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⚫ Missas Negras

Missas brancas e missas negras: qual é a diferença?

Missa branca e missa negra não são duas «ferramentas» iguais. O que significa cada expressão, de onde vem e o que é tradição ou marketing esotérico.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. O que é a «missa negra»
  2. O que é a «missa branca»
  3. As diferenças, lado a lado
  4. «Uma não é melhor nem pior, depende da intenção»?
  5. «Combinar as duas é mais forte»?
  6. O paralelo com magia branca e magia negra
  7. Se procura proteção ou paz
  8. Continue a ler
  9. Fontes

Na internet, missas brancas e missas negras aparecem muitas vezes como duas ferramentas do mesmo praticante: a branca «suave», a negra «forte», e às vezes as duas «combinadas».

Esta ideia é recente e comercial. Historicamente, as duas expressões têm origens e sentidos muito diferentes. Aqui explicamos quais.

O que é a «missa negra»

É uma paródia ou profanação da missa católica, dirigida ao Diabo ou usada para feitiçaria. A expressão nasceu em França, na segunda metade do século XVII. O caso mais documentado é o Caso dos Venenos (1677–1682).

➜ O que são as missas negras

O que é a «missa branca»

A expressão é usada em sentidos diferentes, e convém separá-los:

  • Na liturgia católica, não existe uma «missa branca». Há a missa, com cores litúrgicas diferentes conforme o tempo do ano (o branco usa-se no Natal, na Páscoa e em festas de Nossa Senhora e de santos que não foram mártires).
  • Na tradição esotérica popular, sobretudo de língua portuguesa, «missa branca» designa cerimónias de oração, velas brancas e invocação de santos e anjos, para proteção, cura ou abertura de caminhos.
  • Na tradição de São Cipriano, fala-se de missa branca a propósito das orações e exorcismos cristãos do Livro.

➜ A missa branca na tradição de São Cipriano

As diferenças, lado a lado

Missa branca (tradição popular) Missa negra (história)
Oração a Deus, santos e anjos Paródia da missa, dirigida ao Diabo
Pede proteção, cura, paz Associada a feitiços de amor, morte, poder
Compatível com a fé católica popular Considerada sacrilégio pela Igreja
Tradição oral recente, sem liturgia fixa Conhecida por acusações e literatura

«Uma não é melhor nem pior, depende da intenção»?

É um argumento comum. Tem uma parte de verdade: a ética de um gesto depende da intenção e do respeito pela vontade dos outros.

Mas as duas expressões não são equivalentes. A missa negra define-se precisamente por inverter e profanar um rito sagrado. E as «missas negras» vendidas hoje servem quase sempre fins que ferem a liberdade de outra pessoa: amarrar, separar, vingar.

«Combinar as duas é mais forte»?

Esta é uma alegação de venda, não uma tradição. Não há registo histórico de «missas combinadas», e nenhum ritual garante resultados, seja qual for a cor que lhe dão.

Quando alguém lhe propõe primeiro uma missa branca, depois uma negra, depois um «reforço», está perante um padrão típico de pedidos de dinheiro sucessivos.

➜ Como escolher um bruxo sério

O paralelo com magia branca e magia negra

A distinção entre missa branca e negra copia a velha divisão entre magia branca e magia negra. É uma divisão útil para a conversa, mas simplista: diferentes tradições traçam a fronteira em sítios diferentes.

➜ Diferença entre magia branca e magia negra

➜ Magia branca

Se procura proteção ou paz

A tradição portuguesa oferece caminhos simples, sem custos e sem profanar nada: a oração, a vela acesa a um santo, a missa na igreja, a benzedura.

➜ Oração para proteção

➜ Velas aos santos

➜ Como usar velas com segurança

Continue a ler

➜ Missas negras: índice da secção

➜ História das missas negras

➜ Missas e cerimónias no Livro de São Cipriano

Fontes

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