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Azeviche

O azeviche é madeira fossilizada, negra e leve. As figas contra o mau-olhado, os azabacheros de Santiago de Compostela, as Astúrias, Plínio e o luto vitoriano.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. O que é o azeviche
  3. Na Antiguidade
  4. Santiago de Compostela e os azabacheros
  5. A figa de azeviche
  6. Joias de luto
  7. Na crença esotérica moderna
  8. Como distinguir o verdadeiro
  9. Cuidados
  10. Continue a ler
  11. Fontes

O azeviche é a «pedra» negra e brilhante das figas que, durante séculos, se penduraram ao pescoço das crianças na Galiza e em Portugal para as proteger do mau-olhado.

Na verdade não é uma pedra: é madeira fossilizada, uma forma muito dura de lenhite, aparentada com o carvão.

A sua história passa pelas minas das Astúrias, pelas oficinas de Santiago de Compostela e pelas joias de luto da rainha Vitória.

Ficha

Característica Azeviche
Nome Azeviche (castelhano azabache; inglês jet; latim gagates)
Composição Lenhite compacta: madeira fossilizada, cerca de 75 % carbono
Origem Sobretudo árvores antigas da família das araucárias
Dureza (Mohs) 2,5 a 4
Cor Negro intenso, brilho aveludado quando polido
Onde se encontra Astúrias (Espanha), Whitby (Inglaterra) e outros locais

O que é o azeviche

O azeviche formou-se a partir de troncos de árvores que caíram em águas paradas e foram soterrados e comprimidos durante o período Jurássico.

É leve, morno ao toque e fácil de esculpir, mas quebradiço. Como o âmbar, ganha eletricidade estática quando é esfregado e atrai pedacinhos de papel.

As jazidas mais famosas são duas:

  • Whitby, em Inglaterra, com cerca de 181 milhões de anos;
  • Astúrias, sobretudo a costa entre Gijón e Ribadesella (com destaque para Oles, em Villaviciosa), o maior depósito da Península Ibérica.

A palavra portuguesa «azeviche» e a castelhana azabache vêm do árabe.

Na Antiguidade

Os romanos chamavam-lhe gagates. Plínio, o Velho (século I) diz que o nome vem de Gagas, na Lícia (atual Turquia).

Plínio descreve-o como negro, leve e poroso, e diz que, queimado, afasta as serpentes e deita um cheiro forte. Regista ainda que os «magos» o usavam numa forma de adivinhação.

O azeviche foi usado para amuletos contra o mau-olhado já em época romana, e Santo Isidoro de Sevilha (século VII) falou das suas virtudes protetoras.

Santiago de Compostela e os azabacheros

Na Idade Média, o azeviche das Astúrias tornou-se a grande recordação dos peregrinos que chegavam a Santiago.

Os artesanos, chamados azabacheros, formaram um grémio já no século XIV. Foi um dos grémios mais ricos da cidade, com centenas de profissionais entre os séculos XV e XVII. Trabalhavam junto à catedral, na praça e rua que ainda hoje se chama Azabachería.

Faziam:

  • figuras de Santiago peregrino;
  • conchas de vieira;
  • figas contra o mau-olhado;
  • contas de rosário.

No século XVIII, com a diminuição dos peregrinos, o ofício entrou em declínio. Hoje resta um pequeno número de mestres.

➜ O Ciprianillo galego

A figa de azeviche

A figa é uma mão fechada com o polegar entre o indicador e o médio. É um gesto e um amuleto muito antigos, já conhecidos em época romana.

A figa de azeviche juntava duas proteções: o gesto e a «pedra» negra. Na tradição galega, os peregrinos levavam-nas para proteger os filhos e os familiares mais frágeis. Na crença popular, as crianças e os idosos eram os mais vulneráveis ao mau-olhado.

Em Portugal, a figa, muitas vezes de azeviche, tornou-se um dos amuletos populares mais comuns. O etnógrafo José Leite de Vasconcelos dedicou-lhe um estudo inteiro, A Figa (1925). Ainda hoje se vendem figas de azeviche em ourivesarias e lojas tradicionais.

➜ Desfazer mau-olhado

➜ Hamsá, a mão contra o mau-olhado

Joias de luto

No século XIX, depois da morte do príncipe Alberto em 1861, a rainha Vitória usou joias de azeviche de Whitby no luto. O azeviche tornou-se a joia de luto da moda por toda a Europa.

A procura foi tal que surgiram muitas imitações, como o «azeviche francês», que era vidro negro.

Na crença esotérica moderna

Na tradição esotérica moderna, o azeviche é associado a:

  • proteção contra o mau-olhado e a inveja, herança direta da tradição popular;
  • luto e passagem, pela ligação às joias vitorianas;
  • «absorver» energias negativas.

São crenças. O azeviche não tem efeitos terapêuticos demonstrados.

➜ Cristais para proteção

Como distinguir o verdadeiro

  • Peso: o azeviche é leve e morno; o vidro é frio e pesado.
  • Risco: numa porcelana não vidrada deixa traço castanho; o vidro não risca.
  • Imitações comuns: vidro negro, ebonite (borracha endurecida), plásticos e antracite.

Cuidados

  • Frágil: parte-se e lasca com quedas e choques.
  • Água e calor: evite banhos prolongados e fontes de calor, que o podem fissurar.
  • Sal: não o guarde em sal grosso.
  • Fogo: o azeviche arde, como o carvão. Não o aproxime de velas. ➜ Como usar velas com segurança

Continue a ler

➜ Âmbar

➜ Coral

➜ Amuletos e talismãs

Fontes

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