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🕊️ Espiritismo e Mediunidade

Fantasmas: a história de uma crença

Dos fantasmas da Antiguidade às almas penadas e alminhas de Portugal: a história da crença nos fantasmas e as explicações que a ciência propõe hoje.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Os fantasmas na Antiguidade
  2. A tradição cristã: as almas do Purgatório
  3. Em Portugal: almas penadas e alminhas
  4. O século XIX: o espiritualismo
  5. O que diz a ciência
  6. Continue a ler
  7. Fontes

Poucas crenças são tão antigas e tão universais como a dos fantasmas: a ideia de que os mortos podem voltar, aparecer ou dar sinais aos vivos.

Esta página conta a história dessa crença, com destaque para a tradição portuguesa, e resume o que a ciência propõe para explicar muitas aparições.

Os fantasmas na Antiguidade

Já no mundo greco-romano circulavam histórias de mortos que regressavam. Uma das mais conhecidas está numa carta de Plínio, o Jovem (séc. I–II d.C.): uma casa em Atenas onde aparecia um velho acorrentado. Segundo o relato, o filósofo Atenodoro seguiu a aparição até ao pátio, onde mais tarde foram encontrados ossos acorrentados. Depois de sepultados, as aparições terão cessado.

É uma história literária, não um documento verificável. Mas mostra uma ideia que atravessa séculos: o morto que não descansa porque falta algo por cumprir.

A tradição cristã: as almas do Purgatório

Na Idade Média, a crença foi reinterpretada pela doutrina católica do Purgatório. Os mortos que aparecem seriam almas em purificação a pedir orações e missas.

Daqui vem o Dia de Finados, a 2 de novembro, dedicado a rezar por todos os mortos.

➜ Dia de Finados

Em Portugal: almas penadas e alminhas

Na tradição popular portuguesa, o fantasma é sobretudo uma alma penada: alguém que morreu com uma promessa por cumprir, uma dívida por pagar ou sem os sacramentos. A resposta tradicional não é o medo, é a oração.

Por isso se ergueram as alminhas à beira dos caminhos, sobretudo no Norte e Centro do país: pequenos nichos que pedem a quem passa um Pai-Nosso pelas almas.

O próprio Livro de São Cipriano, na versão portuguesa, fala de fantasmas nas encruzilhadas que pedem orações.

➜ Os mortos no Livro de São Cipriano

➜ Oração pelos mortos

O século XIX: o espiritualismo

A partir de 1848, com as irmãs Fox nos Estados Unidos, a crença ganhou uma forma nova: a de que se podia falar com os mortos em sessões. Nasceram o espiritualismo anglo-saxónico e, em França, o espiritismo de Allan Kardec.

➜ Comunicar com os mortos: a história

➜ Espiritismo

O que diz a ciência

A ciência não encontrou provas de que os fantasmas existam. Encontrou, sim, explicações para muitas experiências concretas:

  • Pareidolia — o cérebro vê rostos e figuras humanas em sombras, manchas ou fotografias com ruído.
  • Paralisia do sono — ao adormecer ou acordar, a pessoa não se consegue mexer e pode ver uma figura no quarto.
  • Luto — muitas pessoas enlutadas sentem, veem ou ouvem quem perderam. É frequente e, na maioria dos casos, normal.
  • Sugestão — quem sabe que um lugar «é assombrado» tende a interpretar qualquer ruído dessa forma.

Estas explicações não resolvem a questão da fé. Mas mostram porque tantas pessoas sinceras relatam experiências parecidas.

➜ Presenças espirituais: o que se sente e porquê

Continue a ler

➜ Casas assombradas: causas possíveis

➜ Paranormal: crenças, história e ciência

➜ Relatos e locais em Portugal no PortugalParanormal.pt

Fontes

  • Plínio, o Jovem, Cartas, livro VII, carta 27 (a Sura).
  • «Alminhas: Portugal foi o único país a criar estes monumentos», Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura — snpcultura.org
  • «Pareidolia», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Sleep paralysis», Wikipedia — en.wikipedia.org

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