Muitas pessoas perguntam se um fio de cabelo da pessoa amada «torna a amarração mais forte». A pergunta vem de uma crença muito antiga: a de que uma parte do corpo continua ligada a quem a perdeu.
Nesta página explicamos de onde vem essa crença e porque é que o Grimório.pt não ensina rituais com o cabelo de outra pessoa.
A lógica da crença: a «lei do contacto»
Em 1890, o antropólogo escocês James George Frazer publicou The Golden Bough («O Ramo de Ouro»), um estudo comparado de magia e religião. Aí descreveu duas regras do pensamento mágico:
| Lei | O que diz a crença |
|---|---|
| Semelhança | O semelhante produz o semelhante: uma imagem age sobre o original. |
| Contacto (ou contágio) | O que esteve junto continua ligado, mesmo à distância. |
O cabelo, as unhas, a saliva ou a roupa pertencem à segunda regra. Segundo a crença, quem tem um fio de cabelo de alguém teria uma «ponte» até essa pessoa.
Frazer via isto como uma forma de raciocínio pré-científico. Não há prova de que funcione.
O cabelo na história da magia
Antiguidade
Algumas tabuinhas de chumbo gregas e romanas, usadas para «ligar» pessoas, eram acompanhadas de figurinhas atadas e, por vezes, de cabelo ou pedaços de roupa da pessoa visada.
As «garrafas de bruxa» inglesas
Na Inglaterra do século XVII, fazia-se o contrário: garrafas com cabelo, unhas, urina e alfinetes eram enterradas junto à lareira ou sob o chão. A intenção era proteger a casa e «apanhar» os feitiços lançados por bruxas.
É um bom exemplo de como o mesmo material serviu para atacar e para proteger, consoante a crença.
O medo popular
Daqui vem um receio que muitas avós ainda repetem: não deixar o cabelo cortado ou as unhas «em qualquer lado», para que ninguém «faça mal» com eles.
Porque não ensinamos esta prática
Há duas razões claras.
- Consentimento: usar o cabelo de alguém sem que saiba, para lhe mudar os sentimentos, é tentar controlar outra pessoa. É exatamente o que a ética de quase todas as tradições condena.
- Comportamento: obter cabelo de alguém às escondidas pode implicar entrar na sua casa, mexer nas suas coisas ou persegui-la. Isso pode ser crime.
O Grimório.pt explica a crença e a história. Não publica instruções para amarrar ninguém.
Expectativas honestas
Nenhum trabalho espiritual garante resultados, com ou sem cabelo. Se alguém lhe diz que «sem cabelo não resulta» ou que «com cabelo é garantido», está a usar a crença para vender.
Antes de contratar
Desconfie de quem:
- pede cabelo, roupa ou fotografias de terceiros como condição;
- promete prazos ou resultados;
- pede mais dinheiro a cada fase;
- não se identifica nem passa fatura.
➜ Como escolher um bruxo sério e evitar burlas
Perguntas frequentes
É verdade que o cabelo guarda a energia da pessoa?
É uma crença antiga e muito espalhada. Não é um facto demonstrado.
Alguém pode fazer-me mal com o meu cabelo?
Não há qualquer prova disso. Se o medo lhe tira a paz, fale com alguém de confiança ou com um psicólogo.
Há usos respeitosos do cabelo na tradição?
Sim: guardar uma madeixa de um filho ou de um ente querido como recordação é um costume antigo e afetivo, sem qualquer intenção de controlo.
Continue a ler
➜ Amarração com roupa: a crença
➜ Amarração com foto: a crença
Fontes
- James George Frazer, The Golden Bough, 1890.
- «Sympathetic magic», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Curse tablet», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Witch bottle», Wikipedia — en.wikipedia.org