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🕊️ Espiritismo e Mediunidade

Mediunidade: o que é, tipos e o que se sabe

Mediunidade segundo Kardec (O Livro dos Médiuns, 1861): tipos de médiuns, irmãs Fox, espiritismo em Portugal, umbanda e o que a ciência encontrou.

5 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. Como começou: as irmãs Fox (1848)
  3. Allan Kardec e o espiritismo
  4. O espiritismo em Portugal
  5. Umbanda e candomblé
  6. As investigações e as fraudes
  7. O que diz a ciência hoje
  8. Crença ou facto?
  9. Sensibilidade ou sinal de alerta?
  10. Continue a ler
  11. Fontes

Mediunidade é, segundo quem nela acredita, a capacidade de servir de intermediário entre os vivos e os espíritos. A pessoa com essa capacidade chama-se médium.

A palavra e a classificação mais conhecida vêm do espiritismo de Allan Kardec. A ideia está também presente na umbanda e, de outra forma, noutras religiões.

Nesta página separamos três coisas: o que a doutrina ensina, o que a história documenta e o que a ciência encontrou.

Ficha

Origem do termo Espiritismo francês, séc. XIX
Obra de referência Allan Kardec, O Livro dos Médiuns (1861)
Tradições Espiritismo, umbanda; o transe existe noutras religiões
Estatuto científico Sem prova de comunicação com os mortos

Como começou: as irmãs Fox (1848)

O espiritualismo moderno costuma datar-se de 1848, em Hydesville, no estado de Nova Iorque. As irmãs Kate e Margaretta Fox diziam comunicar com um espírito através de pancadas.

Fizeram sessões públicas a partir de 1849 e tornaram-se famosas. Em 1888, Margaretta mostrou em público, em Nova Iorque, como produzia as pancadas estalando as articulações dos dedos dos pés. Em 1889 retratou-se, dizendo ter sido pressionada. As duas morreram na pobreza, sem que a polémica terminasse.

Nos anos 1850, as mesas girantes espalharam-se pela Europa. Foi nesse ambiente que surgiu Kardec.

Allan Kardec e o espiritismo

Allan Kardec era o pseudónimo do pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail. Publicou O Livro dos Espíritos em 1857 e O Livro dos Médiuns em 1861.

No espiritismo, a mediunidade é vista como uma faculdade natural, não como um dom sobrenatural reservado a poucos. Kardec escreve que toda a pessoa que sente, em qualquer grau, a influência dos espíritos é médium. Mas o nome reserva-se a quem tem a faculdade bem marcada.

➜ Allan Kardec: vida e obra

➜ Espiritismo: a doutrina de Allan Kardec

Os tipos de médiuns segundo Kardec

No capítulo XIV de O Livro dos Médiuns, Kardec descreve estas categorias:

Tipo O que seria, segundo a doutrina
Efeitos físicos Ruídos, pancadas, movimento de objetos
Sensitivos Sentem a presença dos espíritos
Audientes Ouvem os espíritos
Falantes O espírito fala pela sua boca (hoje «psicofonia»)
Videntes Veem os espíritos
Sonambúlicos Atuam em estado de sonambulismo
Curadores Curam pelo toque ou pela prece (os «passes»)
Pneumatógrafos Obtêm escrita direta, sem mão humana

Noutro capítulo, Kardec trata os médiuns escreventes (a psicografia), que divide em mecânicos, intuitivos, semimecânicos e inspirados.

Na doutrina espírita, a mediunidade deve ser exercida sem cobrar, com base no princípio evangélico «dai de graça o que de graça recebestes».

O espiritismo em Portugal

O espiritismo chegou a Portugal no final do século XIX. Um dos médiuns mais conhecidos foi Fernando de Lacerda (1865–1918), que publicou mensagens obtidas por escrita automática.

