O âmbar parece uma pedra cor de mel, mas não é um mineral. É resina de árvores que endureceu e fossilizou ao longo de milhões de anos.
É leve, morno ao toque e, esfregado num pano, atrai pedacinhos de papel. Foi desta propriedade que nasceu, pelo grego, a palavra eletricidade.
Usado como adorno e amuleto desde a pré-história, o âmbar continua hoje a ser vendido para bebés. Aqui explicamos porque é que isso é perigoso.
Ficha
| Característica | Âmbar |
|---|---|
| Nome | Âmbar (grego ēlektron; latim sucinum) |
| Composição | Resina vegetal fossilizada (orgânica, não é mineral) |
| Dureza (Mohs) | 2 a 2,5 |
| Densidade | Cerca de 1,05–1,10: flutua em água muito salgada |
| Cor | Amarelo, mel, laranja, castanho; raramente verde ou azulado |
| Onde se encontra | Sobretudo costa do Báltico (Kaliningrado); também República Dominicana, México, Birmânia |
| Outros nomes | Âmbar-amarelo, sucinite (âmbar do Báltico) |
O que é o âmbar
Há milhões de anos, certas árvores libertavam resina para se protegerem de feridas e insetos. Parte dessa resina ficou enterrada e, com o tempo, polimerizou e endureceu.
O âmbar mais famoso é o do Báltico, com cerca de 40 milhões de anos (Eocénico). Cerca de 90 % do âmbar extraível do mundo está na região de Kaliningrado. Contém ácido succínico, o que lhe deu o nome técnico de sucinite.
Às vezes o âmbar guarda insetos, aranhas, penas ou folhas presos na resina. Estas inclusões são preciosas para a ciência.
Um nome, duas coisas
A palavra portuguesa «âmbar» vem do árabe e designava primeiro o âmbar-cinzento, uma substância perfumada produzida pelos cachalotes. O âmbar-amarelo, a resina fóssil, herdou o nome depois. São coisas completamente diferentes.
A palavra «eletricidade»
Os gregos chamavam ao âmbar ēlektron. Já na Antiguidade se sabia que, esfregado, atraía palha e poeira.
Por volta de 1600, o médico inglês William Gilbert criou, a partir do latim electrum, o termo electricus para descrever esse fenómeno. Daí vieram «elétrico» e «eletricidade».
Mito e história
Na mitologia grega, quando Faetonte, filho do deus Sol, morreu ao conduzir o carro do pai, as suas irmãs choraram-no até se transformarem em choupos. As lágrimas tornaram-se âmbar.
Plínio, o Velho (século I) conta este mito, mas considera-o fantasia. Explica corretamente que o âmbar é seiva de árvore endurecida, de pinheiros.
Plínio regista também dois factos interessantes:
- as camponesas do norte de Itália usavam colares de âmbar, sobretudo como adorno;
- acreditava-se que o âmbar, pendurado nas crianças pequenas, lhes servia de amuleto.
A Rota do Âmbar levava a resina do Báltico até ao Mediterrâneo. No tempo de Nero, um cavaleiro romano trouxe tanto âmbar que até as redes da arena foram enfeitadas com ele.
Muito mais tarde, a célebre Sala de Âmbar, criada para a corte prussiana e oferecida ao czar russo, desapareceu durante a Segunda Guerra Mundial.
Na crença esotérica moderna
Na tradição esotérica moderna, o âmbar é associado a:
- o Sol e o calor, pela cor e por aquecer ao toque;
- proteção, herança da velha crença nos amuletos;
- «absorver» energias negativas;
- vitalidade e alegria.
São crenças, sem comprovação científica. O âmbar não tem efeitos terapêuticos demonstrados.
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Colares de âmbar para bebés: não
Vendem-se colares de âmbar «para a dentição», com a promessa de que aliviam a dor dos dentes. Não há prova de que resultem.
E são perigosos. A Academia Americana de Pediatria e a FDA (a autoridade de saúde dos EUA) desaconselham fortemente o seu uso, por causa do risco de:
- asfixia, se uma conta se soltar e for engolida ou inalada;
- estrangulamento, pelo colar à volta do pescoço;
- lesões na boca.
Não coloque colares, pulseiras ou fios de contas em bebés e crianças pequenas, nem para dormir nem durante o dia. Para as dores da dentição, fale com o pediatra ou o médico de família.
Âmbar falso
O âmbar é muito imitado. As imitações mais comuns são:
- copal: resina mais jovem, ainda não fossilizada; amolece e fica pegajosa com álcool ou acetona;
- plásticos e resinas sintéticas (baquelite, poliéster, epóxi);
- vidro, mais frio e pesado.
Um teste caseiro: o âmbar verdadeiro flutua em água com muito sal dissolvido; o vidro e muitos plásticos afundam. Não é um teste perfeito, mas ajuda.
Cuidados
- Muito macio: risca-se com facilidade. Guarde-o à parte.
- Calor e sol: podem escurecê-lo e fissurá-lo.
- Químicos: perfumes, lacas e álcool danificam a superfície.
- Limpeza: pano macio e água morna, sem sabão forte; nunca sal.
- Fogo: o âmbar é inflamável. Não o aproxime de velas.
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Fontes
- «Amber», Wikipedia — en.wikipedia.org
- Plínio, o Velho, Naturalis Historia, livro 37, 30–51 — penelope.uchicago.edu
- FDA, aviso de segurança sobre colares e joias de dentição (2018)
- «Crystal healing», Wikipedia — en.wikipedia.org