A aventurina é uma pedra verde com pequenos brilhos, como se tivesse purpurina lá dentro. É uma das pedras mais baratas e mais vendidas nas lojas esotéricas, muitas vezes em pedras roladas ou pulseiras.
Tem uma história curiosa: o nome da pedra vem de um vidro, e não o contrário. Primeiro houve o vidro aventurina de Veneza; só depois se deu o mesmo nome à rocha natural que brilha da mesma forma.
Ficha
| Característica | Aventurina |
|---|---|
| Nome | Aventurina (do italiano a ventura, «por acaso») |
| Tipo | Rocha: quartzito (não um mineral único) |
| Composição | Quartzo (SiO₂) com lâminas de outros minerais |
| Inclusão clássica | Fucsite, uma mica verde com crómio |
| Dureza (Mohs) | Cerca de 6,5 |
| Cores | Verde (a mais comum), azul, laranja, castanha, amarela, cinzenta |
| Onde se encontra | Índia (sobretudo verde), Chile, Espanha, Rússia |
| Efeito ótico | Aventurescência (brilho cintilante) |
A rocha
Ao contrário do quartzo transparente, a aventurina não é um cristal único. É um quartzito: uma rocha formada por muitos grãos de quartzo soldados entre si. É por isso que é um pouco menos dura do que um cristal de quartzo (cerca de 6,5 em vez de 7).
O que a torna especial são as pequenas placas de outros minerais presas lá dentro. Quando a luz bate nelas, refletem como espelhos minúsculos. Este efeito chama-se aventurescência.
A cor depende da inclusão:
- Verde ou verde-azulada: fucsite, uma variedade de moscovite (mica) com crómio.
- Laranja ou castanha: hematite ou goethite, óxidos de ferro.
A maior parte da aventurina verde vem da Índia, nas regiões de Mysore e Chennai.
O nome: um acidente em Veneza
A palavra vem do italiano a ventura, «por acaso» ou «à sorte». Refere-se a um vidro com brilhos de cobre feito em Veneza, conhecido em italiano como avventurina.
A lenda diz que o vidro foi descoberto por acaso, por monges ou por um alquimista que deixou cair limalha de cobre no vidro fundido. Daí os nomes populares «ouro dos monges» ou «pedra dos monges». Não há documentos que confirmem esta história.
O que está documentado é que, no século XVII, a família Miotti, de Veneza, recebeu uma licença exclusiva para o fabricar. E há um pormenor que desfaz a ideia de «invenção veneziana»: o Museu da Universidade da Pensilvânia guarda um amuleto persa dos séculos XII–XIII feito deste mesmo tipo de vidro.
Hoje este vidro chama-se em inglês goldstone. Também se faz em azul (com cobalto) e em roxo (com manganês).
Aventurina natural, goldstone e pedra do sol
Três materiais brilhantes que se confundem facilmente:
| Material | O que é |
|---|---|
| Aventurina | Rocha natural (quartzito) com mica ou óxidos de ferro |
| Goldstone | Vidro artificial com cristais de cobre; brilho muito regular |
| Pedra do sol | Feldspato natural com brilhos; mais transparente |
O goldstone é frequentemente vendido como pedra natural, o que não é honesto. Não há mal nenhum em comprá-lo, desde que tenha o nome certo. Os brilhos do goldstone são pequenos, todos iguais e muito densos; os da aventurina são irregulares.
Na tradição esotérica moderna
Na literatura esotérica moderna, a aventurina verde é associada à sorte e à prosperidade.
Tudo indica que esta crença é recente e nasce do simbolismo: o próprio nome («à sorte») e a cor verde, associada ao crescimento. Não encontrámos registo de uma tradição antiga que a use como amuleto de sorte, nem em Portugal nem noutro lado.
Por isso, deve ser vista como símbolo pessoal, não como pedra com poder comprovado. Nenhuma pedra garante sorte ao jogo ou dinheiro, e a cristaloterapia não tem comprovação científica.
Cuidados
- Água: pode lavar-se com água morna e sabão neutro.
- Sol: a aventurina natural é estável; pedras tingidas podem desbotar.
- Riscos: por ser um pouco mais mole do que o quartzo, guarde-a separada de pedras mais duras.
- Crianças: pedras roladas pequenas são um risco de asfixia.
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Fontes
- «Aventurine», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Goldstone (glass)», Wikipedia — en.wikipedia.org