O citrino é a pedra amarela que a tradição esotérica moderna liga à prosperidade e à alegria. É um dos cristais mais vendidos em feiras e lojas.
Mas há um facto que poucas lojas contam: o citrino natural é raro. A maior parte do «citrino» à venda é ametista aquecida em forno. Não é crime nem é necessariamente fraude, mas o comprador tem direito a saber.
Nesta página separamos o que diz a mineralogia do que diz a crença.
Ficha
| Característica | Citrino |
|---|---|
| Mineral | Quartzo (variedade amarela a laranja) |
| Composição | Dióxido de silício (SiO₂) |
| Sistema cristalino | Trigonal |
| Dureza (Mohs) | 7 |
| Densidade | 2,66 |
| Índice de refração | 1,544 – 1,553 |
| Cor | Amarelo-pálido, amarelo-esverdeado, laranja, castanho |
| Nome | Do latim citrus (cidreira), pelo francês citron (limão) |
| Principal produtor | Brasil (sobretudo Rio Grande do Sul) |
O que é, ao certo
O citrino é quartzo, o mesmo mineral do cristal de rocha, da ametista e do quartzo fumado. Muda apenas a cor.
A causa da cor do citrino natural ainda é discutida. Há duas explicações principais:
- Centros de cor ligados ao alumínio, criados por radiação natural — os mesmos que dão cor ao quartzo fumado;
- Vestígios de ferro na estrutura do cristal.
O GIA (Gemological Institute of America) aponta o ferro. Mas a Wikipédia e o Mindat lembram um pormenor curioso: cristais sintéticos crescidos em soluções ricas em ferro não conseguiram reproduzir a cor do citrino natural.
O quartzo fumado, aquecido com cuidado, também pode ficar amarelo. Por isso, citrino natural e quartzo fumado são parentes próximos.
Citrino natural ou ametista aquecida?
Quando se aquece ametista acima de 200–300 °C, o violeta desaparece. A pedra fica amarela, laranja ou castanho-avermelhada.
A cor desta ametista aquecida tem outra origem: partículas finíssimas de minerais de ferro, sobretudo hematite e goethite. É, portanto, um material diferente do citrino natural, embora ambos sejam quartzo.
O GIA diz-o sem rodeios: a maior parte do citrino no mercado resulta do aquecimento da ametista.
Como reconhecer, de forma aproximada
- Citrino natural: amarelo pálido e suave, cor bastante uniforme, raramente em drusas.
- Ametista aquecida: laranja ou castanho intenso. Nas drusas, é frequente a base esbranquiçada e as pontas cor de laranja, porque na ametista a cor concentra-se nas pontas.
- Geodes e «catedrais»: os grandes geodes de «citrino» são, quase sempre, geodes de ametista aquecidos.
A prova de laboratório
Só um laboratório gemológico dá a certeza. Um dos testes é o dicroísmo: ver se a pedra muda ligeiramente de tom quando observada em luz polarizada, de ângulos diferentes.
| Tipo de pedra | Dicroísmo |
|---|---|
| Citrino natural | Fraco, mas presente |
| Ametista aquecida | Nenhum |
| Quartzo fumado aquecido | Mantém o do quartzo fumado |
Onde se encontra
O citrino natural é raro, mas conhecem-se jazidas em vários países. O Mindat refere, por exemplo, Salamanca (Espanha), a Noruega e o Brasil.
O Brasil domina o mercado, sobretudo com ametista aquecida do Rio Grande do Sul. Na Bolívia há cristais com zonas violeta e amarelas no mesmo cristal: a ametrina.
➜ Ametista
Um pouco de história
Durante muito tempo, antes da gemologia moderna, o citrino foi confundido com o topázio, por ter tons parecidos. A confusão ainda hoje aparece em nomes comerciais pouco rigorosos.
No século XIX, a rainha Vitória ajudou a pôr na moda as joias com citrino, em broches e pendentes.
Hoje, o citrino é uma das pedras do mês de novembro, ao lado do topázio. O GIA associa-o também ao 13.º aniversário de casamento. São convenções comerciais modernas, não tradições antigas.
Outras imitações
- Vidro amarelo: bolhas redondas, cor demasiado perfeita.
- Quartzo fumado aquecido: também pode ficar amarelado.
- Topázio e outras gemas amarelas: às vezes vendidas como «citrino», ou o contrário.
Na tradição esotérica moderna
Na tradição esotérica moderna, o citrino é chamado «pedra do comerciante». Segundo a crença, colocá-lo na caixa registadora ou na carteira atrairia clientes e dinheiro. Também se diz que «não acumula energia negativa».
Estas ideias nascem sobretudo do simbolismo da cor: o amarelo do sol e do ouro. São crenças, sem base mineralógica.
Repare numa ironia: se a pedra é ametista aquecida, as qualidades atribuídas ao «citrino» vêm da cor que o forno lhe deu.
Nenhuma pedra garante negócios ou dinheiro, e a cristaloterapia não tem comprovação científica. O citrino não tem efeitos na saúde; qualquer problema de saúde deve ser visto por um médico.
Afirmações comuns
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «Todo o citrino é natural» | A maior parte do que se vende é ametista aquecida |
| «Os geodes de citrino são raros e valiosos» | Quase sempre são geodes de ametista aquecidos |
| «O citrino atrai dinheiro» | É uma crença moderna ligada à cor |
| «O citrino não precisa de limpeza energética» | Crença esotérica, sem base mineralógica |
| «O citrino cura» | Não há prova de efeitos na saúde |
Cuidados práticos
- Luz: evite deixar qualquer quartzo colorido ao sol forte durante muito tempo.
- Água: pode lavar-se com água morna e sabão neutro. Seque bem.
- Calor: evite mudanças bruscas de temperatura, que podem fissurar a pedra.
- Geodes: escove só a seco; a rocha da base pode esfarelar.
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Fontes
- «Citrine», GIA — gia.edu
- «Citrine», Mindat — mindat.org
- «Citrine (quartz)», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Crystal healing», Wikipedia — en.wikipedia.org