Magia branca é o nome dado, hoje, à magia feita com intenções consideradas benéficas: proteger, curar, abençoar, trazer paz ou prosperidade, sem prejudicar ninguém.
É um termo muito usado, mas também muito vago. Esta página explica de onde vem a ideia, que práticas costuma abranger e quais são os seus limites.
Para a comparação direta entre magia branca e magia negra, veja o artigo dedicado.
➜ Magia branca e magia negra: qual é a diferença real?
De onde vem a ideia
A «magia natural» do Renascimento
No século XV, filósofos italianos tentaram defender uma magia lícita, aceitável para um cristão. Chamaram-lhe magia natural.
- Marsilio Ficino descreveu uma magia baseada nas simpatias entre os astros, as plantas, as pedras e a música, sem invocar demónios.
- Pico della Mirandola, no Discurso sobre a Dignidade do Homem (1486), separou uma magia demoníaca, que condenava, de uma magia que seria o ponto mais alto da filosofia natural.
- Giambattista della Porta publicou Magia Naturalis (1558), uma mistura de ciência, curiosidades e receitas.
Esta «magia natural» é a antepassada da ideia moderna de magia branca. Muitos dos seus temas deram origem, mais tarde, à ciência experimental.
A Igreja e a Inquisição
A Igreja nem sempre aceitou esta distinção. Para muitos teólogos, qualquer magia implicava um pacto, explícito ou implícito, com o demónio.
Em Portugal, a Inquisição processou tanto quem era acusado de fazer mal como curandeiros e benzedeiras que diziam fazer o bem.
A magia branca na tradição portuguesa
Na tradição popular portuguesa, o que hoje chamaríamos «magia branca» vive sobretudo em:
- Benzeduras e rezas contra o mau-olhado, o cobro, o enguiço;
- Orações a santos protetores, como São Bento, Santo António ou São Cipriano;
- Ervas e defumações para proteger a casa;
- Simpatias para a sorte, o amor ou a saúde, sempre dentro de uma moldura religiosa.
A palavra usada pelo povo não era «magia branca», mas benzer, rezar ou talhar.
➜ Diferença entre bruxo e curandeiro
O que se chama magia branca hoje
Na espiritualidade moderna, a expressão cobre práticas como:
- orações e meditação;
- velas de proteção e de agradecimento;
- banhos de ervas e defumações;
- amuletos e símbolos de proteção;
- rituais ligados às fases da Lua.
A Wicca e a Nova Era reforçaram esta ideia, com o princípio de não fazer mal a ninguém.
Ao usar velas, incenso ou carvão, siga sempre regras de segurança.
➜ Como usar velas com segurança
Os limites do termo
«Branca» não garante nada
Chamar «branca» a um ritual não garante que funcione nem que seja inofensivo. Um banho mal feito pode irritar a pele; uma vela sem vigilância pode causar um incêndio.
A intenção conta mais do que a cor
Há quem venda como «magia branca» rituais para prender ou forçar outra pessoa. Tentar controlar a vontade de alguém é contrário ao próprio princípio da magia branca, seja qual for o nome.
Uma divisão com problemas
A oposição «branco = bom, negro = mau» é uma simplificação moderna, que muitos investigadores e praticantes criticam por associar o negro ao mal.
Não substitui ajuda profissional
Nenhuma prática espiritual substitui um médico, um psicólogo ou um advogado. Pode ser um complemento de conforto e de fé.
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Fontes
- «White magic», Wikipedia — en.wikipedia.org
- D. P. Walker, Spiritual and Demonic Magic from Ficino to Campanella, Warburg Institute, 1958.
- Giambattista della Porta, Magia Naturalis, 1558.
- Francisco Bethencourt, O Imaginário da Magia: Feiticeiras, Adivinhos e Curandeiros em Portugal no Século XVI, Companhia das Letras, 2004.