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Coral

O coral vermelho é o esqueleto de um animal marinho. Medusa, Plínio e as crianças, o cornicello de Nápoles, o coral do Algarve protegido por lei e as imitações.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. O que é o coral
  3. Mito: o sangue da Medusa
  4. O coral como amuleto
  5. Na crença esotérica moderna
  6. Um animal ameaçado
  7. Coral falso e tingido
  8. Cuidados
  9. Continue a ler
  10. Fontes

O coral vermelho foi, durante milénios, um dos amuletos mais populares do Mediterrâneo. Pendurava-se ao pescoço das crianças e ainda hoje se vê nos pequenos cornos vermelhos de Nápoles.

Mas o coral não é uma pedra. É o esqueleto de uma colónia de animais marinhos que crescem muito devagar e que hoje estão ameaçados.

Em Portugal, o coral vermelho vive na costa do Algarve e está protegido por lei.

Ficha

Característica Coral vermelho
Nome Coral vermelho (Corallium rubrum)
Tipo Esqueleto de um animal marinho (octocoral), material orgânico
Composição Carbonato de cálcio, colorido por pigmentos carotenoides
Dureza (Mohs) Cerca de 3,5
Cor Vermelho, rosa, laranja-avermelhado
Onde vive Mediterrâneo e Atlântico, de Portugal a Cabo Verde; em Portugal, sobretudo o Algarve
Outros nomes Coral precioso, coral-vermelho

O que é o coral

O coral vermelho é formado por pequenos pólipos, parentes das anémonas, que vivem juntos numa colónia em forma de arbusto. O esqueleto que constroem é duro, feito de carbonato de cálcio, e é essa parte que se trabalha em joalharia.

Vive normalmente entre 10 e 200 metros de profundidade, em grutas e paredes rochosas pouco iluminadas.

Cresce muito devagar: em média, poucos milímetros a cerca de 2 cm por ano em altura. Uma colónia grande pode ter muitas décadas, e algumas chegam perto dos cem anos.

Mito: o sangue da Medusa

Na mitologia grega, contada por Ovídio nas Metamorfoses, o herói Perseu cortou a cabeça da Górgona Medusa. Pousou-a sobre algas na margem, e o sangue transformou as plantas em coral vermelho, que endurece ao contacto com o ar.

Por isso os gregos também lhe chamavam gorgeia, da palavra Górgona.

O coral como amuleto

Na Antiguidade

Plínio, o Velho (século I) regista, na História Natural (livro 32), uma crença do seu tempo: ramos de coral atados às crianças pequenas eram considerados uma proteção.

Plínio conta também que os indianos valorizavam as contas de coral tanto quanto as romanas valorizavam as pérolas. O coral foi, de facto, um grande produto de exportação do Mediterrâneo para a Índia.

Colares de coral aparecem ainda em sepulturas egípcias e da pré-história europeia.

Em Itália: o cornicello

No sul de Itália, sobretudo em Nápoles, o cornicello é um pequeno corno torcido, muitas vezes de coral vermelho, usado contra o malocchio (mau-olhado) e a má sorte.

Segundo a crença popular italiana, o mau-olhado ameaçava sobretudo mães que amamentavam, bebés, árvores de fruto e animais. O vermelho do coral e a forma de corno juntavam-se como proteção.

Desde o início do século XIX, Torre del Greco, perto de Nápoles, tornou-se o grande centro europeu do trabalho do coral.

➜ Olho turco

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Na tradição do Mediterrâneo

A mesma ideia atravessa todo o Mediterrâneo: pendurar coral nas crianças para as proteger. É uma tradição cultural muito antiga, próxima da das figas de azeviche na Galiza e em Portugal.

➜ Azeviche

Na crença esotérica moderna

Na tradição esotérica moderna, o coral é associado a:

  • proteção, sobretudo das crianças e da casa;
  • o mar e a água;
  • vitalidade, pela cor de sangue;
  • fertilidade, herança da crença italiana.

São crenças e símbolos. O coral não tem efeitos terapêuticos demonstrados.

➜ Proteção de filhos

Atenção com crianças

Não coloque colares, pulseiras ou fios de contas em bebés e crianças pequenas. Há risco de asfixia e de estrangulamento. Se quiser manter a tradição, guarde o coral como recordação, fora do alcance da criança.

Um animal ameaçado

A apanha intensiva, sobretudo em águas pouco profundas, esgotou o coral vermelho em muitas zonas do Mediterrâneo. As colónias grandes e antigas tornaram-se raras.

Em 2007, os Estados Unidos propuseram incluir o género Corallium na CITES (a convenção sobre o comércio de espécies ameaçadas), citando o crescimento lento e a sobre-exploração. A proposta não foi aprovada, mas a pesca é hoje regulada no Mediterrâneo.

Em Portugal

O coral vermelho foi documentado na costa algarvia, com imagens obtidas ao largo de Sagres em 2011. Em 2012, as autoridades apreenderam corais com 70 a 140 anos, apanhados ilegalmente.

Em 2020, o Governo anunciou legislação para proteger o coral vermelho da costa portuguesa, com multas que podem chegar aos 5 milhões de euros.

Não apanhe nem compre coral de origem desconhecida. Se quiser coral, prefira peças antigas (de família ou antiquário) ou peças com origem legal comprovada.

Coral falso e tingido

Muito do «coral» vendido não é coral vermelho:

  • coral-bambu e coral-esponja, mais baratos, muitas vezes tingidos de vermelho;
  • vidro, plástico e pastas prensadas;
  • pó de coral misturado com resina (coral «reconstituído»).

Se a cor sair num algodão com um pouco de acetona, é tinta.

Cuidados

  • Macio e sensível a ácidos: vinagre, limão, perfume e produtos de limpeza danificam-no.
  • Calor e sol: podem desbotar a cor.
  • Limpeza: apenas pano macio húmido; nunca sal nem ultrassons.
  • Guarde-o separado de pedras mais duras.

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Fontes

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