera
Ao longo dos séculos, figuras de cera, barro, pano ou raízes foram usadas em práticas mágicas na Europa e fora dela. Muitas vezes levavam um pequeno objeto da pessoa, para «ligar» o boneco a ela.
A fotografia
A fotografia só se tornou comum no século XIX. Rapidamente entrou nas práticas populares: nos altares domésticos, nas promessas aos santos e, também, nas amarrações.
Ética: a imagem de outra pessoa
Usar a fotografia de alguém para lhe mudar a vontade, sem que saiba, é uma tentativa de controlo. O Grimório.pt não ensina estas práticas.
Há também uma questão legal. A imagem de uma pessoa é um dado pessoal. Enviar fotografias de terceiros a desconhecidos, sem autorização, pode violar o direito à imagem e à privacidade dessa pessoa.
Expectativas honestas
Nenhum trabalho espiritual garante resultados. Uma fotografia não torna um ritual «mais certeiro». E uma foto enviada por mensagem pode acabar em mãos que não conhece.
Antes de contratar
- Pergunte quem é o praticante, onde trabalha e se passa fatura.
- Peça o preço total por escrito.
- Desconfie de garantias, prazos e pedidos sucessivos de dinheiro.
- Nunca envie fotografias íntimas: podem ser usadas para chantagem.
Se alguém o ameaça com fotos ou com «trabalhos», contacte a APAV (116 006) ou as autoridades.
➜ Como escolher um bruxo sério e evitar burlas
Perguntas frequentes
Uma foto antiga serve?
Na crença, dizem que sim. Mas a pergunta mais importante é outra: a pessoa aceitaria que a sua foto fosse usada assim?
Posso usar a minha própria foto num ritual?
Sim. Muitas práticas de autoestima e de oração usam a própria imagem, sem interferir com ninguém.
E se já enviei a foto de alguém?
Peça que seja apagada e não envie mais dados. Se lhe pedirem mais dinheiro, pare de pagar.
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Fontes
- James George Frazer, The Golden Bough, 1890.
- «Sympathetic magic», Wikipedia — en.wikipedia.org
- Museu do Louvre, figura e tabuinha de chumbo (E 27145) — collections.louvre.fr
- «Poppet», Wikipedia — en.wikipedia.org