O Dez de Espadas é talvez a imagem mais dramática dos arcanos menores: um homem caído de bruços, com dez espadas cravadas nas costas, debaixo de um céu negro.
Mas repare no horizonte: por baixo da escuridão, o céu começa a clarear. Na tradição, é a carta do fim de alguma coisa, do ponto mais baixo de um ciclo, e não, como muitos temem, um anúncio de morte.

Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Arcano | Menor |
| Número | 10 |
| Naipe e elemento | Espadas; Ar |
| Nome em Marselha / em inglês | Dix d'Épée / Ten of Swords |
| Golden Dawn | «Senhor da Ruína» — Sol em Gémeos |
| Palavras-chave (direita) | Dor, aflição, tristeza, fim de um ciclo |
| Palavras-chave (invertida) | Vantagem passageira, melhoria, poder |
O desenho
- A figura caída está coberta por um pano vermelho. Dez espadas, todas as do naipe, estão cravadas nela: é o exagero deliberado de uma derrota total.
- A mão direita parece fazer um gesto parecido com o de bênção do Hierofante. Muitos leitores notam-no; não há explicação da autora.
- O céu negro ocupa a parte de cima da carta.
- A faixa amarela no horizonte, sobre água calma, é lida quase sempre como a aurora: depois do pior momento, o dia volta.
Na história
O Dez de Espadas encerra as cartas numeradas do naipe. Na Golden Dawn recebeu o título mais duro de todo o naipe: «Senhor da Ruína», com o Sol em Gémeos.
Há uma curiosidade ligada ao Tarot Sola Busca (c. 1490): segundo a Wikipedia, é o Dez de Espadas desse baralho italiano que se parece com o Dez de Paus de Pamela Colman Smith, e não com o seu Dez de Espadas. As influências entre baralhos nem sempre seguem o naipe.
O significado na tradição
Direita
Waite: «Tudo o que o desenho sugere; também dor, aflição, lágrimas, tristeza, desolação. Não é propriamente uma carta de morte violenta.» — A. E. Waite, 1910
Nas leituras modernas, a carta é lida como o fundo do poço, um fim doloroso mas definitivo, o cansaço de uma situação que chegou ao limite. Muitos autores sublinham que, depois do dez, o ciclo recomeça.
Invertida
Waite: «Vantagem, lucro, sucesso, favor, mas nenhum destes é permanente; também poder e autoridade.» — A. E. Waite, 1910
Hoje, a invertida é frequentemente lida como recuperação lenta, levantar-se depois de uma queda, ou, noutras leituras, como resistir a um fim que já é inevitável.
Na leitura: amor, trabalho e conselho
Amor. Na leitura tradicional, costuma indicar o fim de uma relação ou de uma fase dela, muitas vezes depois de um longo desgaste.
Trabalho. É associada ao fim de um projeto, a um fracasso claro, ou a sentir-se «esfaqueado pelas costas» por críticas ou deslealdades.
Conselho. Como conselho, a carta é lida como um convite a aceitar que algo terminou, e a olhar para a luz no horizonte em vez de para as espadas.
O que se diz e o que se sabe
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «O Dez de Espadas anuncia uma morte» | Waite escreveu que não é propriamente uma carta de morte violenta |
| «Quer dizer traição» | A ideia de «facada nas costas» é leitura moderna, sugerida pelo desenho |
| «É a pior carta do baralho» | É uma carta dura, mas a tradição lê-a como fim de ciclo, e o desenho inclui a aurora |
Continue a ler
➜ Nove de Espadas (carta anterior)
➜ Valete de Espadas (carta seguinte)
Fontes
- A. E. Waite, The Pictorial Key to the Tarot (1910), «Ten of Swords» — sacred-texts.com
- Book T – The Tarot (Golden Dawn, c. 1888) — PDF
- Wikipedia, «Sola Busca tarot» — en.wikipedia.org