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Amarração com foto: a crença da imagem

Porque se usa uma fotografia numa amarração? Das figuras de barro à «lei da semelhança» de Frazer, e os limites éticos e legais de usar a foto de alguém.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. A lógica da crença: a «lei da semelhança»
  2. Antes da fotografia: figuras e bonecos
  3. Ética: a imagem de outra pessoa
  4. Expectativas honestas
  5. Antes de contratar
  6. Perguntas frequentes
  7. Continue a ler
  8. Fontes

«Mande uma fotografia da pessoa.» É o pedido mais comum nos anúncios de amarração. A fotografia substituiu, no século XX, as antigas figuras de cera, de barro ou de pano.

Esta página explica porque a imagem tem tanto peso na crença mágica, e porque usar a foto de alguém para tentar mudar os seus sentimentos levanta problemas éticos e legais.

A lógica da crença: a «lei da semelhança»

O antropólogo James George Frazer, em The Golden Bough (1890), chamou-lhe lei da semelhança: segundo o pensamento mágico, uma imagem parecida com alguém pode agir sobre ele.

É a mesma ideia que está por trás dos bonecos usados em magia em muitas culturas. O que se fizesse à imagem, acreditava-se, aconteceria à pessoa.

A fotografia junta as duas leis de Frazer: é uma imagem da pessoa (semelhança) e, para muitos crentes, guarda algo dela (contacto).

Nenhuma das duas está demonstrada.

Antes da fotografia: figuras e bonecos

Antiguidade

No Museu do Louvre está um conjunto do Egito romano (séculos III–IV d.C.): uma figura feminina de barro trespassada por alfinetes, com uma tabuinha de chumbo onde um homem pede que ela o ame. É uma das peças mais conhecidas da magia amorosa antiga.

➜ As tabuletas do Nilo

Bonecos e figuras de cera

Ao longo dos séculos, figuras de cera, barro, pano ou raízes foram usadas em práticas mágicas na Europa e fora dela. Muitas vezes levavam um pequeno objeto da pessoa, para «ligar» o boneco a ela.

A fotografia

A fotografia só se tornou comum no século XIX. Rapidamente entrou nas práticas populares: nos altares domésticos, nas promessas aos santos e, também, nas amarrações.

Ética: a imagem de outra pessoa

Usar a fotografia de alguém para lhe mudar a vontade, sem que saiba, é uma tentativa de controlo. O Grimório.pt não ensina estas práticas.

Há também uma questão legal. A imagem de uma pessoa é um dado pessoal. Enviar fotografias de terceiros a desconhecidos, sem autorização, pode violar o direito à imagem e à privacidade dessa pessoa.

Expectativas honestas

Nenhum trabalho espiritual garante resultados. Uma fotografia não torna um ritual «mais certeiro». E uma foto enviada por mensagem pode acabar em mãos que não conhece.

Antes de contratar

  • Pergunte quem é o praticante, onde trabalha e se passa fatura.
  • Peça o preço total por escrito.
  • Desconfie de garantias, prazos e pedidos sucessivos de dinheiro.
  • Nunca envie fotografias íntimas: podem ser usadas para chantagem.

Se alguém o ameaça com fotos ou com «trabalhos», contacte a APAV (116 006) ou as autoridades.

➜ Como escolher um bruxo sério e evitar burlas

Perguntas frequentes

Uma foto antiga serve?
Na crença, dizem que sim. Mas a pergunta mais importante é outra: a pessoa aceitaria que a sua foto fosse usada assim?

Posso usar a minha própria foto num ritual?
Sim. Muitas práticas de autoestima e de oração usam a própria imagem, sem interferir com ninguém.

E se já enviei a foto de alguém?
Peça que seja apagada e não envie mais dados. Se lhe pedirem mais dinheiro, pare de pagar.

Continue a ler

➜ Amarração com cabelo: a crença

➜ Amarração à distância

➜ Amarração amorosa: o que é

Fontes

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