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Horas planetárias: o relógio mágico da Antiguidade

O que são as horas planetárias: a origem helenística, a ordem caldaica, porque os dias da semana têm nomes de planetas (e em português são «feiras») e como se calculam.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. A origem: a astrologia helenística
  2. Como nasceram os nomes dos dias
  3. Porque é que em português são «feiras»
  4. Como se calculam as horas planetárias
  5. O que diz a tradição sobre cada astro
  6. Continue a ler
  7. Fontes

As horas planetárias são um sistema antigo que entrega cada hora do dia a um dos sete astros conhecidos na Antiguidade: Saturno, Júpiter, Marte, Sol, Vénus, Mercúrio e Lua.

É um dos sistemas mais usados nos grimórios europeus para escolher o momento de uma operação mágica. E tem uma consequência que usamos todos os dias sem saber: deu nome aos dias da semana em muitas línguas.

Nesta página explicamos a história, o cálculo e o que a tradição diz sobre cada hora. As horas planetárias são astrologia e magia tradicional, não astronomia: não há prova de que tenham qualquer efeito.

A origem: a astrologia helenística

O sistema nasceu na astrologia helenística, no mundo grego do Egito e do Mediterrâneo oriental, provavelmente entre os séculos II e I a.C., com possíveis raízes babilónicas.

Assenta na ordem caldaica dos planetas, do mais lento ao mais rápido (e, para os antigos, do mais distante ao mais próximo da Terra):

Saturno → Júpiter → Marte → Sol → Vénus → Mercúrio → Lua

Autores antigos como Vétio Valente (século II) e o historiador Díon Cássio (século III) já descrevem o sistema. Numa parede de Pompeia há uma inscrição de 60 d.C. com o dia da semana indicado.

Como nasceram os nomes dos dias

Cada dia recebe o nome do astro que governa a sua primeira hora. Vejamos o sábado:

  1. A 1.ª hora de sábado é de Saturno.
  2. As horas seguintes seguem a ordem caldaica: Júpiter, Marte, Sol, Vénus, Mercúrio, Lua, e de novo Saturno.
  3. Como 24 horas não se dividem por 7, a 25.ª hora — a 1.ª do dia seguinte — calha ao Sol. Daí o domingo, «dia do Sol».

Repetindo a conta, obtém-se a semana inteira:

Dia Astro
Domingo Sol (Sunday, «dia do Sol»)
Segunda-feira Lua (lunes, lundi)
Terça-feira Marte (martes, mardi)
Quarta-feira Mercúrio (miércoles)
Quinta-feira Júpiter (jueves)
Sexta-feira Vénus (viernes)
Sábado Saturno (Saturday)

A semana de sete dias com nomes de planetas já era conhecida em todo o Império Romano no século I.

Porque é que em português são «feiras»

Ao contrário do espanhol, do francês, do italiano ou do inglês, o português não usa nomes de planetas nos dias úteis. Entre as línguas latinas, é um caso raro.

A explicação mais aceite liga esta diferença a São Martinho de Dume (século VI), bispo de Dume e arcebispo de Braga. No sermão De correctione rusticorum («Da correção dos rústicos»), censurou os cristãos da Galécia que continuavam a dar aos dias os nomes de deuses pagãos.

Martinho não inventou as «feiras»: a Igreja já contava os dias na liturgia como feria secunda, feria tertia… O que aconteceu na região de Braga foi que este uso eclesiástico passou para a língua do povo. Uma inscrição cristã de Braga, de 618, já diz die secunda feria.

Assim, «segunda-feira» é o antigo «dia da Lua», e «sexta-feira» o antigo «dia de Vénus».

Como se calculam as horas planetárias

As horas planetárias são horas desiguais (também chamadas horas temporais), e não horas de relógio.

  1. Veja a hora do nascer e do pôr do sol do dia e do local onde está.
  2. Divida o tempo de dia (do nascer ao pôr do sol) por 12. Cada parte é uma hora planetária diurna.
  3. Divida o tempo de noite (do pôr do sol ao nascer do dia seguinte) por 12. São as horas noturnas.
  4. A 1.ª hora do dia começa ao nascer do sol e pertence ao astro do dia. As outras seguem a ordem caldaica.

Exemplo em Lisboa: perto do solstício de verão, o dia tem quase 15 horas, e cada hora planetária diurna dura cerca de 74 minutos. Perto do solstício de inverno, o dia tem cerca de 9 horas e meia, e cada hora dura só uns 47 minutos.

Por isso as horas planetárias mudam todos os dias e de cidade para cidade.

O que diz a tradição sobre cada astro

Na magia europeia — dos grimórios do Renascimento, como a Chave de Salomão e o Heptameron atribuído a Pedro de Abano, até ao esoterismo moderno —, cada astro tem os seus temas:

Astro Temas tradicionais
Sol Honra, sucesso, saúde, autoridade
Lua Casa, viagens, sonhos, emoções
Marte Coragem, defesa, conflito
Mercúrio Estudo, comunicação, negócios
Júpiter Prosperidade, justiça, proteção
Vénus Amor, amizade, beleza, arte
Saturno Limites, fim de ciclos, paciência

São correspondências simbólicas. Os próprios astrólogos do Renascimento discutiam o seu valor. Usá-las pode ajudar a dar intenção e ritmo a uma oração ou meditação, mas não garante resultado nenhum.

➜ Os melhores dias para rituais, segundo a tradição

Continue a ler

➜ A Chave de Salomão

➜ História da astrologia

➜ Magia renascentista

➜ Calendário mágico

Fontes

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