Todos já sentimos aquele «pressentimento»: uma decisão que parece certa sem sabermos porquê, ou um desconforto perante alguém antes de qualquer razão clara.
Na tradição esotérica, a intuição é vista como uma voz interior ou uma porta para o conhecimento espiritual. A psicologia também a estuda, e explica muito sobre quando ela acerta e quando falha.
Esta página junta as duas perspetivas e propõe exercícios práticos.
O que diz a psicologia
Pensamento rápido e lento
O psicólogo Daniel Kahneman, Prémio Nobel da Economia, descreveu no livro Pensar, Depressa e Devagar (2011) dois modos de pensar:
- Sistema 1: rápido, automático, intuitivo.
- Sistema 2: lento, deliberado, analítico.
A intuição é o Sistema 1 a trabalhar. É muito útil, mas Kahneman avisa: confiamos nela mais do que devíamos.
A intuição dos peritos
O investigador Gary Klein estudou bombeiros, enfermeiros e militares. Descobriu que os peritos decidem muitas vezes por intuição: reconhecem padrões que já viveram muitas vezes.
Em 2009, Kahneman e Klein publicaram juntos um artigo sobre quando podemos confiar na intuição. A conclusão, em resumo: a intuição é fiável quando há muita prática num ambiente com regras estáveis e com retorno rápido sobre os erros.
Num jogo de xadrez, a intuição de um mestre vale muito. Em apostas ou previsões de longo prazo, vale muito pouco.
Jung
O psiquiatra Carl Gustav Jung, em Tipos Psicológicos (1921), definiu a intuição como uma «perceção através do inconsciente». Esta ideia foi muito adotada por astrólogos e tarólogos.
A intuição na tradição esotérica
Na tradição esotérica, a intuição liga-se a várias ideias:
- o terceiro olho ou ājñā chakra;
- a mediunidade e a vidência;
- as artes divinatórias, como o tarot, onde as imagens servem de ponto de partida para a intuição.
Estas são crenças e práticas culturais. Mesmo quem não acredita nelas pode usar o tarot como ferramenta de reflexão.
Exercícios práticos
1. O diário de pressentimentos
Sempre que tiver um pressentimento claro, escreva-o com a data. Mais tarde, anote se aconteceu ou não.
Ao fim de alguns meses, terá uma ideia honesta: em que assuntos a sua intuição acerta e em quais se engana. É o exercício mais importante de todos.
2. Silêncio diário
A intuição é difícil de ouvir no meio do ruído. Dez minutos de silêncio ou meditação por dia ajudam a reparar em pensamentos e sensações que normalmente passam despercebidos.
3. Ouvir o corpo
Muitas intuições aparecem como sensações físicas: aperto no estômago, tensão nos ombros, alívio. Pergunte-se durante o dia: «O que sinto no corpo agora?»
4. Aprender a fundo
Como mostrou Klein, a intuição cresce com experiência. Quanto mais souber de um assunto, melhores serão os seus pressentimentos sobre ele.
5. Dormir sobre o assunto
Antes de uma decisão importante, dê-lhe uma noite. Muitas pessoas acordam com mais clareza. Pode anotar os sonhos, sem os tomar como previsões.
Quando não confiar na intuição
- Quando está com medo, raiva ou paixão intensa.
- Quando a intuição confirma exatamente o que já queria que fosse verdade.
- Em decisões sobre dinheiro, saúde ou justiça: aí, a intuição deve ser verificada com factos e com profissionais.
Ansiedade constante, pensamentos intrusivos ou «certezas» sobre ameaças não são intuição. Se isso lhe acontece, fale com um médico ou psicólogo.
Continue a ler
➜ Pêndulo
Fontes
- Daniel Kahneman, Thinking, Fast and Slow, 2011 (ed. portuguesa: Pensar, Depressa e Devagar).
- Daniel Kahneman e Gary Klein, «Conditions for intuitive expertise: a failure to disagree», American Psychologist, 64(6), 2009.
- Carl G. Jung, Tipos Psicológicos, 1921.
- «Intuition», Wikipedia — en.wikipedia.org