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❓ Perguntas Frequentes

Amarração e livre-arbítrio: é ético «prender» alguém?

É ético tentar prender alguém com uma amarração? Livre-arbítrio e consentimento segundo o cristianismo, a bruxaria moderna e a tradição portuguesa.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. O problema está na intenção
  2. O que dizem as tradições
  3. «Mas eu só quero que ele volte»
  4. Alternativas que respeitam os dois
  5. Uma nota importante
  6. Continue a ler
  7. Fontes

Resposta curta: uma amarração, por definição, pretende que outra pessoa ame, volte ou obedeça sem o ter escolhido. É isso que a torna eticamente problemática, quer se acredite na magia quer não.

Quase todas as tradições, religiosas e esotéricas, desaconselham tentar forçar a vontade de alguém.

O problema está na intenção

Não há provas de que um ritual consiga mudar a vontade de outra pessoa. Mas a pergunta ética não depende disso. O que conta é a intenção: quem encomenda uma amarração quer que o outro deixe de decidir por si.

Numa relação saudável, a outra pessoa pode dizer sim e pode dizer não. Esse é o centro do consentimento: só vale se for livre, informado e possível de retirar.

O que dizem as tradições

O cristianismo

Para a Igreja Católica, a liberdade é parte da dignidade humana. O Catecismo diz que toda a pessoa «tem o direito natural de ser reconhecida como ser livre e responsável» (§1738).

O mesmo Catecismo condena as práticas de magia que pretendem obter «um poder sobrenatural sobre o próximo» (§2117).

➜ Amarração tem pecado?

A bruxaria moderna

Na Wicca, a principal regra ética é o Wiccan Rede: «se não fizer mal a ninguém, faz o que quiseres». Foi registado publicamente por Doreen Valiente em 1964. Muitos praticantes interpretam-no como uma proibição de feitiços que manipulem outras pessoas, incluindo feitiços de amor dirigidos a alguém concreto.

➜ Wicca

A tradição portuguesa

A Inquisição perseguiu em Portugal as cartas de tocar e outros feitiços amorosos, em parte porque os via como tentativas de forçar a vontade alheia. Hoje não se trata de crime religioso, mas a questão moral mantém-se.

➜ Feitiçaria portuguesa

«Mas eu só quero que ele volte»

É o pedido mais comum, e nasce muitas vezes de sofrimento verdadeiro. Vale a pena fazer três perguntas:

  1. Se a pessoa voltasse só por causa de um feitiço, seria amor?
  2. Eu aceitaria que alguém fizesse o mesmo comigo?
  3. O que estou a evitar sentir (luto, rejeição, solidão)?

A resposta sincera a estas perguntas costuma ajudar mais do que qualquer ritual.

Alternativas que respeitam os dois

  • Falar diretamente com a pessoa, sem pressão, e aceitar a resposta.
  • Cuidar de si: apoio de amigos, de um psicólogo, tempo para o luto.
  • Rezar ou meditar pela sua própria serenidade e pelo bem do outro, sem pedir que ele faça algo contra a vontade.

➜ Magia branca para o amor

Uma nota importante

Insistir, vigiar, ameaçar ou controlar uma pessoa que não quer a relação não é romance. Pode ser perseguição ou violência, e a lei portuguesa pune-as. Se é vítima de uma situação destas, pode pedir ajuda à APAV (116 006) ou ligar 112 em caso de perigo.

Continue a ler

➜ Como funciona uma amarração: a crença explicada

➜ A amarração dura para sempre?

➜ A bruxaria volta contra quem a faz?

Fontes

  • Catecismo da Igreja Católica, §1730–1738 (A liberdade do homem) — vatican.va
  • Catecismo da Igreja Católica, §2115–2117 (Adivinhação e magia) — vatican.va
  • Wikipedia, «Wiccan Rede» — en.wikipedia.org
  • Francisco Bethencourt, O Imaginário da Magia: Feiticeiras, Adivinhos e Curandeiros em Portugal no Século XVI, Companhia das Letras, 2004.

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