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❤️ Amarrações

Amarração com cabelo: a crença e a sua história

Porque é que tantas crenças mágicas usam cabelo de outra pessoa? A «lei do contacto» de Frazer, as tabuinhas antigas, as garrafas de bruxa e a ética.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. A lógica da crença: a «lei do contacto»
  2. O cabelo na história da magia
  3. Porque não ensinamos esta prática
  4. Expectativas honestas
  5. Antes de contratar
  6. Perguntas frequentes
  7. Continue a ler
  8. Fontes

Muitas pessoas perguntam se um fio de cabelo da pessoa amada «torna a amarração mais forte». A pergunta vem de uma crença muito antiga: a de que uma parte do corpo continua ligada a quem a perdeu.

Nesta página explicamos de onde vem essa crença e porque é que o Grimório.pt não ensina rituais com o cabelo de outra pessoa.

A lógica da crença: a «lei do contacto»

Em 1890, o antropólogo escocês James George Frazer publicou The Golden Bough («O Ramo de Ouro»), um estudo comparado de magia e religião. Aí descreveu duas regras do pensamento mágico:

Lei O que diz a crença
Semelhança O semelhante produz o semelhante: uma imagem age sobre o original.
Contacto (ou contágio) O que esteve junto continua ligado, mesmo à distância.

O cabelo, as unhas, a saliva ou a roupa pertencem à segunda regra. Segundo a crença, quem tem um fio de cabelo de alguém teria uma «ponte» até essa pessoa.

Frazer via isto como uma forma de raciocínio pré-científico. Não há prova de que funcione.

O cabelo na história da magia

Antiguidade

Algumas tabuinhas de chumbo gregas e romanas, usadas para «ligar» pessoas, eram acompanhadas de figurinhas atadas e, por vezes, de cabelo ou pedaços de roupa da pessoa visada.

➜ As tabuletas do Nilo

As «garrafas de bruxa» inglesas

Na Inglaterra do século XVII, fazia-se o contrário: garrafas com cabelo, unhas, urina e alfinetes eram enterradas junto à lareira ou sob o chão. A intenção era proteger a casa e «apanhar» os feitiços lançados por bruxas.

É um bom exemplo de como o mesmo material serviu para atacar e para proteger, consoante a crença.

O medo popular

Daqui vem um receio que muitas avós ainda repetem: não deixar o cabelo cortado ou as unhas «em qualquer lado», para que ninguém «faça mal» com eles.

Porque não ensinamos esta prática

Há duas razões claras.

  • Consentimento: usar o cabelo de alguém sem que saiba, para lhe mudar os sentimentos, é tentar controlar outra pessoa. É exatamente o que a ética de quase todas as tradições condena.
  • Comportamento: obter cabelo de alguém às escondidas pode implicar entrar na sua casa, mexer nas suas coisas ou persegui-la. Isso pode ser crime.

O Grimório.pt explica a crença e a história. Não publica instruções para amarrar ninguém.

➜ Amarração e livre-arbítrio

Expectativas honestas

Nenhum trabalho espiritual garante resultados, com ou sem cabelo. Se alguém lhe diz que «sem cabelo não resulta» ou que «com cabelo é garantido», está a usar a crença para vender.

Antes de contratar

Desconfie de quem:

  • pede cabelo, roupa ou fotografias de terceiros como condição;
  • promete prazos ou resultados;
  • pede mais dinheiro a cada fase;
  • não se identifica nem passa fatura.

➜ Como escolher um bruxo sério e evitar burlas

Perguntas frequentes

É verdade que o cabelo guarda a energia da pessoa?
É uma crença antiga e muito espalhada. Não é um facto demonstrado.

Alguém pode fazer-me mal com o meu cabelo?
Não há qualquer prova disso. Se o medo lhe tira a paz, fale com alguém de confiança ou com um psicólogo.

Há usos respeitosos do cabelo na tradição?
Sim: guardar uma madeixa de um filho ou de um ente querido como recordação é um costume antigo e afetivo, sem qualquer intenção de controlo.

Continue a ler

➜ Amarração com roupa: a crença

➜ Amarração com foto: a crença

➜ Amarração amorosa: o que é

Fontes

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