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Amarração amorosa: o que é, de onde vem e o que esperar

O que é uma amarração amorosa: das tabuinhas de chumbo gregas e romanas ao Livro de São Cipriano. A crença, os limites éticos e expectativas honestas.

6 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. O que é uma amarração
  2. De onde vem a crença
  3. Como a tradição diz que atua
  4. Ética: o problema do livre-arbítrio
  5. Expectativas honestas
  6. Antes de contratar qualquer praticante
  7. Quando a dor é grande
  8. As páginas desta secção
  9. Perguntas frequentes
  10. Continue a ler
  11. Fontes

Quem pesquisa «amarração amorosa» está quase sempre a passar por um momento difícil: uma separação, um amor que não é correspondido, o medo de perder alguém.

Esta página explica o que é a amarração segundo a crença, de onde vem esta ideia, o que dizem a ética e o bom senso e o que pode esperar, com honestidade, de qualquer trabalho espiritual. É também o ponto de partida para as restantes páginas da secção.

O que é uma amarração

Amarração é um termo popular de Portugal e do Brasil. Designa um ritual que pretende «atar» uma pessoa a outra: fazê-la voltar, ficar, ou deixar de desejar outras pessoas.

A imagem é antiga e diz muito: não se trata de pedir amor, mas de prender a vontade de alguém. É por isso que a amarração é uma das práticas mais discutidas, e mais criticadas, dentro do próprio meio esotérico.

De onde vem a crença

Tabuinhas de chumbo gregas e romanas

Os gregos chamavam katadesmos («ligação») e os romanos defixio a finas folhas de chumbo gravadas com pedidos aos deuses do mundo subterrâneo. Eram enterradas em túmulos ou lançadas a poços.

Conhecem-se cerca de 1600 tabuinhas. A maioria trata de tribunais, negócios ou corridas, mas no período helenístico tornaram-se populares os feitiços eróticos, os agogai, destinados a «atrair» alguém para si.

No Museu do Louvre há uma figura de barro atada e trespassada por alfinetes, encontrada no Egito romano com uma tabuinha deste tipo.

➜ As tabuletas do Nilo

Os Papiros Mágicos Gregos

Os chamados Papiros Mágicos Gregos, escritos no Egito entre o século II a.C. e o século V d.C., reúnem receitas de feitiços de atração muito parecidos com as amarrações de hoje.

Feitiços de amor na Idade Média

A magia amorosa foi comum em toda a Europa medieval. A Igreja condenava-a como superstição ou pacto com o demónio. Em Portugal, os processos da Inquisição registam orações, «cartas de tocar» e outros recursos para atrair ou prender alguém.

➜ A magia na Idade Média

➜ A Inquisição em Portugal

O Livro de São Cipriano

No século XIX, o Livro de São Cipriano espalhou em Portugal e no Brasil receitas para «obter amor» e «apressar casamentos». A palavra «amarração», com o sentido comercial que tem hoje, vem sobretudo dos anúncios de serviços do século XX e da internet.

➜ Amarração de São Cipriano: o que diz a tradição

Como a tradição diz que atua

Segundo a crença, uma amarração usa três coisas: uma representação da pessoa (nome, fotografia, objeto), a invocação de uma força (santo, espírito, entidade) e materiais e repetições (velas, mel, nós, orações, fases da Lua).

O antropólogo James Frazer chamou a este raciocínio magia simpática: o que se faz à imagem ou ao objeto afetaria a pessoa. É uma forma de pensar muito antiga. Não há qualquer prova de que mude os sentimentos de alguém.

➜ Como funciona uma amarração: a crença explicada

➜ Tipos de amarração

Ética: o problema do livre-arbítrio

A objeção principal é simples: a amarração procura anular a liberdade de outra pessoa.

  • No cristianismo, o livre-arbítrio é visto como um dom que não deve ser violado.
  • Em muitas correntes da bruxaria moderna, vale a regra de «não fazer mal a ninguém».
  • Na tradição popular, fala-se do retorno: o mal feito voltaria a quem o fez.

A própria lenda de São Cipriano conta um feitiço de amor que falhou: Justina recusou, e foi essa liberdade que converteu o mago.

O Grimório.pt não ensina rituais para prender, dominar ou forçar ninguém. Explica a crença, a história e as alternativas.

➜ Amarração e livre-arbítrio

➜ Amarração tem pecado?

Expectativas honestas

Nenhum trabalho espiritual garante resultados. Não há prazos, percentagens nem amarrações «definitivas».

Quando uma pessoa volta depois de um ritual, é impossível saber se voltaria de qualquer forma. E os «sinais» (sonhos, mensagens, coincidências) são muitas vezes lidos à luz da esperança.

Quem procura um praticante pode fazê-lo por conforto, por fé ou por tradição. É uma escolha pessoal. Mas deve ser feita com informação e sem pressa.

➜ Sintomas de amarração a fazer efeito: o que há de verdade

➜ A amarração dura para sempre?

Antes de contratar qualquer praticante

Pergunte e confirme:

  • Quanto custa tudo, à partida, e se há fatura.
  • O que vai ser feito, de forma concreta.
  • Se lhe prometem resultados ou prazos: se sim, desconfie.

Sinais de alerta: garantias, pedidos sucessivos de dinheiro para «reforçar», ameaças («se parar, vai correr mal»), ou um «trabalho feito» contra si diagnosticado à distância. Tem direito a orçamento, a fatura e ao Livro de Reclamações.

➜ Como escolher um bruxo sério e evitar burlas

➜ Quanto custa uma amarração?

Quando a dor é grande

Um desgosto de amor pode tirar o sono e a vontade de viver o dia. Falar ajuda: com amigos, com a família, com um psicólogo. A linha SNS 24 (808 24 24 24) tem aconselhamento psicológico. Se há violência ou ameaças na relação, a APAV (116 006) pode ajudar.

As páginas desta secção

Pela forma da crença

➜ Amarração à distância

➜ Amarração com mel

➜ Amarração com foto

➜ Amarração com cabelo

➜ Amarração com roupa

➜ Amarração do espelho negro

➜ Amarração em encruzilhada

Pela tradição

➜ Amarração de São Cipriano

➜ Amarração cigana

Pela situação

➜ Trazer o ex de volta

➜ Reconquistar a pessoa amada

➜ Amarração gay

➜ Amarração de amizade

Promessas a desmontar

➜ Amarração em 7 dias

➜ Amarração definitiva

➜ Amarração de obediência

➜ Desfazer uma amarração

Perguntas frequentes

A amarração é o mesmo que um feitiço de amor?
São parentes. O feitiço de amor pode pedir atração ou harmonia; a amarração, na definição popular, quer «prender» alguém.

Há alguma amarração que não interfira com a vontade do outro?
Por definição, não. O que existe são orações e práticas que pedem o bem de ambos, a paz ou a chegada do amor certo.

Quanto tempo demora?
Ninguém pode dizer, porque nenhum ritual garante resultados. Quem dá prazos está a vender urgência.

Continue a ler

➜ Feitiço de amor: a crença e a história

➜ O amor no Livro de São Cipriano

➜ Oração para o amor

Fontes

  • John G. Gager, Curse Tablets and Binding Spells from the Ancient World, Oxford University Press, 1992.
  • Hans Dieter Betz (ed.), The Greek Magical Papyri in Translation, University of Chicago Press, 1986.
  • «Curse tablet», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • Museu do Louvre, figura e tabuinha de chumbo (E 27145) — collections.louvre.fr
  • Richard Kieckhefer, Magic in the Middle Ages, Cambridge University Press, 1989.

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