A casa é o lugar onde queremos sentir-nos seguros. Não admira que quase todas as culturas tenham gestos para a «proteger»: um ramo atrás da porta, uma cruz, uma oração ao entrar.
Este artigo reúne as proteções tradicionais mais comuns em Portugal, explica de onde vêm e junta-lhes algo que muitas vezes se esquece: os hábitos simples que tornam uma casa mais tranquila de facto.
Aqui fala-se de proteção no dia a dia. Se procura a crença sobre casas «carregadas» ou «amaldiçoadas», veja a página própria.
➜ Limpeza de uma casa «amaldiçoada» (a crença)
O que se entende por «energias negativas»
Na linguagem esotérica atual, «energia negativa» designa um ambiente pesado: discussões, inveja, tristeza, mau-olhado. Não é um conceito da física e não se mede com nenhum aparelho.
Mas a sensação é real. Uma casa desarrumada, escura, abafada ou cheia de conflitos pesa em quem lá vive. Por isso, as tradições de proteção funcionam melhor quando andam juntas com o cuidado prático.
Proteções da tradição portuguesa
O ramo bento
No Domingo de Ramos, muitas famílias levam à igreja ramos de oliveira, alecrim ou louro para serem benzidos. Depois guardam-nos em casa, atrás da porta ou junto a um crucifixo, durante o ano. Na tradição, protege a casa das trovoadas e do mal.
➜ Alecrim
➜ Louro
A visita pascal
No Norte de Portugal mantém-se o Compasso: no Domingo de Páscoa, a cruz passa pelas casas e a família recebe a bênção. É uma das bênçãos da casa mais enraizadas no país.
Arruda, alho e sal
- Arruda (Ruta graveolens) num vaso à entrada, contra o mau-olhado. Atenção: a seiva pode irritar a pele ao sol e a planta é tóxica se ingerida; mantenha-a longe de crianças e animais.
- Alho pendurado na cozinha, uma crença comum em muitas culturas mediterrânicas.
- Sal grosso num copo ou nos cantos, para «absorver» o que é negativo, segundo a crença.
➜ Arruda
Amuletos na porta
A ferradura, a figa, a cruz ou a medalha de São Bento junto à porta de entrada são dos amuletos domésticos mais vistos em Portugal.
Orações
Para quem tem fé, a proteção da casa começa na oração: ao sair, ao voltar, ao deitar. O Livro de São Cipriano também tem orações de proteção de forma católica.
➜ Proteção da casa na tradição de São Cipriano
Hábitos que tornam uma casa mais leve
Estes não são rituais, mas muitas tradições incluem-nos de forma implícita:
- Abrir as janelas todos os dias, mesmo no inverno, alguns minutos.
- Deixar entrar luz natural.
- Arrumar e desfazer-se do que não usa. A «limpeza da casa» antes das festas é um costume antigo.
- Reparar o que está estragado: torneiras a pingar, lâmpadas fundidas.
- Cuidar de plantas que gostam do espaço.
- Evitar discussões repetidas no mesmo espaço; conversar com calma.
Defumações e velas: segurança primeiro
Muita gente protege a casa com defumações (ervas secas a queimar) ou velas. Se o fizer:
- Nunca deixe chama ou brasas sem vigilância.
- Use um recipiente resistente ao calor, sobre uma superfície estável.
- Mantenha longe de cortinas, papéis e tecidos.
- Janela aberta: o fumo irrita as vias respiratórias. Evite se houver asma, bebés, grávidas ou animais sensíveis.
- Apague totalmente antes de sair ou de dormir.
➜ Como usar velas com segurança
Quando o problema não é «energia»
Se em casa há medo, ameaças ou violência, nenhum amuleto substitui ajuda real. Em perigo, ligue 112. Se o mal-estar é constante, cansaço, ansiedade, insónia, fale com o seu médico ou ligue SNS 24 (808 24 24 24).
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Fontes
- José Pedro Paiva, Bruxaria e Superstição num País sem «Caça às Bruxas» (1600–1774), Notícias Editorial, 1997.
- «Ruta graveolens», Wikipedia — en.wikipedia.org
- Biblioteca Nacional de Portugal, O grande livro de S. Cypriano ou o thesouro do feiticeiro — purl.pt/16504