A vela amarela é, nos guias de velas, a cor do estudo, da clareza de ideias, da comunicação e da alegria. É uma cor luminosa, associada à luz do dia.
Mas o amarelo tem uma das histórias mais contraditórias entre as cores europeias. Foi cor de ouro e de luz, e também cor de traição e de infâmia.
O amarelo na história
O historiador Michel Pastoureau, no livro Yellow: The History of a Color (2019), mostra que na Antiguidade o amarelo era valorizado como cor da luz, do calor e da prosperidade.
Na Idade Média europeia, a imagem mudou. Um amarelo esverdeado passou a ser a cor dos falsários, de Judas e de Lúcifer. O amarelo quente, pelo contrário, continuou ligado ao mel e ao ouro, sinais de abundância.
Judas e a Inquisição
Na arte medieval, Judas Iscariotes é muitas vezes pintado de amarelo, embora a Bíblia nunca descreva a sua roupa. Daí o amarelo ganhou associações com a inveja e a falsidade.
Na Península Ibérica, a Inquisição fazia os condenados vestir o sambenito, um hábito que, para os reconciliados, era amarelo com cruzes vermelhas. Ficou na língua a expressão «levar um sambenito»: carregar uma culpa imerecida ou uma má fama.
Fora da Europa
Na China imperial, o amarelo vivo era a cor do imperador e da sua casa, e leis proibiam certos tons a quem não pertencesse à família imperial. Na Ásia, o amarelo está também ligado ao budismo.
Na tradição esotérica moderna
Os livros de magia com velas do século XX, sobretudo em inglês, fixaram para o amarelo associações como:
- estudo, memória e concentração;
- clareza mental e boas decisões;
- comunicação, conversas e escrita;
- alegria, otimismo e ânimo;
- viagens e novidades, em alguns autores.
Muitos guias ligam o amarelo ao Sol, pela cor da luz, mas as correspondências planetárias variam de autor para autor. É uma convenção simbólica, não um efeito comprovado.
Um uso simples: vela amarela para estudar
Prática redigida pelo Grimório.pt. Serve como pequeno ritual de início de estudo, não como substituto do estudo.
- Arrume a mesa e deixe à vista só o material de que precisa.
- Pouse uma vela amarela num castiçal estável, afastada dos papéis e dos livros.
- Acenda-a e defina um objetivo concreto: «hoje revejo os capítulos 3 e 4».
- Estude durante um período fixo (por exemplo, 45 minutos).
- No fim, apague a vela e anote o que aprendeu.
Na tradição, a chama marca o início e o fim do tempo de concentração. O resultado depende do seu trabalho, não da cor da vela.
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Segurança
A mesa de estudo tem papel, cadernos e cortinas por perto. Por isso:
- nunca deixe a vela acesa sem vigilância, nem se adormecer sobre os livros;
- mantenha pelo menos 30 cm de distância de papéis e tecidos;
- use sempre um castiçal estável sobre prato ou base não inflamável;
- afaste crianças e animais; areje a divisão;
- em alternativa, use uma vela LED amarela — o simbolismo da cor mantém-se.
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Fontes
- Michel Pastoureau, Yellow: The History of a Color, Princeton University Press, 2019 — press.princeton.edu
- Wikipedia, «Yellow» (secções de história e simbolismo) — en.wikipedia.org
- Wikipédia, «Sambenito» — pt.wikipedia.org
- Raymond Buckland, Practical Candleburning Rituals, Llewellyn, 1970