Quem chega a esta página procura, muitas vezes, uma solução para um problema difícil: um amor perdido, uma injustiça, dinheiro que não chega. Outras pessoas procuram apenas perceber o que é, afinal, a «magia negra».
Esta é a página central da secção. Explica como a ideia de magia negra foi construída ao longo dos séculos, separa a história da lenda e organiza todas as páginas relacionadas. Não ensina práticas para prejudicar, dominar ou vingar.
Uma palavra nascida de um equívoco
A necromantia grega era a adivinhação através dos mortos. Na Idade Média, os copistas latinos escreveram muitas vezes nigromantia, como se a palavra viesse de niger, «negro». Em português antigo ficou nigromancia, e «nigromante» passou a querer dizer feiticeiro.
A cor entrou no nome quase por acidente. Mas colou-se a ele o sentido de arte escura e proibida.
➜ O que é a magia negra: a origem do termo em detalhe
➜ Necromancia: dos gregos aos manuais medievais
Uma construção da Igreja e dos tribunais
Para os teólogos medievais, o problema não era a cor da magia, mas a origem do poder. Qualquer prática que pedisse ajuda a espíritos era suspeita de envolver demónios, mesmo que servisse para curar.
Nos séculos XV a XVII, os tratados de demonologia e os tribunais transformaram esta suspeita num retrato completo: o pacto com o diabo, o sabá, a missa invertida. Grande parte do que hoje se chama magia negra vem destes textos de acusação, escritos por quem perseguia, e não por quem praticava.
Em Portugal, a Inquisição (1536–1821) julgou feiticeiras, benzedeiras e saludadores. Os processos mostram sobretudo magia popular: orações, cartas de tocar, sortes e remédios. Pouco se parece com as cerimónias sombrias dos livros.
O papel da literatura
Os séculos XIX e XX acrescentaram a última camada. O romance Là-bas (1891), de Huysmans, popularizou a missa negra. O ocultismo moderno falou de «mão esquerda» e «mão direita». O cinema fez o resto.
Os livros populares, como o Livro de São Cipriano, juntaram a tudo isto a figura do feiticeiro que fez pacto com o demónio e depois se converteu.
➜ Magia branca e magia negra: a diferença
O que é mito
- «A magia negra é mais forte e mais rápida.» Não existe prova de que qualquer magia produza efeitos físicos. «Mais forte» é um argumento de venda.
- «Portugal tem uma tradição ancestral de magia negra.» Tem uma tradição rica de magia popular, sobretudo de proteção e cura. Não há documentação de uma escola organizada de «magia negra».
- «Quem faz trabalhos pesados fica protegido de consequências.» Ninguém pode garantir isso, em nenhum sentido.
Ética e expectativas
O Grimório.pt estuda estes temas como história e cultura. Não ensina rituais para separar, vingar, amarrar ou prejudicar ninguém. Todas as pessoas têm direito às suas escolhas.
Nenhum trabalho espiritual garante resultados. Desconfie de quem promete prazos, «efeito definitivo» ou pede dinheiro sucessivamente para «reforçar» um trabalho. Tem direito a orçamento, fatura e ao Livro de Reclamações.
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➜ Bruxaria satânica e satanismo
Os mortos, os espíritos e os lugares
Pedidos frequentes
Temas que não ensinamos
Perguntas frequentes
A magia negra existe?
Existe como ideia, como acusação histórica e como prática de algumas pessoas. Não existe prova de que produza os efeitos que lhe atribuem.
São Cipriano é um santo da magia negra?
Na lenda, Cipriano foi feiticeiro e abandonou a magia ao converter-se. A ligação à magia negra vem da tradição popular e dos livros atribuídos.
Se tiver azar, é porque me fizeram magia negra?
Quase sempre há causas comuns. Acreditar num «trabalho feito» gera medo e abre a porta a burlas.
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Fontes
- Online Etymology Dictionary, «necromancy» — etymonline.com
- «Necromancy», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Black Mass», Wikipedia — en.wikipedia.org
- Richard Kieckhefer, Magic in the Middle Ages, Cambridge University Press, 1989
- Francisco Bethencourt, O Imaginário da Magia: Feiticeiras, Adivinhos e Curandeiros em Portugal no Século XVI, Companhia das Letras, 2004 (1.ª ed. 1987)