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Dia de Finados: como Portugal lembra os seus mortos

1 e 2 de novembro em Portugal: a diferença entre Todos os Santos e Fiéis Defuntos, a origem do Dia de Finados, o Pão por Deus, o Magusto e como honrar os mortos.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Duas datas diferentes
  2. Os costumes portugueses
  3. Uma oração pelos mortos
  4. E o «véu mais fino»?
  5. Segurança com velas
  6. Continue a ler
  7. Fontes

No início de novembro, Portugal volta-se para os seus mortos. Os cemitérios enchem-se de flores, as famílias juntam-se e as crianças, em muitas terras, ainda saem à rua a pedir o Pão por Deus.

Muita gente confunde as duas datas. 1 de novembro é o Dia de Todos os Santos; 2 de novembro é o Dia dos Fiéis Defuntos, o verdadeiro «Dia de Finados». Nesta página explicamos as duas, os costumes portugueses e o que a tradição diz sobre este tempo.

Duas datas diferentes

Data O que se celebra
1 de novembro Todos os Santos — todos os santos, conhecidos ou não
2 de novembro Fiéis Defuntos — oração por todos os mortos

O dia 1 é feriado nacional em Portugal. Esteve suspenso entre 2013 e 2015 e foi reposto em 2016. Como o dia 2 é dia de trabalho, é no dia 1 que a maior parte das famílias visita os cemitérios.

A origem do Dia de Finados

Rezar pelos mortos é um costume cristão muito antigo. A data de 2 de novembro ganhou força com Santo Odilo, abade do mosteiro de Cluny, em França, que no fim do século X mandou que os mosteiros da sua ordem rezassem por todos os defuntos no dia a seguir a Todos os Santos. O costume espalhou-se depois por toda a Igreja latina.

Na doutrina católica, o dia é dedicado às almas do Purgatório, que podem ser ajudadas pela oração dos vivos.

Os costumes portugueses

Flores e velas nas campas

Limpam-se e enfeitam-se as sepulturas, sobretudo com crisântemos, e acendem-se lamparinas ou velas. É o gesto mais comum de todo o país.

O Pão por Deus (1 de novembro)

De manhã, as crianças batem às portas a pedir «Pão por Deus». Recebiam pão, broas, romãs, nozes, castanhas ou rebuçados, num saquinho de pano. Uma das quadras mais conhecidas diz:

Pão por Deus,
fiel de Deus,
bolinho no saco,
andai com Deus.

(Texto popular.)

A explicação mais repetida liga o costume ao Terramoto de Lisboa de 1755, que aconteceu precisamente num 1 de novembro: no ano seguinte, a população pobre teria saído à rua a pedir esmola. Outros autores lembram que pedir e dar comida pelas almas é mais antigo e que o terramoto terá apenas reforçado a tradição.

Tem nomes diferentes conforme a terra: Dia do Bolinho (região de Leiria e Fátima), Bolinhos dos Santos, santórios. Em algumas zonas, os padrinhos davam aos afilhados um bolo chamado santoro.

É a versão portuguesa de um costume que o Halloween americano também tem, mas com raízes próprias.

O Magusto (São Martinho, 11 de novembro)

Novembro é também o mês das castanhas. O Magusto junta amigos à volta de uma fogueira, com castanhas assadas e vinho novo ou água-pé. O etnógrafo Leite de Vasconcelos via nele um possível vestígio de antigas oferendas aos mortos — uma interpretação, não um facto provado.

As alminhas

Por todo o país, sobretudo no Norte, há alminhas: pequenos nichos à beira dos caminhos, com a pintura das almas no Purgatório. Quem passava deixava uma flor, uma vela ou uma oração. Em novembro, muitas são limpas e enfeitadas.

Uma oração pelos mortos

A oração mais curta e mais conhecida da tradição católica portuguesa é esta:

Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso,
entre os esplendores da luz perpétua.
Descansem em paz.
Ámen.

➜ Oração pelos mortos

E o «véu mais fino»?

Muitos sites dizem que nesta altura «o véu entre os vivos e os mortos está mais fino». É uma ideia do esoterismo moderno, inspirada no Samhain celta tal como foi reinterpretado nos séculos XIX e XX. Não faz parte da tradição católica nem está demonstrada.

Não recomendamos práticas para «comunicar» com os mortos. Se está a viver um luto difícil, falar com a família, um padre, um psicólogo ou o seu médico ajuda mais do que qualquer ritual.

Segurança com velas

As velas nos cemitérios e em casa devem ficar em lanternas ou copos próprios, longe de flores secas e fora do alcance de crianças. Nunca deixe uma vela acesa em casa sem vigilância.

➜ Como usar velas com segurança

Continue a ler

➜ O Pão-por-Deus

➜ As alminhas

➜ A vela das almas

➜ Os mortos no Livro de São Cipriano

➜ Paganismo

➜ Calendário mágico: o ano completo

➜ PortugalParanormal.pt — relatos e mistérios

Fontes

  • Opus Dei, «Uma tradição muito portuguesa: o Pão por Deus no Dia de Todos-os-Santos» — opusdei.org
  • IEI, «A tradição portuguesa do Pão por Deus» — iei.pt
  • Wikipédia, «Dia de Finados» — pt.wikipedia.org
  • Wikipédia, «Magusto» — pt.wikipedia.org

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