Hoje, quase todos os trabalhos espirituais anunciados na internet são feitos à distância. A pessoa envia um nome, uma data de nascimento e às vezes uma fotografia, e o ritual é feito noutro lugar.
Esta página explica porque a tradição mágica sempre trabalhou assim, o que isso significa segundo a crença e, sobretudo, que cuidados ter antes de pagar um trabalho que não vai ver ser feito.
A distância na tradição mágica
A ideia de agir sobre alguém que não está presente é tão antiga como a própria magia.
As tabuinhas de chumbo gregas e romanas (katadesmos, defixio) nomeavam uma pessoa e eram enterradas longe dela, num túmulo ou num poço. A pessoa visada nunca as via.
No século XIX, o antropólogo James Frazer descreveu este raciocínio como magia simpática: pela «lei do contacto», coisas que estiveram juntas continuariam a influenciar-se à distância. Por isso tantas práticas pedem um nome, um retrato ou um objeto da pessoa.
O que a tradição diz
Segundo a crença, a distância física não conta no plano espiritual. Um ritual feito em Lisboa atuaria da mesma forma sobre alguém no Porto, em Paris ou em São Paulo.
É uma afirmação de fé, não um facto demonstrado. Não há forma de verificar se um ritual feito à distância teve algum efeito, nem sequer, muitas vezes, se foi realmente feito.
Ética e limites
A distância não muda a questão essencial. Uma amarração, feita perto ou longe, pretende prender a vontade de outra pessoa, que não foi consultada.
Há ainda uma questão prática: enviar a terceiros a fotografia, a data de nascimento e a morada de alguém é partilhar dados pessoais dessa pessoa sem o seu consentimento. Pense nisso antes de o fazer.
O Grimório.pt não ensina rituais para prender ninguém. Se procura apoio espiritual, há orações que pedem paz, clareza e o bem de ambos.
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Expectativas honestas
Nenhum trabalho espiritual garante resultados, à distância ou presencialmente. Não há prazos que se possam prometer.
No trabalho à distância, o risco de burla é maior: não vê o que é feito, não conhece a pessoa e muitas vezes paga por transferência a alguém que só conhece por mensagens.
Antes de pagar um trabalho à distância
Confirme sempre:
- Nome, morada e contribuinte de quem presta o serviço.
- Preço total por escrito, antes de começar, e fatura.
- O que vai ser feito, em concreto.
Desconfie se:
- lhe garantem o regresso da pessoa ou dão um prazo;
- lhe pedem mais dinheiro para «reforçar» ou porque «apareceu um bloqueio»;
- lhe dizem que tem um «trabalho feito» sem nunca o terem visto;
- o ameaçam com consequências se desistir.
Em Portugal, qualquer prestador de serviços deve ter Livro de Reclamações, também em formato eletrónico. Em caso de problema, a DECO pode orientar.
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Perguntas frequentes
Preciso de enviar fotografia ou cabelo da pessoa?
Algumas tradições pedem-no, pela lógica da magia simpática. Mas isso implica usar dados e objetos de alguém sem consentimento, o que desaconselhamos.
Um trabalho à distância é mais fraco?
Segundo a crença, não. Mas nenhum, perto ou longe, tem resultados demonstrados.
Como sei que o ritual foi feito?
Não há forma segura de saber. Por isso é tão importante conhecer quem contrata e ter tudo por escrito.
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Fontes
- «Sympathetic magic», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Curse tablet», Wikipedia — en.wikipedia.org
- James George Frazer, The Golden Bough, 1890.
- John G. Gager, Curse Tablets and Binding Spells from the Ancient World, Oxford University Press, 1992.