Quem procura «bruxaria para vingança» sofreu, quase sempre, algo grave: uma traição, uma humilhação, uma fraude, uma agressão que ficou sem castigo. A raiva é compreensível.
Esta página não julga quem sente essa raiva. Explica de onde vem a crença na vingança mágica, porque o Grimório.pt não ensina nem recomenda estas práticas e que caminhos podem trazer justiça e alívio.
Uma crença muito antiga
As tábuas de maldição gregas e romanas pediam aos deuses que castigassem ladrões, rivais e inimigos. Em Bath, Inglaterra, foram encontradas cerca de 130, quase todas a pedir a devolução de objetos roubados.
Nos séculos seguintes, a Igreja e os tribunais trataram o malefício como um crime grave. O medo de «ter um mal feito» atravessou a história portuguesa e ainda hoje existe.
O «karma acelerado»
Muitos anúncios falam de «karma acelerado» ou «justiça espiritual»: o trabalho apenas faria chegar mais depressa as consequências que a pessoa merece.
O karma é um conceito das religiões da Índia, ligado a renascimentos e à ação moral, e não a encomendas de castigo. Usá-lo para vender vingança é uma adaptação comercial.
➜ Karma
Porque não ensinamos
- Desejar e encomendar mal a alguém prende-o à pessoa que o magoou. A ofensa continua a ocupar a sua vida.
- Não há prova de que qualquer maldição funcione. O dinheiro gasto, esse, é real.
- Quem vende vingança tem um cliente perfeito para a burla: alguém magoado, com pressa e que não vai reclamar.
- Muitas tradições, incluindo a Wicca moderna, acreditam num «retorno» do mal. Não é possível confirmá-lo, mas mostra que a desconfiança perante a vingança é partilhada.
➜ A bruxaria volta contra quem a faz?
Nenhum trabalho espiritual garante resultados. Quem promete que o outro «vai pagar» e que o cliente fica «completamente protegido» está a prometer o que ninguém pode cumprir.
➜ Como escolher um bruxo sério
O que pode trazer justiça
| Situação | Onde procurar ajuda |
|---|---|
| Agressão, violência doméstica, abuso | APAV (116 006); PSP ou GNR; 112 em perigo |
| Burla ou fraude | Queixa na polícia ou no Ministério Público |
| Difamação ou falsas acusações | Advogado; queixa-crime |
| Despedimento ou assédio no trabalho | ACT; advogado ou sindicato |
| Não tem dinheiro para advogado | Apoio judiciário na Segurança Social |
A justiça dos tribunais é lenta e imperfeita, mas é a que pode realmente responsabilizar alguém.
➜ Magia para a justiça: crença e caminhos legais
E a raiva?
A raiva depois de uma injustiça é normal. Quando dura muito, quando tira o sono ou faz pensar em fazer mal, vale a pena falar com um psicólogo. A linha SNS 24 (808 24 24 24) tem aconselhamento psicológico.
Algumas pessoas encontram alívio na oração, na escrita ou em rituais simbólicos de fecho, como escrever o que aconteceu e guardar ou rasgar a folha. Nenhum destes gestos precisa de fazer mal a ninguém.
Perguntas frequentes
A vingança espiritual é justiça?
É uma crença. A justiça, no sentido de responsabilizar alguém, faz-se nos tribunais.
E se a pessoa merecer?
Mesmo assim, ninguém pode garantir o que um trabalho faria, nem a quem.
Posso ser prejudicado por ter pedido uma vingança?
O prejuízo mais comum é financeiro e emocional: pagar sem fim e continuar preso à ofensa.
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➜ Missa negra para vingança: a crença
Fontes
- «Curse tablet», Wikipedia — en.wikipedia.org
- APAV, Linha de Apoio à Vítima 116 006 — apav.pt
- SNS 24, Aconselhamento psicológico — sns24.gov.pt
- Código Penal — pgdlisboa.pt