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Âmbar

O âmbar é resina fóssil, não uma pedra. Âmbar do Báltico, a palavra «eletricidade», o mito de Faetonte, amuletos, imitações e o perigo dos colares de dentição.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. O que é o âmbar
  3. A palavra «eletricidade»
  4. Mito e história
  5. Na crença esotérica moderna
  6. Colares de âmbar para bebés: não
  7. Âmbar falso
  8. Cuidados
  9. Continue a ler
  10. Fontes

O âmbar parece uma pedra cor de mel, mas não é um mineral. É resina de árvores que endureceu e fossilizou ao longo de milhões de anos.

É leve, morno ao toque e, esfregado num pano, atrai pedacinhos de papel. Foi desta propriedade que nasceu, pelo grego, a palavra eletricidade.

Usado como adorno e amuleto desde a pré-história, o âmbar continua hoje a ser vendido para bebés. Aqui explicamos porque é que isso é perigoso.

Ficha

Característica Âmbar
Nome Âmbar (grego ēlektron; latim sucinum)
Composição Resina vegetal fossilizada (orgânica, não é mineral)
Dureza (Mohs) 2 a 2,5
Densidade Cerca de 1,05–1,10: flutua em água muito salgada
Cor Amarelo, mel, laranja, castanho; raramente verde ou azulado
Onde se encontra Sobretudo costa do Báltico (Kaliningrado); também República Dominicana, México, Birmânia
Outros nomes Âmbar-amarelo, sucinite (âmbar do Báltico)

O que é o âmbar

Há milhões de anos, certas árvores libertavam resina para se protegerem de feridas e insetos. Parte dessa resina ficou enterrada e, com o tempo, polimerizou e endureceu.

O âmbar mais famoso é o do Báltico, com cerca de 40 milhões de anos (Eocénico). Cerca de 90 % do âmbar extraível do mundo está na região de Kaliningrado. Contém ácido succínico, o que lhe deu o nome técnico de sucinite.

Às vezes o âmbar guarda insetos, aranhas, penas ou folhas presos na resina. Estas inclusões são preciosas para a ciência.

Um nome, duas coisas

A palavra portuguesa «âmbar» vem do árabe e designava primeiro o âmbar-cinzento, uma substância perfumada produzida pelos cachalotes. O âmbar-amarelo, a resina fóssil, herdou o nome depois. São coisas completamente diferentes.

A palavra «eletricidade»

Os gregos chamavam ao âmbar ēlektron. Já na Antiguidade se sabia que, esfregado, atraía palha e poeira.

Por volta de 1600, o médico inglês William Gilbert criou, a partir do latim electrum, o termo electricus para descrever esse fenómeno. Daí vieram «elétrico» e «eletricidade».

Mito e história

Na mitologia grega, quando Faetonte, filho do deus Sol, morreu ao conduzir o carro do pai, as suas irmãs choraram-no até se transformarem em choupos. As lágrimas tornaram-se âmbar.

Plínio, o Velho (século I) conta este mito, mas considera-o fantasia. Explica corretamente que o âmbar é seiva de árvore endurecida, de pinheiros.

Plínio regista também dois factos interessantes:

  • as camponesas do norte de Itália usavam colares de âmbar, sobretudo como adorno;
  • acreditava-se que o âmbar, pendurado nas crianças pequenas, lhes servia de amuleto.

A Rota do Âmbar levava a resina do Báltico até ao Mediterrâneo. No tempo de Nero, um cavaleiro romano trouxe tanto âmbar que até as redes da arena foram enfeitadas com ele.

Muito mais tarde, a célebre Sala de Âmbar, criada para a corte prussiana e oferecida ao czar russo, desapareceu durante a Segunda Guerra Mundial.

➜ Amuletos e talismãs

Na crença esotérica moderna

Na tradição esotérica moderna, o âmbar é associado a:

  • o Sol e o calor, pela cor e por aquecer ao toque;
  • proteção, herança da velha crença nos amuletos;
  • «absorver» energias negativas;
  • vitalidade e alegria.

São crenças, sem comprovação científica. O âmbar não tem efeitos terapêuticos demonstrados.

➜ O Sol

➜ Diferença entre amuleto e talismã

Colares de âmbar para bebés: não

Vendem-se colares de âmbar «para a dentição», com a promessa de que aliviam a dor dos dentes. Não há prova de que resultem.

E são perigosos. A Academia Americana de Pediatria e a FDA (a autoridade de saúde dos EUA) desaconselham fortemente o seu uso, por causa do risco de:

  • asfixia, se uma conta se soltar e for engolida ou inalada;
  • estrangulamento, pelo colar à volta do pescoço;
  • lesões na boca.

Não coloque colares, pulseiras ou fios de contas em bebés e crianças pequenas, nem para dormir nem durante o dia. Para as dores da dentição, fale com o pediatra ou o médico de família.

Âmbar falso

O âmbar é muito imitado. As imitações mais comuns são:

  • copal: resina mais jovem, ainda não fossilizada; amolece e fica pegajosa com álcool ou acetona;
  • plásticos e resinas sintéticas (baquelite, poliéster, epóxi);
  • vidro, mais frio e pesado.

Um teste caseiro: o âmbar verdadeiro flutua em água com muito sal dissolvido; o vidro e muitos plásticos afundam. Não é um teste perfeito, mas ajuda.

Cuidados

  • Muito macio: risca-se com facilidade. Guarde-o à parte.
  • Calor e sol: podem escurecê-lo e fissurá-lo.
  • Químicos: perfumes, lacas e álcool danificam a superfície.
  • Limpeza: pano macio e água morna, sem sabão forte; nunca sal.
  • Fogo: o âmbar é inflamável. Não o aproxime de velas.

➜ Como limpar cristais

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Fontes

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