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✨ Espiritualidade

Como desenvolver a intuição

O que é a intuição segundo a psicologia (Kahneman, Klein, Jung) e na tradição esotérica, e exercícios práticos para a treinar sem se deixar enganar.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. O que diz a psicologia
  2. A intuição na tradição esotérica
  3. Exercícios práticos
  4. Quando não confiar na intuição
  5. Continue a ler
  6. Fontes

Todos já sentimos aquele «pressentimento»: uma decisão que parece certa sem sabermos porquê, ou um desconforto perante alguém antes de qualquer razão clara.

Na tradição esotérica, a intuição é vista como uma voz interior ou uma porta para o conhecimento espiritual. A psicologia também a estuda, e explica muito sobre quando ela acerta e quando falha.

Esta página junta as duas perspetivas e propõe exercícios práticos.

O que diz a psicologia

Pensamento rápido e lento

O psicólogo Daniel Kahneman, Prémio Nobel da Economia, descreveu no livro Pensar, Depressa e Devagar (2011) dois modos de pensar:

  • Sistema 1: rápido, automático, intuitivo.
  • Sistema 2: lento, deliberado, analítico.

A intuição é o Sistema 1 a trabalhar. É muito útil, mas Kahneman avisa: confiamos nela mais do que devíamos.

A intuição dos peritos

O investigador Gary Klein estudou bombeiros, enfermeiros e militares. Descobriu que os peritos decidem muitas vezes por intuição: reconhecem padrões que já viveram muitas vezes.

Em 2009, Kahneman e Klein publicaram juntos um artigo sobre quando podemos confiar na intuição. A conclusão, em resumo: a intuição é fiável quando há muita prática num ambiente com regras estáveis e com retorno rápido sobre os erros.

Num jogo de xadrez, a intuição de um mestre vale muito. Em apostas ou previsões de longo prazo, vale muito pouco.

Jung

O psiquiatra Carl Gustav Jung, em Tipos Psicológicos (1921), definiu a intuição como uma «perceção através do inconsciente». Esta ideia foi muito adotada por astrólogos e tarólogos.

A intuição na tradição esotérica

Na tradição esotérica, a intuição liga-se a várias ideias:

  • o terceiro olho ou ājñā chakra;
  • a mediunidade e a vidência;
  • as artes divinatórias, como o tarot, onde as imagens servem de ponto de partida para a intuição.

Estas são crenças e práticas culturais. Mesmo quem não acredita nelas pode usar o tarot como ferramenta de reflexão.

➜ O terceiro olho

➜ Tarot para iniciantes

➜ Mediunidade

Exercícios práticos

1. O diário de pressentimentos

Sempre que tiver um pressentimento claro, escreva-o com a data. Mais tarde, anote se aconteceu ou não.

Ao fim de alguns meses, terá uma ideia honesta: em que assuntos a sua intuição acerta e em quais se engana. É o exercício mais importante de todos.

2. Silêncio diário

A intuição é difícil de ouvir no meio do ruído. Dez minutos de silêncio ou meditação por dia ajudam a reparar em pensamentos e sensações que normalmente passam despercebidos.

➜ Meditação: guia prático

3. Ouvir o corpo

Muitas intuições aparecem como sensações físicas: aperto no estômago, tensão nos ombros, alívio. Pergunte-se durante o dia: «O que sinto no corpo agora?»

4. Aprender a fundo

Como mostrou Klein, a intuição cresce com experiência. Quanto mais souber de um assunto, melhores serão os seus pressentimentos sobre ele.

5. Dormir sobre o assunto

Antes de uma decisão importante, dê-lhe uma noite. Muitas pessoas acordam com mais clareza. Pode anotar os sonhos, sem os tomar como previsões.

Quando não confiar na intuição

  • Quando está com medo, raiva ou paixão intensa.
  • Quando a intuição confirma exatamente o que já queria que fosse verdade.
  • Em decisões sobre dinheiro, saúde ou justiça: aí, a intuição deve ser verificada com factos e com profissionais.

Ansiedade constante, pensamentos intrusivos ou «certezas» sobre ameaças não são intuição. Se isso lhe acontece, fale com um médico ou psicólogo.

Continue a ler

➜ Sinais do mundo espiritual

➜ Pêndulo

➜ Desenvolvimento espiritual

Fontes

  • Daniel Kahneman, Thinking, Fast and Slow, 2011 (ed. portuguesa: Pensar, Depressa e Devagar).
  • Daniel Kahneman e Gary Klein, «Conditions for intuitive expertise: a failure to disagree», American Psychologist, 64(6), 2009.
  • Carl G. Jung, Tipos Psicológicos, 1921.
  • «Intuition», Wikipedia — en.wikipedia.org

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