Há casas onde tudo parece correr mal. Dorme-se pior, discute-se mais, ouvem-se ruídos à noite. É fácil pensar numa maldição, num «trabalho» ou numa presença.
Nesta página seguimos uma ordem sensata: primeiro as causas físicas, algumas delas perigosas, depois a limpeza tradicional. Uma não exclui a outra.
Primeiro: o que pode ser físico
Monóxido de carbono
É o mais importante. O monóxido de carbono é um gás sem cheiro, sem cor e sem sabor, libertado por esquentadores, caldeiras, lareiras e braseiras com má combustão.
Pode causar dores de cabeça, cansaço, náuseas, confusão, visão turva e mal-estar que melhora quando se sai de casa. Em concentrações altas, mata.
Em 1921, o oftalmologista norte-americano W. H. Wilmer descreveu uma família que se queixava de dores de cabeça, cansaço, vozes e «presenças» na casa nova. A causa era uma caldeira de aquecimento avariada, que libertava monóxido de carbono.
O que fazer: mande rever esquentador e caldeira, garanta ventilação e instale um detetor de monóxido de carbono. Se suspeitar de intoxicação, saia para o ar livre e ligue 112.
Humidade e bolor
Casas húmidas têm bolor, cheiro a mofo, frio que «entra nos ossos» e manchas que aparecem e desaparecem. O bolor pode agravar alergias, asma e problemas respiratórios. Há quem investigue se também pode afetar o humor, mas isso ainda não está demonstrado.
Infrassons e ruídos
Em 1998, o engenheiro inglês Vic Tandy publicou um estudo sobre um laboratório «assombrado». A sensação de presença e as «sombras» coincidiam com uma vibração de cerca de 19 Hz produzida por uma ventoinha, abaixo do que o ouvido capta.
Canos, madeira que dilata, animais no telhado e aparelhos elétricos explicam muitos ruídos noturnos.
Stress, sono e sugestão
Pouco sono, luto, preocupações e a própria expectativa de que a casa «tem alguma coisa» mudam a forma como interpretamos sons e sombras.
➜ Casas assombradas: o que diz a investigação
A casa amaldiçoada na tradição
Na tradição popular portuguesa, uma casa podia ficar «carregada» por inveja, por um objeto deixado à porta, pela memória de uma morte ou de uma desgraça. Benzia-se a casa com água benta, rezava-se nas divisões e punham-se amuletos à entrada.
Estas são crenças, e não há prova de que uma casa possa ser amaldiçoada. Mas os gestos de limpeza ajudam muitas pessoas a recuperar a sensação de lar.
Limpeza tradicional, divisão a divisão
- Limpe e arrume a fundo. Abra todas as janelas.
- Sal: um pires de sal grosso em cada divisão durante um dia, depois deitado fora.
- Defumação com alecrim ou louro, do fundo da casa para a porta.
- Oração em cada divisão, ou um momento de silêncio.
- Proteção à entrada: um ramo de arruda, uma figa, uma medalha de São Bento, conforme a tradição de cada um.
Este texto foi redigido pelo Grimório.pt a partir das fórmulas populares:
Que desta casa saia todo o mal,
que nela entre a paz,
e que quem cá vive durma em sossego.
Assim seja.
Nunca deixe o fumo nem velas sem vigilância. Mantenha janelas abertas e afaste crianças, animais e pessoas com asma.
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Fontes
- «Intoxicação por monóxido de carbono: o que é e quais os sintomas», DECO Proteste — deco.proteste.pt
- W. H. Wilmer, «Effects of carbon monoxide upon the eye», American Journal of Ophthalmology, 1921 (resumo em «Haunted house», Wikipedia) — en.wikipedia.org
- Vic Tandy e Tony Lawrence, «The Ghost in the Machine», Journal of the Society for Psychical Research, 1998 — PDF
- Organização Mundial da Saúde, WHO Guidelines for Indoor Air Quality: Dampness and Mould, 2009 — who.int