A pirite é aquela pedra dourada, de cubos quase perfeitos, que parece ter saído de uma fábrica. Chamam-lhe «ouro dos tolos» porque, à primeira vista, engana.
Mas a pirite tem uma história mais interessante do que o apelido. Foi pedra de fazer fogo, espelho de reis mesoamericanos, peça de joalharia e matéria-prima da indústria química. E Portugal tem uma das maiores regiões de pirite da Europa.
Ficha
| Característica | Pirite |
|---|---|
| Nome | Pirite (do grego pyritēs lithos, «pedra que faz fogo») |
| Composição | Sulfureto de ferro (FeS₂) |
| Dureza (Mohs) | 6 a 6,5 |
| Sistema cristalino | Cúbico: cubos, octaedros, piritoedros |
| Cor | Amarelo-latão pálido, brilho metálico |
| Outros nomes | «Ouro dos tolos»; «marcassite» (na joalharia) |
| Onde se encontra | Em todo o mundo; em Portugal, Faixa Piritosa Ibérica |
| Estabilidade | Oxida com a humidade |
O mineral
A pirite é o sulfureto mais abundante da Terra. Os cristais formam-se muitas vezes em cubos com faces estriadas, com riscas paralelas finas. Também aparece em dodecaedros de faces pentagonais, a que os mineralogistas chamam piritoedros.
Como distinguir do ouro
- Dureza: o ouro é mole e dobra-se; a pirite é dura e parte-se.
- Forma: o ouro raramente forma cubos; a pirite forma-os com frequência.
- Cor: a pirite é amarelo-latão, mais pálida e fria do que o ouro.
Uma curiosidade: a pirite pode conter pequenas quantidades de ouro verdadeiro, invisível a olho nu, preso na sua estrutura. O «ouro dos tolos» nem sempre é totalmente tolo.
A pedra que faz fogo
O nome vem do grego pŷr, fogo. Quando se bate com pirite numa pedra dura, saltam faíscas. Há indícios arqueológicos de que este método de fazer fogo é muito antigo, anterior à invenção do fósforo e da pederneira de aço.
Nos séculos XVI e XVII, a pirite serviu de ignição nas primeiras armas de roda (wheellock): uma roda de aço girava contra a pirite e as faíscas acendiam a pólvora.
Já no século XIX tornou-se a principal fonte de enxofre para fazer ácido sulfúrico. E no início do século XX foi usada como detetor nos primeiros recetores de rádio.
Os espelhos da Mesoamérica
Diz-se muitas vezes que os astecas faziam espelhos de pirite. Não é bem assim.
- No período Clássico (c. 250–900 d.C.), a pirite era o material preferido para espelhos. Os maias e os habitantes de Teotihuacan faziam espelhos em mosaico: pequenas placas de pirite coladas sobre um disco de ardósia. Os maias usavam-nos também em contextos rituais e colocavam-nos em sepulturas.
- Os toltecas preferiam discos de pirite rodeados de turquesa.
- Os astecas (c. 1200–1521) preferiam a obsidiana. O nome do deus Tezcatlipoca significa «espelho fumegante» e está ligado ao espelho de obsidiana.
Como a pirite se degrada, muitos destes espelhos chegaram até nós reduzidos a uma mancha no disco de ardósia.
A «marcassite» das joias antigas
Nas joias vitorianas e art déco, os pequenos brilhantes cinzento-dourados chamados «marcassite» são, quase sempre, pirite facetada engastada em prata.
A verdadeira marcassite é outro mineral, com a mesma fórmula química mas outra estrutura. É mais instável e não serve para joalharia. A confusão de nomes vem de há séculos.
A pirite em Portugal
A Faixa Piritosa Ibérica estende-se por cerca de 250 km, de Alcácer do Sal até Sevilha. Formou-se há cerca de 350 milhões de anos, por atividade vulcânica submarina.
Do lado português ficam as minas de Aljustrel (a romana Vipasca), Neves-Corvo, São Domingos e Lousal. Os romanos exploraram-nas intensamente. Até ao fim dos anos 1950, a extração de enxofre para ácido sulfúrico foi muito importante; hoje extrai-se sobretudo cobre e zinco.
Na tradição esotérica moderna
Na literatura esotérica moderna, a pirite é associada à prosperidade e à proteção. A ideia de prosperidade nasce da semelhança com o ouro; a de proteção, do seu brilho de espelho, que segundo a crença «devolveria» as más energias.
São crenças simbólicas, sem base mineralógica. Nenhuma pedra garante dinheiro ou proteção, e a cristaloterapia não tem comprovação científica.
Cuidados
- Humidade: a pirite oxida. Com o tempo pode ganhar manchas, cheiro a enxofre e esfarelar-se, libertando ácido sulfúrico. Guarde-a em sítio seco.
- Água: não mergulhe a pirite. Limpe só com pano seco ou pincel. Nunca a use em «água de cristais» para beber.
- Pó: não lixe nem parta pirite em casa; lave as mãos depois de manusear pedras em bruto.
- Crianças e animais: mantenha fora do alcance.
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Fontes
- «Pyrite», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Mirrors in Mesoamerican culture», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Faixa Piritosa Ibérica», Wikipédia — pt.wikipedia.org