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🃏 Tarot e Adivinhação

Cartomancia com o baralho comum

A cartomancia com o baralho de jogar: de onde vem, Etteilla (1770), o baralho português, a cartomancia do Livro de São Cipriano e o sentido tradicional dos naipes.

5 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. De onde vêm as cartas
  3. O baralho português
  4. Quando as cartas passaram a servir para adivinhar
  5. A cartomancia no Livro de São Cipriano
  6. Que baralho se usa
  7. O sentido tradicional dos naipes
  8. Uma tiragem simples de três cartas
  9. Afirmações comuns
  10. Uma nota importante
  11. Continue a ler
  12. Fontes

Cartomancia é o nome geral para a leitura das cartas. Inclui o tarot e o baralho cigano. Mas esta página trata da forma mais popular: ler a sina com o baralho de jogar comum, o das copas, ouros, paus e espadas.

Em Portugal, foi esta a cartomancia mais comum durante gerações. As edições populares do Livro de São Cipriano do século XIX já traziam capítulos para «deitar as cartas».

Aqui separamos o que é história documentada do que é tradição de leitura. As cartas contam uma história interessante, mas não há prova de que prevejam o futuro.

Ficha

O que é Leitura das cartas de jogar como forma de adivinhação
Cartas na Europa Desde o século XIV (proibição em Florença, 1377)
Primeiro manual conhecido Etteilla, Paris, 1770
Baralhos usados 32 cartas (França), 52 cartas, ou outros
Em Portugal Livros de São Cipriano (séc. XIX), tradição oral
Base científica Nenhuma prova de valor preditivo

De onde vêm as cartas

As cartas de jogar chegaram à Europa no século XIV, muito provavelmente a partir dos baralhos dos mamelucos do Egito. Os naipes mamelucos — taças, moedas, espadas e tacos de polo — deram origem aos naipes latinos: copas, ouros, espadas e paus.

A primeira referência segura é uma proibição de jogos de cartas em Florença, em 1377. Mas na Catalunha a palavra naip já aparece num dicionário de rimas de 1371. É dessa família a nossa palavra «naipe».

➜ História do tarot

O baralho português

Durante séculos, Portugal teve um baralho próprio, de naipes latinos. Tinha uma marca muito reconhecível: dragões desenhados nos ases e valetes femininos.

Em 1769 foi fundada em Lisboa a Real Fábrica de Cartas de Jogar. A partir de cerca de 1800, os portugueses foram trocando este baralho pelo de naipes franceses (corações, losangos, trevos e piques). A troca estava feita no fim do século XIX.

Curiosamente, em português os naipes franceses ficaram com os nomes antigos: o coração chama-se copas, o losango ouros, o trevo paus e o pique espadas.

As cartas portuguesas viajaram com os navegadores. No Japão, onde os mercadores portugueses as levaram no século XVI, deram origem às karuta — palavra que vem de «carta».

Quando as cartas passaram a servir para adivinhar

Formas de cartomancia surgiram pouco depois de as cartas chegarem à Europa. Mas o primeiro livro conhecido dedicado a isto é de Etteilla, pseudónimo do francês Jean-Baptiste Alliette (1738–1791).

Em 1770 publicou em Paris Etteilla, ou maniere de se récréer avec un jeu de cartes. Ensinava a ler um baralho de 32 cartas (o de piquet, do 7 ao Ás) mais uma carta própria, a «Etteilla».

Só mais tarde se virou para o tarot. Entre 1783 e 1785 publicou um tratado sobre o tarot e, por volta de 1789, lançou o primeiro baralho de tarot feito de propósito para adivinhação.

Depois dele, a cartomancia com o baralho comum espalhou-se por toda a Europa. No século XIX juntou-se-lhe o baralho de 36 cartas que hoje se chama Lenormand ou baralho cigano.

➜ Baralho cigano (Lenormand)

A cartomancia no Livro de São Cipriano

As edições portuguesas do Livro de São Cipriano mostram bem como a cartomancia entrou na cultura popular. O Grande Livro de S. Cypriano ou Thesouro do Feiticeiro, impresso em Lisboa no fim do século XIX, tem vários textos sobre cartas:

  • o capítulo «Novo systema de deitar as cartas»;
  • o «modo de deitar as cartas» e um «responso antes de deitar as cartas»;
  • um «novo tratado de cartomancia»;
  • e, na segunda parte, uma «cartomancia cruzada».

Aparecem ao lado da leitura das mãos, da interpretação dos sonhos e da adivinhação com peneira. Isto mostra que, para o leitor popular do século XIX, as cartas faziam parte do mesmo «pacote» de saberes de adivinhação.

➜ O Grande Livro de S. Cypriano: a Vida e o índice completo

➜ História do Livro de São Cipriano

Que baralho se usa

  • 32 cartas: do 7 ao Ás de cada naipe. É o baralho clássico da cartomancia francesa.
  • 52 cartas: o baralho inteiro, sem jokers. Comum na tradição inglesa e americana.

Cada família e cada região tem os seus costumes. Não há um sistema único, nem um livro «oficial».

O sentido tradicional dos naipes

Nos manuais de cartomancia mais divulgados, os naipes costumam ter estes temas:

Naipe Tema na tradição
Copas ♥ Amor, família, emoções, alegrias
Ouros ♦ Dinheiro, negócios, notícias
Paus ♣ Trabalho, projetos, amizades
Espadas ♠ Obstáculos, preocupações, conflitos

As figuras (valete, dama, rei) costumam representar pessoas. Em muitos sistemas, o naipe indica a cor do cabelo ou o temperamento.

Os significados variam muito de autor para autor. O que está na tabela é uma tendência geral, não uma regra.

Uma tiragem simples de três cartas

  1. Baralhe as cartas enquanto pensa numa pergunta clara.
  2. Corte o baralho. Muitos cartomantes pedem que se corte com a mão esquerda — é um costume, não uma regra histórica.
  3. Tire três cartas e coloque-as da esquerda para a direita.
  4. Leia-as como passado — presente — tendência.

Leia as cartas em conjunto, como uma pequena história, e não cada uma isolada.

➜ Como fazer uma tiragem de tarot

Afirmações comuns

Afirmação comum O que se sabe
«A cartomancia é tão antiga como as cartas» Houve usos cedo, mas o primeiro manual conhecido é de 1770
«O tarot nasceu para adivinhar» Nasceu em Itália no séc. XV como jogo; a adivinhação veio no séc. XVIII
«O baralho cigano foi criado pelos ciganos» Não há prova; o modelo é alemão, de c. 1799
«O Livro de São Cipriano é antiquíssimo» As edições portuguesas com cartomancia são do séc. XIX
«As cartas preveem o futuro» Não há prova científica disso

Uma nota importante

A cartomancia é uma tradição cultural e, para muitos, uma forma de reflexão. Não tome decisões de saúde, dinheiro ou justiça com base numa leitura: fale com um médico, um advogado ou um técnico de finanças.

Continue a ler

➜ Baralho cigano ou tarot: qual a diferença?

➜ Tarot: o guia completo

➜ O Livro de São Cipriano

➜ Tarot e cartomancia

Fontes

  • «Etteilla», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Playing card», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Portuguese-suited playing cards», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Tarot», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • O Grande Livro de S. Cypriano ou Thesouro do Feiticeiro, Lisboa, Livraria Económica, fim do séc. XIX (índice transcrito no Grimório.pt)

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