«Senti que estava alguém ao pé da cama.» É uma das experiências mais relatadas em todo o mundo, e uma das mais assustadoras.
Nesta página explicamos como as tradições a interpretam, o que a ciência sabe sobre ela e em que casos deve falar com um médico.
O que as tradições dizem
Para muitas crenças, a presença sentida é um espírito: um familiar falecido que vem visitar, uma alma que pede orações, um anjo da guarda. No espiritismo, fala-se de espíritos que acompanham os vivos.
No folclore português, a pressão no peito durante a noite foi atribuída a figuras como o Fradinho da mão furada, que se deitaria sobre quem dorme. Noutros países há figuras parecidas, como a Old Hag da Terra Nova, no Canadá.
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O que a ciência sabe
Paralisia do sono
É a explicação mais comum. Ao adormecer ou ao acordar, a pessoa fica consciente mas sem se conseguir mexer durante alguns segundos ou minutos. Muitas vezes sente pressão no peito, ouve zumbidos ou vê uma figura no quarto.
Estima-se que cerca de 8% da população tenha pelo menos um episódio na vida, e mais entre estudantes. O serviço de saúde britânico (NHS) descreve-a como inofensiva, embora assustadora.
Imagens ao adormecer
No estado entre a vigília e o sono (hipnagogia) é normal ver luzes, formas ou rostos e ouvir sons ou o próprio nome. Ao acordar, o mesmo pode acontecer (hipnopompia).
Luto
Sentir a presença de quem morreu é muito frequente. Num estudo clássico com viúvas e viúvos do País de Gales (W. D. Rees, 1971), quase metade relatou ter sentido a presença do cônjuge falecido. Para muitos, é uma experiência reconfortante, e não um sinal de doença.
Cansaço e situações extremas
Stress, falta de sono, isolamento e esforço físico extremo também favorecem estas perceções. Alpinistas e navegadores solitários contam, por vezes, ter sentido um «companheiro» invisível.
Quando falar com um médico
Procure o seu médico de família se:
- os episódios de paralisia do sono são frequentes ou lhe causam muita ansiedade;
- tem sonolência forte durante o dia ou adormece de repente (pode ser narcolepsia);
- ouve vozes ou vê coisas fora dos momentos de adormecer e acordar;
- tem dores de cabeça ou tonturas em casa (pense também no monóxido de carbono: saia, areje e ligue 112).
Se o luto continua muito pesado, um psicólogo pode ajudar.
O que pode ajudar
- Dormir 7 a 9 horas, com horários regulares.
- Evitar álcool, cafeína e refeições pesadas antes de deitar.
- Evitar dormir de barriga para cima, se os episódios acontecem nessa posição.
- Para quem tem fé, uma oração antes de dormir pode trazer tranquilidade.
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Fontes
- «Sleep paralysis», NHS — nhs.uk
- «Sleep paralysis», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Anomalous experiences», Wikipedia (inclui W. D. Rees, «The hallucinations of widowhood», British Medical Journal, 1971) — en.wikipedia.org
- «Hypnagogia», Wikipedia — en.wikipedia.org