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O que é a magia negra? Verdades e mitos

De onde vem a expressão «magia negra», o que significou ao longo da história, os mitos mais comuns e porque deve desconfiar de quem a vende como solução.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. De onde vem a expressão
  2. O que se entende por «magia negra»
  3. Os mitos mais comuns
  4. O verdadeiro perigo
  5. Continue a ler
  6. Fontes

«Magia negra» é uma expressão que assusta e fascina. Aparece em filmes, em anúncios de bruxos e em conversas de café. Mas poucas pessoas sabem de onde vem o termo ou o que significou ao longo dos séculos.

Neste artigo explicamos a origem da expressão, o que diferentes tradições entendem por ela e os mitos que mais circulam, sem sensacionalismo e sem ensinar nenhuma prática.

De onde vem a expressão

A palavra tem uma história curiosa. Na Antiguidade, a necromantia era a adivinhação através dos mortos (do grego nekros, «morto»). Na Idade Média, os escribas latinos começaram a escrever nigromantia, por influência de niger, «negro».

Assim nasceu a ideia de uma «arte negra». Em português antigo dizia-se nigromancia, e «nigromante» era sinónimo de feiticeiro. A cor entrou na palavra quase por acidente, mas acabou por lhe dar o sentido de magia escura e proibida.

➜ Necromancia

O que se entende por «magia negra»

Não existe uma definição única. Depende de quem fala:

  • Para a Igreja medieval e para a Inquisição, toda a magia que invocasse demónios, ou fizesse pacto com eles, era condenada. A distinção entre «branca» e «negra» interessava pouco: o problema era a origem do poder.
  • No ocultismo europeu dos séculos XIX e XX, a expressão passou a designar a magia usada para prejudicar ou dominar outros, por oposição a uma magia de desenvolvimento pessoal.
  • Na linguagem popular, «magia negra» é quase tudo o que mete medo: feitiços de mal, trabalhos em cemitérios, pactos, «coisas feitas».
  • No comércio de serviços espirituais, tornou-se um argumento de venda: «mais forte», «mais rápida», «para casos extremos».

➜ Magia branca e magia negra: a diferença

➜ A Inquisição em Portugal

Os mitos mais comuns

«A magia negra é mais forte»

Não há nenhuma prova de que qualquer magia produza efeitos no mundo físico, seja «branca» ou «negra». Dizer que uma é «mais forte» é uma afirmação de venda, não um facto.

«São Cipriano praticou magia negra e é santo»

Isto mistura lenda com história. A figura de Cipriano de Antioquia, o feiticeiro convertido, vem de textos lendários dos séculos IV e V. A Igreja Católica retirou a sua festa do calendário geral em 1969, precisamente por falta de base histórica. O «pacto com Lúcifer» pertence à lenda, e o Livro de São Cipriano é uma obra muito posterior, de atribuição popular.

➜ A história de São Cipriano

«Se for um profissional, não há retorno»

A ideia de «retorno» é uma crença de algumas correntes modernas, como a Wicca. Não existe forma de a confirmar, nem num sentido nem no outro. Quem garante que «não há consequências» está a vender tranquilidade, não a dar informação.

➜ A bruxaria volta contra quem a faz?

«Toda a gente que tem azar tem magia negra feita»

Este é o mito mais prejudicial. Azar, doença e conflitos têm quase sempre causas comuns. Acreditar que alguém nos fez mal cria medo, desconfiança e, muitas vezes, abre a porta a burlas.

O verdadeiro perigo

A magia negra, como tal, não tem efeito comprovado. O que causa dano real são coisas bem concretas:

  • Burlas: pedidos de dinheiro sucessivos para «cortar» ou «fazer» trabalhos.
  • Medo e paranoia: suspeitar de familiares, vizinhos ou colegas.
  • Práticas perigosas: fogo sem vigilância, substâncias tóxicas, entrada ilegal em cemitérios.

O Grimório.pt estuda a magia como fenómeno histórico e cultural. Não ensina práticas para prejudicar, dominar ou vingar.

➜ A magia negra é perigosa?

Continue a ler

➜ Magia negra: a página da secção

➜ Demonologia

➜ Como escolher um bruxo sério

Fontes

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