«Anjo da Guarda, minha companhia…» Para muitos portugueses, foi a primeira oração aprendida, rezada ao deitar com a mãe ou a avó.
Nesta página encontra as duas orações ao Anjo da Guarda mais conhecidas, a origem desta crença e uma devoção muito portuguesa: o Anjo Custódio de Portugal.
As orações
A oração curta (tradição portuguesa)
É a mais rezada em Portugal, sobretudo pelas crianças. Texto popular católico, de autor desconhecido:
Anjo da Guarda, minha companhia,
guardai a minha alma de noite e de dia.
Ámen.
Em 2016, a Arquidiocese de Braga lembrava-a como «a singela oração ao Anjo da Guarda» que muitos já esqueceram.
A oração tradicional
É a tradução portuguesa da oração latina Angele Dei. Há várias versões; esta é a publicada pelo Vatican News em português:
Santo Anjo do Senhor,
meu zeloso guardador,
pois que a ti me confiou a Piedade divina,
hoje e sempre
me governa, rege, guarda e ilumina.
Ámen.
Em Portugal ouve-se também a forma «Anjo de Deus, meu zeloso guardador». O sentido é o mesmo.
De onde vem a crença no Anjo da Guarda
Na Bíblia
A ideia de um anjo que acompanha cada pessoa apoia-se em alguns textos:
- Salmo 91: Deus manda os seus anjos guardar-te em todos os teus caminhos.
- Mateus 18,10: Jesus diz que os anjos das crianças veem sempre a face do Pai.
- Livro de Tobias: o anjo Rafael acompanha o jovem Tobias numa viagem.
Na doutrina católica
O Catecismo da Igreja Católica ensina que, desde a infância até à morte, a vida humana é acompanhada pela guarda dos anjos. A festa dos Santos Anjos da Guarda celebra-se a 2 de outubro.
É uma crença de fé, não um facto demonstrável.
O Anjo Custódio de Portugal
Portugal tem uma devoção própria: o Anjo da Guarda do Reino, ou Anjo Custódio de Portugal.
- No Mosteiro da Batalha, cuja construção começou em 1386, havia já um altar dedicado ao Anjo da Guarda.
- Em 1504, o rei D. Manuel I pediu ao papa Júlio II uma festa para o «Anjo Custódio do Reino».
- A devoção enfraqueceu depois do século XVII e foi restaurada em 1952 por Pio XII.
- Celebra-se a 10 de junho, o mesmo dia do feriado nacional.
O Anjo de Fátima
Segundo o relato de Lúcia dos Santos, em 1916, antes das aparições de Nossa Senhora, os três pastorinhos de Fátima viram três vezes um anjo que se apresentou como «Anjo da Paz» e, noutra ocasião, como Anjo de Portugal. Terá ensinado às crianças duas orações.
Este relato é aceite pela devoção católica, mas é um testemunho pessoal, não um facto histórico verificável.
Como se reza na tradição
- Ao deitar e ao acordar, sobretudo com as crianças.
- Antes de uma viagem ou de sair de casa.
- Em momentos de medo, uma só vez, com calma.
Não é preciso vela nem nenhum objeto.
Notas
- O texto antigo desta página falava em «pedir sinais», como penas brancas. Isso vem da espiritualidade New Age, não da tradição católica. Pode ser uma crença pessoal, mas não deve ser apresentada como ensinamento tradicional.
- No Livro de São Cipriano existe uma Oração do Anjo Custódio, de forma católica.
➜ Oração de proteção de São Cipriano
➜ Os anjos no Livro de São Cipriano
Continue a ler
➜ Angelologia: a história dos anjos
➜ Todas as orações, por finalidade e tradição
Fontes
- Vatican News (português), Ao Anjo da Guarda — vaticannews.va/pt/oracoes/ao-anjo-da-guarda.html
- Arquidiocese de Braga, «Anjo da Guarda, minha companhia» (10/06/2016) — diocese-braga.pt
- Wikipedia, Angel of Portugal (Batalha, D. Manuel I, 1952, Fátima) — en.wikipedia.org/wiki/Angel_of_Portugal
- Catecismo da Igreja Católica, §333-336 (os anjos da guarda) — texto comentado, Diocese de Blumenau