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✨ Espiritualidade

Magia branca: o que é e o que abrange

O que é a magia branca: a magia natural do Renascimento, as benzedeiras portuguesas, o que o termo abrange hoje e os limites da divisão entre branca e negra.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. De onde vem a ideia
  2. A magia branca na tradição portuguesa
  3. O que se chama magia branca hoje
  4. Os limites do termo
  5. Continue a ler
  6. Fontes

Magia branca é o nome dado, hoje, à magia feita com intenções consideradas benéficas: proteger, curar, abençoar, trazer paz ou prosperidade, sem prejudicar ninguém.

É um termo muito usado, mas também muito vago. Esta página explica de onde vem a ideia, que práticas costuma abranger e quais são os seus limites.

Para a comparação direta entre magia branca e magia negra, veja o artigo dedicado.

➜ Magia branca e magia negra: qual é a diferença real?

De onde vem a ideia

A «magia natural» do Renascimento

No século XV, filósofos italianos tentaram defender uma magia lícita, aceitável para um cristão. Chamaram-lhe magia natural.

  • Marsilio Ficino descreveu uma magia baseada nas simpatias entre os astros, as plantas, as pedras e a música, sem invocar demónios.
  • Pico della Mirandola, no Discurso sobre a Dignidade do Homem (1486), separou uma magia demoníaca, que condenava, de uma magia que seria o ponto mais alto da filosofia natural.
  • Giambattista della Porta publicou Magia Naturalis (1558), uma mistura de ciência, curiosidades e receitas.

Esta «magia natural» é a antepassada da ideia moderna de magia branca. Muitos dos seus temas deram origem, mais tarde, à ciência experimental.

➜ Magia renascentista

A Igreja e a Inquisição

A Igreja nem sempre aceitou esta distinção. Para muitos teólogos, qualquer magia implicava um pacto, explícito ou implícito, com o demónio.

Em Portugal, a Inquisição processou tanto quem era acusado de fazer mal como curandeiros e benzedeiras que diziam fazer o bem.

➜ Inquisição em Portugal

A magia branca na tradição portuguesa

Na tradição popular portuguesa, o que hoje chamaríamos «magia branca» vive sobretudo em:

  • Benzeduras e rezas contra o mau-olhado, o cobro, o enguiço;
  • Orações a santos protetores, como São Bento, Santo António ou São Cipriano;
  • Ervas e defumações para proteger a casa;
  • Simpatias para a sorte, o amor ou a saúde, sempre dentro de uma moldura religiosa.

A palavra usada pelo povo não era «magia branca», mas benzer, rezar ou talhar.

➜ Feitiçaria portuguesa

➜ Diferença entre bruxo e curandeiro

➜ Desfazer mau-olhado

O que se chama magia branca hoje

Na espiritualidade moderna, a expressão cobre práticas como:

  • orações e meditação;
  • velas de proteção e de agradecimento;
  • banhos de ervas e defumações;
  • amuletos e símbolos de proteção;
  • rituais ligados às fases da Lua.

A Wicca e a Nova Era reforçaram esta ideia, com o princípio de não fazer mal a ninguém.

Ao usar velas, incenso ou carvão, siga sempre regras de segurança.

➜ Como usar velas com segurança

➜ Ervas de proteção

Os limites do termo

«Branca» não garante nada

Chamar «branca» a um ritual não garante que funcione nem que seja inofensivo. Um banho mal feito pode irritar a pele; uma vela sem vigilância pode causar um incêndio.

A intenção conta mais do que a cor

Há quem venda como «magia branca» rituais para prender ou forçar outra pessoa. Tentar controlar a vontade de alguém é contrário ao próprio princípio da magia branca, seja qual for o nome.

Uma divisão com problemas

A oposição «branco = bom, negro = mau» é uma simplificação moderna, que muitos investigadores e praticantes criticam por associar o negro ao mal.

Não substitui ajuda profissional

Nenhuma prática espiritual substitui um médico, um psicólogo ou um advogado. Pode ser um complemento de conforto e de fé.

Continue a ler

➜ O que é a magia negra

➜ A magia funciona mesmo?

➜ Proteção espiritual

Fontes

  • «White magic», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • D. P. Walker, Spiritual and Demonic Magic from Ficino to Campanella, Warburg Institute, 1958.
  • Giambattista della Porta, Magia Naturalis, 1558.
  • Francisco Bethencourt, O Imaginário da Magia: Feiticeiras, Adivinhos e Curandeiros em Portugal no Século XVI, Companhia das Letras, 2004.

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