Em 1925 realizou-se em Lisboa o I Congresso Espírita Português e, em 1926, foi constituída a Federação Espírita Portuguesa. Publicava a Revista de Metapsicologia e mantinha cursos e biblioteca.

Em 1953, durante o Estado Novo, a Federação foi encerrada por ordem do Governo. Só voltou a funcionar depois do 25 de Abril de 1974.

➜ O espiritismo em Portugal

Umbanda e candomblé

Estas são religiões afro-brasileiras com fiéis também em Portugal, e merecem respeito como qualquer religião.

Na umbanda, nascida no Brasil no início do século XX, os médiuns recebem guias espirituais, como caboclos e pretos-velhos, durante as giras. A umbanda junta elementos africanos, católicos, indígenas e espíritas.

No candomblé, a lógica é outra: são os orixás que se manifestam nos iniciados em transe, no contexto do culto. Muitos praticantes não usam a palavra «mediunidade» para o descrever.

➜ Umbanda

➜ Candomblé

As investigações e as fraudes

No século XIX, os médiuns tornaram-se célebres e muito investigados. Em 1882 foi fundada em Londres a Society for Psychical Research, para estudar estes fenómenos com método.

Muitos casos terminaram em fraude descoberta. A médium italiana Eusapia Palladino foi estudada por cientistas de vários países. Em 1910, em sessões ligadas à Universidade de Columbia, dois ilusionistas escondidos viram-na usar o pé para levantar a mesa e produzir pancadas.

Nos anos 1920, o ilusionista Harry Houdini dedicou-se a desmascarar médiuns.

O que diz a ciência hoje

O consenso científico é que não existe prova de que os médiuns comuniquem com os mortos. As explicações mais estudadas são:

  • Leitura fria: deduzir informações pela aparência, pelas reações e por perguntas vagas.
  • Efeito ideomotor: movimentos inconscientes, como nas mesas girantes e no copo.
  • Dissociação: estados de consciência alterada em que a pessoa sente que não é ela a agir.

Há também estudos que observam o transe sem julgar a crença. Em 2012, investigadores brasileiros e norte-americanos (Peres e colegas) estudaram por imagem cerebral dez médiuns a psicografar. Os mais experientes mostraram menor atividade em várias áreas do cérebro durante o transe. O estudo descreve o que acontece no cérebro, mas não prova a origem das mensagens.

Crença ou facto?

Afirmação comum O que se sabe
«O espiritismo começou com as irmãs Fox» O espiritualismo moderno, sim (1848); o espiritismo é de Kardec (1857)
«Os médiuns falam com os mortos» É uma crença religiosa; não há prova científica
«A ciência já provou a mediunidade» Não; muitos casos célebres foram fraudes
«Mediunidade é doença mental» Também não é correto; muitos médiuns vivem sem sofrimento
«É preciso pagar para desenvolver a mediunidade» O próprio espiritismo defende que deve ser gratuita

Sensibilidade ou sinal de alerta?

Muitas pessoas dizem-se «sensíveis» e vivem bem com isso. Mas ouvir vozes, ver figuras ou sentir-se controlado por algo exterior pode ter causas médicas.

Procure um médico ou psicólogo se estas experiências lhe causam sofrimento, surgem de repente ou afetam o sono, o trabalho ou as relações.

➜ Presenças espirituais: o que se sente e porquê

Continue a ler

➜ Comunicar com os mortos: a história

➜ Oração espírita

➜ Paranormal

➜ Relatos e locais em Portugal no PortugalParanormal.pt

Fontes

  • Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, 2.ª parte, cap. XIV «Dos médiuns» — kardecpedia.com
  • «Fox sisters», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • ADEP, «Vultos da história do movimento espírita português» — adep.pt; arquivo da Federação Espírita Portuguesa, AATT — aatt.org
  • «Eusapia Palladino», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • J. F. Peres et al., «Neuroimaging during Trance State: A Contribution to the Study of Dissociation», PLOS ONE, 2012 — journals.plos.org

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