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Magia no Renascimento

A magia no Renascimento: a tradução do Corpus Hermeticum, Ficino e Pico, a Filosofia Oculta de Agrippa, John Dee e Giordano Bruno. Datas, obras e contexto.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. O ponto de partida: Hermes Trismegisto
  2. As figuras principais
  3. Magia, ciência e religião
  4. A herança
  5. Continue a ler
  6. Fontes

No Renascimento, a magia deixou de ser apenas assunto de feiticeiros e benzedeiras. Passou a ser discutida por filósofos, médicos e matemáticos respeitados, em cortes e universidades.

Esta «alta magia» nasceu da redescoberta de textos antigos — sobretudo o Corpus Hermeticum — e marcou profundamente o esoterismo ocidental até hoje.

O ponto de partida: Hermes Trismegisto

Por volta de 1463, em Florença, Marsílio Ficino traduziu para latim, a pedido de Cosme de Médici, um conjunto de tratados gregos atribuídos a Hermes Trismegisto. A tradução foi impressa em 1471.

Na época, julgava-se que Hermes era um sábio egípcio muito antigo, contemporâneo de Moisés. Por isso, estes textos pareciam uma sabedoria original, anterior a Platão.

Em 1614, o erudito Isaac Casaubon demonstrou, pela análise da língua, que os textos eram muito mais tardios, dos primeiros séculos da era cristã.

➜ Hermetismo

As figuras principais

Nome Contributo
Marsílio Ficino (1433–1499) Magia natural, música e astros para harmonizar a alma
Pico della Mirandola (1463–1494) Juntou a Cabala à filosofia cristã
Cornélio Agrippa (1486–1535) Três Livros de Filosofia Oculta
Paracelso (1493–1541) Medicina, alquimia e «sinais» da natureza
John Dee (1527–1608/09) Matemática, astrologia e conversas com anjos
Giordano Bruno (1548–1600) Filosofia, memória e cosmos infinito

Ficino e Pico

Ficino defendia uma magia «natural»: usar música, perfumes, cores e pedras para atrair a influência benéfica dos astros. Tinha cuidado em afastá-la de qualquer invocação de demónios.

Pico della Mirandola foi mais longe. Nas suas 900 Teses (1486), afirmou que a magia e a Cabala confirmavam a verdade cristã. Várias teses foram condenadas pelo Papa.

➜ Cabala

Agrippa e a Filosofia Oculta

Heinrich Cornelius Agrippa escreveu cedo, por volta de 1510, os De occulta philosophia libri tres, publicados na versão completa em 1533. É a grande síntese da magia renascentista:

  1. Magia natural — ervas, pedras, animais;
  2. Magia celeste — astros, números, figuras;
  3. Magia cerimonial — nomes divinos, anjos, religião.

Foi uma obra de consulta para ocultistas durante séculos. O chamado Quarto Livro, publicado após a sua morte, não é considerado de Agrippa.

➜ Magia cerimonial

John Dee

John Dee foi matemático, geógrafo e conselheiro da rainha Isabel I de Inglaterra. Escreveu a Monas Hieroglyphica (1564), sobre um símbolo que resumiria o cosmos.

A partir de 1582, com o médium Edward Kelley, registou sessões em que dizia receber mensagens de anjos através de uma pedra de observação. Daí nasceu o chamado sistema enoquiano, retomado séculos depois pela Golden Dawn.

Os seus diários são documentos históricos. Se houve de facto contacto com anjos é uma questão de crença.

➜ Angelologia

Giordano Bruno

Giordano Bruno, antigo frade dominicano, defendia um universo infinito e usava imagens mágicas nas suas artes da memória. Foi condenado pela Inquisição romana e queimado em Roma em 1600. As acusações eram sobretudo teológicas.

Magia, ciência e religião

No Renascimento, magia, astrologia, alquimia e ciência não estavam separadas como hoje. Muitas figuras da revolução científica interessaram-se também por hermetismo e alquimia.

A historiadora Frances Yates (Giordano Bruno and the Hermetic Tradition, 1964) defendeu que esta tradição influenciou o nascimento da ciência moderna. A tese foi muito discutida e hoje é vista com mais cautela.

➜ Alquimia

➜ História da astrologia

A herança

Da magia renascentista vieram ideias que continuam presentes no ocultismo moderno:

  • as correspondências entre planetas, metais, cores e ervas;
  • os selos e quadrados mágicos planetários;
  • a ligação entre Cabala, magia e astrologia.

Os manifestos Rosa-Cruz (1614–1617) e, mais tarde, a Golden Dawn herdaram diretamente este universo.

Continue a ler

➜ Magia medieval

➜ Rosa-Cruz

➜ História do ocultismo

Fontes

  • Yates, Frances A., Giordano Bruno and the Hermetic Tradition, Routledge, 1964
  • Copenhaver, Brian P., Hermetica, Cambridge University Press, 1992
  • Stanford Encyclopedia of Philosophy, «Marsilio Ficino» — plato.stanford.edu
  • Stanford Encyclopedia of Philosophy, «Giordano Bruno» — plato.stanford.edu

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