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💎 Cristais

Citrino

O citrino é quartzo amarelo, mas o natural é raro: quase todo o citrino à venda é ametista aquecida. Mineralogia, como reconhecer, história e o que diz a crença.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. O que é, ao certo
  3. Citrino natural ou ametista aquecida?
  4. Onde se encontra
  5. Um pouco de história
  6. Outras imitações
  7. Na tradição esotérica moderna
  8. Afirmações comuns
  9. Cuidados práticos
  10. Continue a ler
  11. Fontes

O citrino é a pedra amarela que a tradição esotérica moderna liga à prosperidade e à alegria. É um dos cristais mais vendidos em feiras e lojas.

Mas há um facto que poucas lojas contam: o citrino natural é raro. A maior parte do «citrino» à venda é ametista aquecida em forno. Não é crime nem é necessariamente fraude, mas o comprador tem direito a saber.

Nesta página separamos o que diz a mineralogia do que diz a crença.

Ficha

Característica Citrino
Mineral Quartzo (variedade amarela a laranja)
Composição Dióxido de silício (SiO₂)
Sistema cristalino Trigonal
Dureza (Mohs) 7
Densidade 2,66
Índice de refração 1,544 – 1,553
Cor Amarelo-pálido, amarelo-esverdeado, laranja, castanho
Nome Do latim citrus (cidreira), pelo francês citron (limão)
Principal produtor Brasil (sobretudo Rio Grande do Sul)

O que é, ao certo

O citrino é quartzo, o mesmo mineral do cristal de rocha, da ametista e do quartzo fumado. Muda apenas a cor.

A causa da cor do citrino natural ainda é discutida. Há duas explicações principais:

  • Centros de cor ligados ao alumínio, criados por radiação natural — os mesmos que dão cor ao quartzo fumado;
  • Vestígios de ferro na estrutura do cristal.

O GIA (Gemological Institute of America) aponta o ferro. Mas a Wikipédia e o Mindat lembram um pormenor curioso: cristais sintéticos crescidos em soluções ricas em ferro não conseguiram reproduzir a cor do citrino natural.

O quartzo fumado, aquecido com cuidado, também pode ficar amarelo. Por isso, citrino natural e quartzo fumado são parentes próximos.

Citrino natural ou ametista aquecida?

Quando se aquece ametista acima de 200–300 °C, o violeta desaparece. A pedra fica amarela, laranja ou castanho-avermelhada.

A cor desta ametista aquecida tem outra origem: partículas finíssimas de minerais de ferro, sobretudo hematite e goethite. É, portanto, um material diferente do citrino natural, embora ambos sejam quartzo.

O GIA diz-o sem rodeios: a maior parte do citrino no mercado resulta do aquecimento da ametista.

Como reconhecer, de forma aproximada

  • Citrino natural: amarelo pálido e suave, cor bastante uniforme, raramente em drusas.
  • Ametista aquecida: laranja ou castanho intenso. Nas drusas, é frequente a base esbranquiçada e as pontas cor de laranja, porque na ametista a cor concentra-se nas pontas.
  • Geodes e «catedrais»: os grandes geodes de «citrino» são, quase sempre, geodes de ametista aquecidos.

A prova de laboratório

Só um laboratório gemológico dá a certeza. Um dos testes é o dicroísmo: ver se a pedra muda ligeiramente de tom quando observada em luz polarizada, de ângulos diferentes.

Tipo de pedra Dicroísmo
Citrino natural Fraco, mas presente
Ametista aquecida Nenhum
Quartzo fumado aquecido Mantém o do quartzo fumado

Onde se encontra

O citrino natural é raro, mas conhecem-se jazidas em vários países. O Mindat refere, por exemplo, Salamanca (Espanha), a Noruega e o Brasil.

O Brasil domina o mercado, sobretudo com ametista aquecida do Rio Grande do Sul. Na Bolívia há cristais com zonas violeta e amarelas no mesmo cristal: a ametrina.

➜ Ametista

Um pouco de história

Durante muito tempo, antes da gemologia moderna, o citrino foi confundido com o topázio, por ter tons parecidos. A confusão ainda hoje aparece em nomes comerciais pouco rigorosos.

No século XIX, a rainha Vitória ajudou a pôr na moda as joias com citrino, em broches e pendentes.

Hoje, o citrino é uma das pedras do mês de novembro, ao lado do topázio. O GIA associa-o também ao 13.º aniversário de casamento. São convenções comerciais modernas, não tradições antigas.

Outras imitações

  • Vidro amarelo: bolhas redondas, cor demasiado perfeita.
  • Quartzo fumado aquecido: também pode ficar amarelado.
  • Topázio e outras gemas amarelas: às vezes vendidas como «citrino», ou o contrário.

Na tradição esotérica moderna

Na tradição esotérica moderna, o citrino é chamado «pedra do comerciante». Segundo a crença, colocá-lo na caixa registadora ou na carteira atrairia clientes e dinheiro. Também se diz que «não acumula energia negativa».

Estas ideias nascem sobretudo do simbolismo da cor: o amarelo do sol e do ouro. São crenças, sem base mineralógica.

Repare numa ironia: se a pedra é ametista aquecida, as qualidades atribuídas ao «citrino» vêm da cor que o forno lhe deu.

Nenhuma pedra garante negócios ou dinheiro, e a cristaloterapia não tem comprovação científica. O citrino não tem efeitos na saúde; qualquer problema de saúde deve ser visto por um médico.

➜ Cristais para dinheiro

Afirmações comuns

Afirmação comum O que se sabe
«Todo o citrino é natural» A maior parte do que se vende é ametista aquecida
«Os geodes de citrino são raros e valiosos» Quase sempre são geodes de ametista aquecidos
«O citrino atrai dinheiro» É uma crença moderna ligada à cor
«O citrino não precisa de limpeza energética» Crença esotérica, sem base mineralógica
«O citrino cura» Não há prova de efeitos na saúde

Cuidados práticos

  • Luz: evite deixar qualquer quartzo colorido ao sol forte durante muito tempo.
  • Água: pode lavar-se com água morna e sabão neutro. Seque bem.
  • Calor: evite mudanças bruscas de temperatura, que podem fissurar a pedra.
  • Geodes: escove só a seco; a rocha da base pode esfarelar.

➜ Como limpar cristais

Continue a ler

➜ Quartzo transparente

➜ Olho-de-tigre

➜ Pedra do sol

➜ Todos os cristais

Fontes

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