Chamar espíritos é uma das ideias mais antigas da magia. Aparece nos papiros gregos, nos grimórios medievais, no espiritismo do século XIX e nas religiões afro-brasileiras.
Esta página explica como diferentes tradições entendem a invocação de espíritos, o vocabulário usado e os riscos reais. Não é um manual e não ensina a invocar nada.
Invocação e evocação
Na magia cerimonial ocidental, sobretudo a partir do século XIX, distinguem-se dois termos:
- Evocar: chamar um espírito para fora, para um espaço delimitado (o triângulo ou o círculo).
- Invocar: chamar uma força para dentro de si, como forma de identificação ou inspiração.
Na linguagem comum, as duas palavras usam-se como sinónimos.
Os grimórios
Os grimórios salomónicos atribuídos ao rei Salomão, como a Chave de Salomão e a Goécia, são manuais para chamar anjos e demónios. Foram escritos na Idade Média e no Renascimento, não na época bíblica.
Descrevem círculos, nomes divinos, orações longas e dias de jejum. Muitos foram produzidos por clérigos, que usavam as fórmulas do exorcismo.
➜ Necromancia: a nigromancia dos clérigos
O espiritismo
Em 1848, as irmãs Fox, nos Estados Unidos, disseram comunicar com um espírito através de pancadas. Nasceu o movimento espírita. Em 1888, Margaret Fox confessou publicamente que produzia os sons com as articulações dos pés (e mais tarde retratou-se).
Em França, Allan Kardec organizou o espiritismo como doutrina, com O Livro dos Espíritos (1857) e O Livro dos Médiuns (1861). O espiritismo teve presença em Portugal desde o século XIX.
Religiões afro-brasileiras
Na umbanda e no candomblé, a relação com entidades (orixás, guias, Exus, Pombagiras) faz-se em terreiros, com hierarquia, iniciação e regras próprias. Não se trata de «invocar» livremente, mas de culto comunitário.
Reduzir estas religiões a «magia negra» é um preconceito antigo que os seus praticantes rejeitam.
➜ Umbanda
O que diz o Livro de São Cipriano
O Livro português fala de espíritos, anjos e demónios. Mas a atitude dominante é de proteção e oração, não de invocação.
➜ Entidades e espíritos no Livro de São Cipriano
Riscos reais
Não há prova científica de que espíritos respondam a chamamentos. Os riscos são outros:
- Medo e ansiedade depois de sessões feitas por brincadeira ou por desespero.
- Burlas: «espíritos» que exigem mais pagamentos.
- Saúde mental: vozes, visões ou sensação de presença constante merecem avaliação médica.
- Fogo: velas e incenso nunca sem vigilância.
➜ Como usar velas com segurança
Se sente presenças que o assustam de forma persistente, fale com o seu médico ou ligue para o SNS 24 (808 24 24 24).
➜ Como escolher um bruxo sério
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre invocar e evocar?
Na magia cerimonial, evocar é chamar para fora; invocar é chamar para dentro. No uso comum, são sinónimos.
O tabuleiro Ouija é perigoso?
O movimento explica-se pelo efeito ideomotor. O risco real é o susto e a sugestão, sobretudo em jovens.
O espiritismo é magia?
Os espíritas consideram-no uma doutrina filosófica e religiosa, não magia.
Continue a ler
➜ Invocação e evocação: a diferença
➜ Como comunicar com os mortos?
Fontes
- «Mediumship», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Fox sisters», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Munich Manual of Demonic Magic», Wikipedia — en.wikipedia.org
- Owen Davies, Grimoires: A History of Magic Books, Oxford University Press, 2009