«Não consigo deixar de pensar nela.» «Sei que ele me faz mal, mas volto sempre.» «Acho que me fizeram uma amarração.» Se chegou aqui com uma destas frases, respire fundo: não está sozinho, e há saída.
Esta página explica o que diz a crença sobre estar «amarrado», o que outras explicações, bem mais comuns, podem estar por trás do que sente, e práticas simples de proteção que a tradição conhece e que não lhe custam nada.
Primeiro, tranquilize-se
Não há qualquer prova de que alguém consiga prender a sua vontade com um ritual. A sua liberdade continua a ser sua.
O medo de estar «amarrado» é, ele próprio, uma fonte de sofrimento. E há quem se aproveite desse medo para vender «desamarrações» caras e sucessivas.
O que diz a crença
Na tradição popular, uma amarração feita por outra pessoa provocaria pensamentos insistentes, sonhos, falta de vontade de conhecer outras pessoas e uma sensação de «peso».
Todos estes sinais são reais. Mas quase sempre têm explicações humanas, que merecem ser olhadas primeiro.
➜ Como saber se estou enfeitiçado
O que pode estar a acontecer
O luto amoroso
Depois de uma separação, pensar na pessoa a toda a hora é normal. Estudos com imagens do cérebro, como o da antropóloga Helen Fisher e colegas (2010), mostraram que a rejeição amorosa ativa zonas ligadas à recompensa e ao desejo intenso, semelhantes às da dependência. Não é um feitiço: é a forma como o cérebro vive a perda.
O laço traumático
Quando uma relação alterna crueldade e carinho, cria-se muitas vezes uma ligação muito forte e difícil de quebrar. Os psicólogos Donald Dutton e Susan Painter chamaram-lhe laço traumático. A pessoa sente-se «presa», mesmo sabendo que lhe faz mal.
Sinais de uma relação controladora
Se reconhece vários destes sinais, o que o prende pode ser controlo, não magia:
- vigia o seu telemóvel, as suas saídas ou o seu dinheiro;
- afasta-o da família e dos amigos;
- humilha-o, em privado ou em público;
- ameaça deixá-lo, fazer-lhe mal ou fazer mal a si próprio;
- alterna explosões de raiva com pedidos de desculpa e promessas.
Isto pode ser violência doméstica ou no namoro, crime em Portugal.
- APAV: 116 006 (gratuito).
- Serviço de Informação a Vítimas de Violência Doméstica: 800 202 148 ou SMS 3060.
- Em perigo imediato: 112.
Ajuda psicológica
Um psicólogo pode ajudar a cortar o ciclo de pensamentos, a fazer o luto e a reconstruir a confiança. Peça ao médico de família ou ligue ao SNS 24 (808 24 24 24), que tem aconselhamento psicológico.
Práticas simples de proteção
Para quem tem fé, a tradição oferece gestos simples que não dependem de ninguém. Não substituem a ajuda acima, mas podem trazer serenidade.
- Rezar uma oração de proteção ou o Pai-Nosso, de manhã e à noite.
- Arrumar e arejar a casa; guardar numa caixa, ou devolver, objetos que o prendem à pessoa.
- Um banho de sal grosso do pescoço para baixo, como se faz na tradição popular. Não use se tiver feridas ou pele sensível.
- Acender uma vela branca enquanto reza, sempre com cuidado.
Segurança com velas: castiçal estável, longe de cortinas e papéis, nunca sem vigilância nem durante a noite, fora do alcance de crianças e animais.
➜ Como usar velas com segurança
Expectativas honestas
Nenhum trabalho espiritual garante resultados, nem para amarrar nem para desamarrar. Quem lhe diz que tem um trabalho «muito forte» que exige várias sessões pagas está a vender.
Antes de contratar qualquer praticante
- Desconfie de diagnósticos à distância («vejo uma amarração feita por uma mulher morena»).
- Não aceite ameaças nem pedidos sucessivos de dinheiro.
- Peça preço fechado e fatura; tem direito ao Livro de Reclamações.
➜ Como escolher um bruxo sério e evitar burlas
Perguntas frequentes
Encomendei uma amarração e arrependi-me. Como a desfaço?
Pare de pagar e de esperar. Se quiser, reze pelo bem da outra pessoa. E, se possível, deixe-a em paz.
Sonho com a pessoa todas as noites. É sinal?
É sinal de que ela ocupa o seu pensamento. Com tempo e apoio, isso muda.
Preciso de um ritual para me libertar?
Não. A decisão de se afastar, e a ajuda certa, valem mais do que qualquer ritual.
Continue a ler
➜ Desfazer feitiços no Livro de São Cipriano
➜ Trazer o ex de volta? O luto amoroso
➜ Amarração sem o saber: a crença
Fontes
- Wikipedia, «Traumatic bonding» (Dutton e Painter) — en.wikipedia.org
- Helen E. Fisher et al., «Reward, addiction, and emotion regulation systems associated with rejection in love», Journal of Neurophysiology, 104, 2010.
- APAV, Violência doméstica — violenciadomestica.apav.pt
- CIG, Portal da Violência Doméstica — cig.gov.pt
- SNS 24, Aconselhamento psicológico — sns24.gov.pt