O pêndulo divinatório é muito simples: um peso — um cristal, uma argola, uma medalha — preso a um fio ou corrente. Segura-se parado sobre a mão ou sobre um mapa, faz-se uma pergunta, e observa-se para onde se move.
Na tradição popular, o pêndulo usava-se para adivinhar o sexo de um bebé, procurar objetos perdidos ou água no subsolo. Hoje é muito usado na radiestesia e na espiritualidade moderna.
Nesta página explicamos como se usa na tradição e o que a ciência descobriu sobre o seu movimento. As duas coisas podem ser ditas com honestidade.
Como se usa na tradição
- Segure o fio entre o polegar e o indicador, com o cotovelo apoiado na mesa.
- Deixe o pêndulo parar por completo.
- Peça-lhe que mostre o «sim» e depois o «não». Muitas pessoas veem movimentos diferentes: em linha, em círculo, num sentido ou noutro.
- Faça perguntas claras, de sim ou não, e observe.
Há também tábuas com letras, números ou respostas, sobre as quais se segura o pêndulo.
Na tradição esotérica, costuma «limpar-se» o pêndulo antes de o usar — com fumo de incenso, luz da lua ou sal. Se usar incenso, faça-o com a janela aberta e sem deixar nada aceso sem vigilância.
Porque é que o pêndulo se move?
O pêndulo move-se mesmo — não é imaginação. A questão é o que o faz mover.
No século XIX, vários cientistas estudaram o fenómeno:
- Michel-Eugène Chevreul, químico francês, fez experiências com o pêndulo e publicou em 1854 um livro sobre a vara de vedor, o pêndulo e as mesas girantes. Concluiu que o pêndulo se movia por pequenos movimentos da mão, feitos sem a pessoa se aperceber.
- William Benjamin Carpenter, fisiologista inglês, deu-lhe o nome de efeito ideomotor em 1852: a ideia de um movimento pode produzir esse movimento, sem vontade consciente.
- Michael Faraday, em 1853, mostrou o mesmo nas sessões de «mesas girantes».
Estudos recentes, com captura de movimento, confirmaram que movimentos mínimos do braço bastam para produzir grandes oscilações do pêndulo.
Em resumo: o pêndulo reflete as expectativas e as ideias de quem o segura, não uma força exterior.
Então para que serve?
Para quem o usa como ferramenta de reflexão, isto não é necessariamente mau. Há quem diga que o pêndulo ajuda a perceber aquilo que já sente mas ainda não disse a si próprio.
O que o pêndulo não pode fazer:
- diagnosticar doenças ou escolher medicamentos;
- dizer se um bebé é rapaz ou rapariga;
- encontrar água, ouro ou pessoas desaparecidas com fiabilidade;
- decidir por si em questões de dinheiro ou justiça.
Para estas questões, procure um médico, um técnico ou as autoridades.
O efeito ideomotor noutros «oráculos»
O mesmo fenómeno explica a vara de vedor (radiestesia), o tabuleiro ouija e a escrita automática. Pessoas honestas e inteligentes movem-se, sem saber, de acordo com o que esperam.
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Fontes
- «Ideomotor phenomenon», Wikipedia — en.wikipedia.org
- Michel-Eugène Chevreul, De la baguette divinatoire, du pendule dit explorateur et des tables tournantes, Paris, 1854
- William B. Carpenter, «On the influence of suggestion in modifying and directing muscular movement», Royal Institution, 1852