O equinócio da primavera marca, no hemisfério norte, o início astronómico da primavera. A partir dele, os dias passam a ser mais longos do que as noites até ao outono.
É também uma data com enorme peso histórico: é a partir dela que se calcula a Páscoa. E, na espiritualidade moderna, tornou-se uma festa de renovação.
O que diz a astronomia
No equinócio, o Sol atravessa o equador celeste e passa do hemisfério sul do céu para o hemisfério norte. Nesse dia, o Sol nasce quase exatamente a leste e põe-se quase exatamente a oeste, em qualquer ponto da Terra.
Dia e noite iguais?
Quase. «Equinócio» vem do latim aequinoctium, «noite igual». Na realidade, no próprio dia do equinócio o dia já é uns minutos mais longo do que a noite, porque a atmosfera desvia a luz e vemos o Sol um pouco antes de ele nascer e um pouco depois de se pôr. O dia em que dia e noite são mesmo iguais calha uns dias antes.
Quando acontece
O equinócio é um instante preciso, não um dia inteiro. Em Portugal calha entre 19 e 21 de março, quase sempre a 20.
Varia porque o ano civil tem 365 dias e a órbita da Terra demora cerca de 365 dias e 6 horas. O atraso acumula-se durante três anos e o 29 de fevereiro acerta-o.
A hora em Portugal
Em março, Portugal continental e a Madeira ainda estão na hora de inverno (igual ao Tempo Universal, UTC). A hora de verão só começa no último domingo de março. Nos Açores é uma hora a menos.
Por isso, a hora do equinócio indicada em tempo universal é a mesma no continente. O Observatório Astronómico de Lisboa é a entidade responsável pela hora legal portuguesa.
A Páscoa depende do equinócio
A regra usada pela Igreja, com base no Concílio de Niceia (325), é esta: a Páscoa é o primeiro domingo depois da primeira lua cheia que acontece a partir de 21 de março (o equinócio «eclesiástico»).
Por isso a Páscoa calha sempre entre 22 de março e 25 de abril. E, com ela, mudam todas as datas móveis: Carnaval, Quaresma, Quinta-feira da Espiga e Pentecostes.
Ostara: uma festa moderna
Nos sites esotéricos aparece muitas vezes o nome Ostara para esta data. Convém saber de onde vem:
- O monge inglês Beda (século VIII) escreveu que os anglo-saxões tinham um mês dedicado a uma deusa chamada Eostre. É o único texto antigo que a menciona, e durante muito tempo os historiadores discutiram se Beda não a teria inventado. Inscrições romanas encontradas na Alemanha, dedicadas às matronae Austriahenae, reforçaram depois a hipótese de que existiu um culto com esse nome.
- A forma «Ostara» foi divulgada pelo filólogo alemão Jacob Grimm, na sua Mitologia Alemã (1835).
- A festa de Ostara como a conhecemos hoje é uma criação da Wicca e do neopaganismo do século XX.
Não é, portanto, uma tradição portuguesa nem uma festa antiga documentada.
➜ Wicca
A primavera na tradição portuguesa
Em Portugal, a chegada da primavera celebrava-se sobretudo noutras datas:
- Páscoa — com o compasso a visitar as casas, sobretudo no Norte.
- As Maias (1 de maio) — giestas amarelas nas portas, para afastar o «Maio», segundo a crença.
- Quinta-feira da Espiga — o ramo de trigo, oliveira, papoilas e malmequeres que se guarda em casa um ano inteiro.
➜ Calendário mágico: o ano completo
Uma forma simples de marcar a data
Na espiritualidade moderna, o equinócio é visto como um momento de equilíbrio e recomeço. Algumas ideias simples:
- limpar e arejar a casa, a «limpeza de primavera»;
- semear um vaso com ervas aromáticas, como manjericão ou alecrim;
- fazer uma caminhada ao nascer do sol e reparar onde ele nasce.
É simbolismo, não magia com efeito garantido.
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Fontes
- Wikipédia, «Equinox» — en.wikipedia.org
- Wikipédia, «Computus» (cálculo da Páscoa) — pt.wikipedia.org
- Wikipédia, «Ēostre» (Beda e Jacob Grimm) — en.wikipedia.org
- Observatório Astronómico de Lisboa (hora legal) — oal.ul.pt
- Câmara Municipal de Mirandela, «As Maias e os Maios» — cm-mirandela.pt