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📖 Livro de São Cipriano

Missa negra de São Cipriano: a história real e a lenda

Existe uma missa negra de São Cipriano? A história real da «missa negra», do Caso dos Venenos (França, 1670) ao romance Là-bas (1891), e porque o nome de São Cipriano lhe ficou associado.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Está no Livro de São Cipriano?
  2. A história real da «missa negra»
  3. Porque se juntou o nome de São Cipriano?
  4. O que pensar hoje
  5. Continue a ler
  6. Fontes

A «missa negra de São Cipriano» é um dos temas mais procurados e mais mal explicados da internet. Fala-se dela como de um ritual antigo, secreto e poderosíssimo. Nesta página contamos o que se sabe de facto, com datas e fontes.

Está no Livro de São Cipriano?

Não. Nenhuma edição portuguesa antiga do Livro de São Cipriano tem uma «missa negra». As cerimónias do Livro são exorcismos cristãos, feitos em nome de Cristo e dos santos, precisamente para afastar o Demónio.

O nome de São Cipriano foi associado à missa negra muito mais tarde, por causa da sua fama de «santo feiticeiro».

➜ Missas e cerimónias na tradição de São Cipriano

A história real da «missa negra»

Uma acusação antes de ser um ritual

Durante a Idade Média e o início da Idade Moderna, a Igreja e os tribunais acusavam hereges e feiticeiros de profanar a missa: usar hóstias consagradas em feitiços, dizer missas ao contrário ou em honra do Diabo. Muitas destas acusações nasciam do medo e eram obtidas sob tortura. É difícil saber o que era prática real e o que era imaginação dos acusadores.

A lenda da missa de Saint-Sécaire

No folclore da Gasconha (sul de França) contava-se que um padre mau podia dizer a «missa de Saint-Sécaire» para fazer definhar e morrer um inimigo. A lenda ficou famosa ao ser contada por James Frazer em O Ramo de Ouro (1890).

O Caso dos Venenos (França, 1677–1682)

É o episódio histórico mais conhecido. Durante uma investigação sobre envenenamentos na corte de Luís XIV, as autoridades descobriram uma rede de adivinhas e fabricantes de venenos, liderada por Catherine Monvoisin, conhecida como La Voisin. Um padre, Étienne Guibourg, foi acusado de celebrar missas sacrílegas sobre o corpo de uma mulher, para feitiços de amor destinados à amante do rei. O caso acabou em dezenas de condenações e execuções.

O romance Là-bas (1891)

A imagem moderna da missa negra deve muito ao escritor francês Joris-Karl Huysmans, cujo romance Là-bas descreve uma missa satânica em Paris. Durante décadas, foi o texto mais detalhado sobre o tema, e muitos grupos posteriores inspiraram-se nele.

Não se conhecem instruções escritas de uma «missa negra» completa anteriores ao século XX.

➜ História das missas negras

➜ O que são missas negras

Porque se juntou o nome de São Cipriano?

A figura de São Cipriano tem duas faces: o feiticeiro antes da conversão e o santo depois dela. No século XX, sobretudo com as edições brasileiras do Livro, a face do feiticeiro ganhou força, e o seu nome passou a ser associado a rituais «das trevas», incluindo a missa negra.

É uma associação moderna. Na lenda, Cipriano é precisamente o homem que abandonou as forças das trevas.

➜ A história de São Cipriano

O que pensar hoje

  • A missa negra é, sobretudo, uma construção histórica e literária: nasceu de acusações, escândalos e romances.
  • Os rituais que hoje se vendem com este nome são criações recentes, não uma tradição antiga documentada.
  • Nenhum ritual tem resultados garantidos. Desconfie de quem prometa efeitos «irrevogáveis» em troca de dinheiro.
  • Para os católicos, qualquer profanação da missa é uma ofensa grave à fé.

O Grimório.pt apresenta este tema como história e cultura e não ensina rituais deste tipo.

Continue a ler

➜ A missa branca

➜ Missas brancas e missas negras — diferenças

➜ O Livro de São Cipriano

Fontes

  • «Black Mass», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Affair of the Poisons», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Étienne Guibourg», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • J.-K. Huysmans, Là-bas, Paris, 1891
  • James George Frazer, The Golden Bough, 1890

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