«Magia negra» é uma expressão que assusta e fascina. Aparece em filmes, em anúncios de bruxos e em conversas de café. Mas poucas pessoas sabem de onde vem o termo ou o que significou ao longo dos séculos.
Neste artigo explicamos a origem da expressão, o que diferentes tradições entendem por ela e os mitos que mais circulam, sem sensacionalismo e sem ensinar nenhuma prática.
De onde vem a expressão
A palavra tem uma história curiosa. Na Antiguidade, a necromantia era a adivinhação através dos mortos (do grego nekros, «morto»). Na Idade Média, os escribas latinos começaram a escrever nigromantia, por influência de niger, «negro».
Assim nasceu a ideia de uma «arte negra». Em português antigo dizia-se nigromancia, e «nigromante» era sinónimo de feiticeiro. A cor entrou na palavra quase por acidente, mas acabou por lhe dar o sentido de magia escura e proibida.
O que se entende por «magia negra»
Não existe uma definição única. Depende de quem fala:
- Para a Igreja medieval e para a Inquisição, toda a magia que invocasse demónios, ou fizesse pacto com eles, era condenada. A distinção entre «branca» e «negra» interessava pouco: o problema era a origem do poder.
- No ocultismo europeu dos séculos XIX e XX, a expressão passou a designar a magia usada para prejudicar ou dominar outros, por oposição a uma magia de desenvolvimento pessoal.
- Na linguagem popular, «magia negra» é quase tudo o que mete medo: feitiços de mal, trabalhos em cemitérios, pactos, «coisas feitas».
- No comércio de serviços espirituais, tornou-se um argumento de venda: «mais forte», «mais rápida», «para casos extremos».
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Os mitos mais comuns
«A magia negra é mais forte»
Não há nenhuma prova de que qualquer magia produza efeitos no mundo físico, seja «branca» ou «negra». Dizer que uma é «mais forte» é uma afirmação de venda, não um facto.
«São Cipriano praticou magia negra e é santo»
Isto mistura lenda com história. A figura de Cipriano de Antioquia, o feiticeiro convertido, vem de textos lendários dos séculos IV e V. A Igreja Católica retirou a sua festa do calendário geral em 1969, precisamente por falta de base histórica. O «pacto com Lúcifer» pertence à lenda, e o Livro de São Cipriano é uma obra muito posterior, de atribuição popular.
«Se for um profissional, não há retorno»
A ideia de «retorno» é uma crença de algumas correntes modernas, como a Wicca. Não existe forma de a confirmar, nem num sentido nem no outro. Quem garante que «não há consequências» está a vender tranquilidade, não a dar informação.
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«Toda a gente que tem azar tem magia negra feita»
Este é o mito mais prejudicial. Azar, doença e conflitos têm quase sempre causas comuns. Acreditar que alguém nos fez mal cria medo, desconfiança e, muitas vezes, abre a porta a burlas.
O verdadeiro perigo
A magia negra, como tal, não tem efeito comprovado. O que causa dano real são coisas bem concretas:
- Burlas: pedidos de dinheiro sucessivos para «cortar» ou «fazer» trabalhos.
- Medo e paranoia: suspeitar de familiares, vizinhos ou colegas.
- Práticas perigosas: fogo sem vigilância, substâncias tóxicas, entrada ilegal em cemitérios.
O Grimório.pt estuda a magia como fenómeno histórico e cultural. Não ensina práticas para prejudicar, dominar ou vingar.
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Fontes
- Online Etymology Dictionary, «necromancy» — etymonline.com
- Wikipédia, «Cipriano de Antioquia» — pt.wikipedia.org
- Center for Hellenic Studies (Harvard), «The Confession: Competing with Magic» — chs.harvard.edu
- Código Penal, artigo 217.º (Burla), Diário da República — diariodarepublica.pt