Saltar para o conteúdo

🖋️ Artigos

O que é uma simpatia?

O que é uma simpatia na tradição popular, de onde vem o nome, a «magia simpática» de Frazer (semelhança e contacto) e o que diz a ciência sobre ela.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. De onde vem a palavra
  2. A «magia simpática» segundo Frazer
  3. Simpatia, oração e benzedura: qual é a diferença?
  4. As simpatias funcionam?
  5. Cuidados
  6. Continue a ler
  7. Fontes

Uma simpatia é um pequeno ritual popular, feito em casa com coisas simples (uma vela, mel, sal, uma erva, uma fita), para pedir amor, sorte, saúde ou proteção. Quase toda a gente conhece alguma, ensinada por uma avó, uma vizinha ou uma revista.

Mas porque se chama «simpatia»? E porque é que as simpatias seguem quase sempre as mesmas regras? A resposta está numa ideia muito antiga sobre como o mundo funciona.

De onde vem a palavra

«Simpatia» vem do grego sympátheia, «sentir com». Na filosofia antiga, sobretudo entre os estoicos, a sympátheia era a ideia de que todas as partes do universo estão ligadas e se influenciam umas às outras.

Esta ideia passou para a magia do Renascimento e para a medicina popular. Falava-se de «virtudes simpáticas» entre plantas, astros e partes do corpo. Em português, a palavra acabou por dar nome aos pequenos rituais populares, uso hoje muito comum em Portugal e no Brasil.

➜ Magia do Renascimento

A «magia simpática» segundo Frazer

Em 1890, o antropólogo escocês James George Frazer publicou The Golden Bough (O Ramo de Ouro). Nele, deu o nome de magia simpática a um modo de pensar que encontrou em culturas de todo o mundo. Frazer resumiu-o em duas «leis»:

Lei O que diz
Semelhança O semelhante produz o semelhante. Uma imagem age sobre o que representa.
Contacto (contágio) O que esteve em contacto continua ligado, mesmo à distância.

Com estas duas regras percebe-se quase toda a simpatia popular:

  • Mel para «adoçar» uma pessoa ou uma situação: semelhança (o doce produz doçura).
  • Nó numa fita para «prender» um desejo: semelhança.
  • Usar uma peça de roupa ou uma fotografia da pessoa: contacto.
  • Lua crescente para fazer crescer, minguante para fazer diminuir: semelhança.

Frazer via estas crenças como uma espécie de «ciência falsa», uma ideia hoje criticada pelos antropólogos por ser demasiado simplista. Mas as suas duas leis continuam a ser a forma mais clara de explicar a lógica das simpatias.

➜ Simpatias com mel

➜ A Lua na magia

Simpatia, oração e benzedura: qual é a diferença?

  • Oração: um pedido feito a Deus, a um santo ou a uma entidade. O resultado depende de quem ouve.
  • Benzedura: oração com gestos, feita normalmente por uma benzedeira, sobretudo para tirar mau-olhado ou males.
  • Simpatia: um gesto simbólico que, segundo a crença, age por si mesmo, pela semelhança ou pelo contacto. Muitas vezes vem acompanhada de uma oração.

Na prática, em Portugal, as três misturam-se com frequência.

➜ Feitiçaria portuguesa

As simpatias funcionam?

Não há provas científicas de que uma simpatia mude a vontade de outra pessoa, traga dinheiro ou cure uma doença.

A psicologia ajuda a perceber porque parecem «funcionar»: lembramo-nos das vezes em que o desejo se realizou e esquecemos as outras (o chamado efeito de confirmação). E fazer um gesto concreto dá sensação de controlo num momento de incerteza.

Isto não tira valor cultural às simpatias. Tira-lhes apenas o valor de garantia.

Cuidados

  • Não use simpatias para tratar doenças. Consulte o seu médico.
  • Fogo: velas sempre vigiadas, em castiçal estável e longe de cortinas.
  • Respeite a vontade dos outros. Simpatias para «prender» ou «afastar» pessoas não são ensinadas no Grimório.pt.

➜ Como usar velas com segurança

Continue a ler

➜ Simpatias e rituais populares

➜ A magia funciona mesmo?

➜ Simpatia para a sorte

Fontes

  • James George Frazer, The Golden Bough, cap. III, «Sympathetic Magic» — sacred-texts.com
  • Raymond S. Nickerson, «Confirmation Bias: A Ubiquitous Phenomenon in Many Guises», Review of General Psychology, 2(2), 1998 — doi.org
  • Paul Rozin, Linda Millman e Carol Nemeroff, «Operation of the Laws of Sympathetic Magic in Disgust and Other Domains», Journal of Personality and Social Psychology, 1986 — PDF

A minha nota

Escreva aqui as suas anotações. Ficam guardadas só neste dispositivo — não são enviadas para nenhum servidor.

Continue a explorar

Ver tudo em Artigos ›