«Como trazer o ex de volta» é uma das pesquisas mais feitas por quem acabou de ser deixado. A dor é enorme, os pensamentos não param, e qualquer promessa parece uma saída.
Esta página explica o que diz a tradição sobre trazer alguém de volta, porque é que uma separação dói tanto, segundo a ciência, e como decidir entre tentar de novo e fazer o luto.
O que diz a tradição
Rituais para fazer voltar quem partiu existem há milénios: das tabuinhas de chumbo do mundo greco-romano às orações e simpatias populares portuguesas. Hoje, a forma mais anunciada é a amarração.
Não há qualquer prova de que um ritual consiga fazer voltar alguém. E há um problema ético claro: a amarração pretende que o outro volte sem o ter escolhido.
O Grimório.pt não ensina rituais para prender ninguém.
➜ Amarração amorosa: a crença e a história
Porque é que dói tanto
Em 2010, a antropóloga Helen Fisher e colegas observaram, com ressonância magnética, o cérebro de pessoas recentemente rejeitadas no amor. Ao verem a fotografia do ex, ativavam-se zonas ligadas à recompensa, ao desejo intenso e à dependência.
Dito de forma simples: a falta do ex pode sentir-se como uma privação. Isso explica os pensamentos obsessivos, a vontade de mandar mensagens, a sensação de que «não se consegue viver sem ele ou sem ela».
Não é fraqueza. É um luto, e como qualquer luto precisa de tempo.
Perguntas antes de tentar
- Porque acabou? O que mudou desde então, de um lado e do outro?
- Tenho saudades da pessoa ou do que ela representava (companhia, segurança, rotina)?
- Ela disse claramente que não quer? Se sim, essa resposta merece respeito.
- A relação fazia-me bem? Havia respeito, ou sobretudo discussões, ciúme e medo?
Se decidir tentar
- Dê tempo antes de falar: algumas semanas sem contacto ajudam os dois a pensar com calma.
- Faça um contacto simples e honesto, sem pressão nem dramatismo.
- Aceite a resposta, seja ela qual for.
➜ Reconquistar a pessoa amada com respeito
Se decidir fazer o luto
- Afaste os gatilhos: silencie as redes sociais do ex, guarde fotografias numa caixa.
- Não fique sozinho: combine coisas com amigos e família.
- Cuide do corpo: dormir, comer, caminhar. Parece pouco, mas ajuda muito.
- Peça ajuda se passarem semanas sem melhorias: médico de família, psicólogo ou SNS 24 (808 24 24 24).
Quando não é para voltar
Se havia violência, ameaças ou controlo, a vontade de voltar pode ser um laço traumático, e não amor. A APAV (116 006) e o 800 202 148 apoiam gratuitamente. Em perigo, ligue 112.
E se é a outra pessoa que não quer: insistir, vigiar ou aparecer sem ser convidado pode ser perseguição, crime em Portugal.
Expectativas honestas
Nenhum trabalho espiritual garante resultados. Não há prazos, nem regressos «definitivos». Se o ex voltar a falar, será por razões dele: saudade, hábito, arrependimento ou uma questão prática. Não é sinal de ritual.
➜ «Sintomas» de amarração a fazer efeito: o que há de verdade
Antes de contratar qualquer praticante
- Preço total por escrito e fatura.
- Desconfie de garantias, prazos («em 7 dias») e percentagens.
- Recuse pedidos sucessivos de dinheiro e ameaças.
- Tem direito ao Livro de Reclamações.
➜ Como escolher um bruxo sério e evitar burlas
➜ Amarração em 7 dias: a promessa desmontada
Perguntas frequentes
Quanto tempo dura o desgosto?
Varia muito. Se ao fim de algumas semanas continua sem dormir, sem comer ou sem vontade de nada, procure ajuda.
Há uma oração para trazer o ex de volta?
Há orações populares de reconciliação. Pedir paz e o bem de ambos é diferente de pedir que ele volte contra a vontade.
E se temos filhos?
Veja as páginas sobre ex-esposa e ex-marido, que tratam de divórcio, filhos e mediação familiar.
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➜ Amarração para ex-esposa: divórcio e filhos
➜ Amarração para ex-marido: perceber porque acabou
➜ Desfazer uma amarração: quando se sente preso
Fontes
- Helen E. Fisher et al., «Reward, addiction, and emotion regulation systems associated with rejection in love», Journal of Neurophysiology, 104, 2010.
- Wikipedia, «Traumatic bonding» — en.wikipedia.org
- APAV, Violência doméstica — violenciadomestica.apav.pt
- SNS 24, Aconselhamento psicológico — sns24.gov.pt