A arruda é a planta mais associada à proteção contra o mau-olhado na tradição portuguesa e brasileira. Um vaso de arruda à porta de casa é uma imagem que muitos conhecem desde a infância.
É também uma das ervas rituais que mais cuidados exige. Queima a pele ao sol e é tóxica se ingerida. Leia a secção de precauções antes de a usar.
Ficha rápida
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nomes populares | Arruda, ruda, erva-da-graça |
| Nome científico | Ruta graveolens |
| Família | Rutáceas (a mesma dos citrinos) |
| Origem | Sul da Europa e região mediterrânica |
Em Portugal crescem também, de forma espontânea, outras espécies do mesmo género Ruta, parecidas e com os mesmos riscos.
A planta
É um pequeno subarbusto de 50 a 80 cm, com folhas recortadas de cor verde-azulada e flores amarelas de quatro ou cinco pétalas.
O que mais se nota é o cheiro forte e amargo quando se toca nas folhas. Esse cheiro vem de óleos essenciais e de outras substâncias que também explicam a sua toxicidade.
História e tradição
A arruda é conhecida desde a Antiguidade. Plínio, o Velho, e Dioscórides, autores do século I, falam dela nas suas obras sobre plantas e remédios. Na época romana foi usada, com riscos graves, como abortivo.
A ligação ao mau-olhado é antiga e partilhada por várias culturas mediterrânicas. Em Itália existe um amuleto de prata chamado cimaruta («ramo de arruda»). Em comunidades judaicas sefarditas, a arruda também era usada contra o mau-olhado.
Em Portugal, a tradição popular manda ter um vaso de arruda à entrada da casa e trazer um raminho consigo. Diz a crença que, se a planta murchar de repente, é porque «absorveu» uma má energia. Na prática, a arruda murcha por falta de água, excesso de rega ou pouca luz.
Na tradição esotérica
Na tradição popular e esotérica, a arruda é associada a:
- Proteção contra a inveja e o mau-olhado;
- Limpeza de pessoas e casas;
- Afastamento de «más energias».
Estes significados são crença e tradição. Não há forma de demonstrar efeitos espirituais, e nenhuma prática garante resultados.
Na cozinha
Em algumas cozinhas do Mediterrâneo e do Médio Oriente usa-se arruda em quantidades mínimas, como aromatizante. Na Itália existe uma grappa aromatizada com arruda.
Na cozinha portuguesa não tem tradição. Não recomendamos o seu consumo, dado o risco de toxicidade.
Precauções
A arruda é das plantas rituais mais arriscadas. Estas regras são importantes:
- Queimaduras ao sol: o suco da planta contém furanocumarinas. Se a seiva tocar na pele e esta apanhar sol, podem surgir bolhas e queimaduras (fitofotodermatite), com manchas que duram meses. Use luvas ao podar e evite banhos de arruda antes de sair ao sol.
- Não ingerir: em doses elevadas, a arruda pode causar lesões graves no fígado, vómitos e convulsões. Nunca tome chás de arruda.
- Gravidez: a arruda é abortiva e pode causar malformações. Grávidas e mulheres que tentam engravidar devem evitá-la por completo, incluindo em banhos.
- Amamentação e crianças: não usar. Mantenha os vasos fora do alcance das crianças.
- Animais: pela mesma toxicidade, mantenha a arruda longe de cães, gatos e outros animais. Se a comerem, contacte o veterinário.
- Pele sensível e alergias: pode causar dermatite mesmo sem sol. Faça um teste numa pequena zona antes de qualquer uso.
- Medicamentos: quem toma medicamentos que aumentam a sensibilidade ao sol deve ter cuidado redobrado.
Em caso de ingestão, ligue para o Centro de Informação Antivenenos (CIAV): 800 250 250.
O uso espiritual da arruda não substitui qualquer tratamento médico.
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➜ Ingredientes rituais na tradição de São Cipriano
Fontes
- «Ruta graveolens», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Phytophotodermatitis», DermNet — dermnetnz.org
- Centro de Informação Antivenenos, INEM — inem.pt