O Cavaleiro de Espadas é a carta mais rápida do naipe. Um cavaleiro de armadura lança-se a galope, de espada erguida, num cavalo branco, contra um vento que dobra as árvores.
Na tradição, representa coragem, ímpeto e ataque, mas também a pressa que atropela. Waite comparou-o a um herói dos romances de cavalaria.

Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Arcano | Menor (figura da corte) |
| Número | 12.ª carta do naipe (Cavaleiro) |
| Naipe e elemento | Espadas; Ar |
| Nome em Marselha / em inglês | Cavalier d'Épée / Knight of Swords |
| Golden Dawn | Correspondência discutida (ver «Na história») |
| Palavras-chave (direita) | Coragem, habilidade, ataque, oposição |
| Palavras-chave (invertida) | Imprudência, incapacidade, extravagância |
O desenho
Waite: «Cavalga a toda a brida, como se dispersasse os seus inimigos.»
- O galope é o centro da carta. Tudo nela é movimento: o cavalo, a capa, as nuvens.
- A espada erguida vai à frente, como numa carga.
- As árvores dobradas e as nuvens rasgadas mostram vento forte, o elemento Ar em estado agitado.
- Borboletas e aves decoram o arreio e a capa, outra referência ao Ar.
Na história
Waite dá a esta carta uma leitura literária pouco comum: diz que o cavaleiro é «um herói típico da cavalaria romântica» e que «quase poderia ser Galaaz, cuja espada é rápida e certeira porque ele é puro de coração». Galaaz é o cavaleiro do ciclo arturiano que encontra o Graal.
Na Golden Dawn, a corte era diferente: havia um Cavaleiro montado («Senhor dos Ventos e das Brisas, Rei dos Espíritos do Ar»), uma Rainha, um Príncipe num carro («Príncipe do Carro dos Ventos») e uma Princesa. Como estes títulos correspondem ao Cavaleiro e ao Rei do baralho de Waite é uma questão em que os autores não concordam, por isso não damos aqui uma correspondência única.
O significado na tradição
Direita
Waite: «Habilidade, bravura, capacidade, defesa, destreza, inimizade, ira, guerra, destruição, oposição, resistência, ruína.» E acrescenta que a carta pode significar morte, mas «só na proximidade de outras cartas de fatalidade». — A. E. Waite, 1910
Nas leituras modernas, o Cavaleiro de Espadas é lido como ação rápida, ambição, franqueza, alguém que defende as suas ideias com força. Também como impaciência e falta de tato.
Invertida
Waite: «Imprudência, incapacidade, extravagância.» — A. E. Waite, 1910
Hoje, a invertida é muitas vezes lida como pressa sem rumo, agressividade verbal ou planos que avançam sem pensar nas consequências.
Na leitura: amor, trabalho e conselho
Amor. Na leitura tradicional, costuma indicar alguém direto e impetuoso, que chega de repente, ou discussões intensas.
Trabalho. É associada a iniciativa, a defender uma posição, a prazos apertados e a decisões rápidas.
Conselho. Como conselho, a carta é lida como um convite a agir com coragem, mas a verificar o caminho antes de galopar.
O que se diz e o que se sabe
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «O Cavaleiro de Espadas anuncia uma morte» | Waite só admite esse sentido junto de outras cartas de «fatalidade»; a leitura dominante é ação e conflito |
| «Na Golden Dawn é sempre o mesmo que o Cavaleiro de Waite» | A correspondência entre as cortes dos dois sistemas é discutida |
Continue a ler
➜ Valete de Espadas (carta anterior)
➜ Rainha de Espadas (carta seguinte)
➜ O Carro, outra carta de avanço
Fontes
- A. E. Waite, The Pictorial Key to the Tarot (1910), «Knight of Swords» — sacred-texts.com
- Book T – The Tarot (Golden Dawn, c. 1888) — PDF
- Wikipedia, «Tarot of Marseilles» — en.wikipedia.org