A Umbanda é uma religião brasileira, formada no início do século XX, sobretudo no Rio de Janeiro. Junta elementos das religiões de origem africana, do espiritismo de Kardec, do catolicismo popular e das tradições indígenas.
Não é «magia» nem um conjunto de «trabalhos»: é uma religião, com fiéis, sacerdotes, templos e princípios morais. Esta página explica a religião. As orações e saudações têm página própria.
➜ Oração da Umbanda: orações e saudações
Como nasceu
As raízes
Antes da Umbanda já existiam no Brasil práticas afro-brasileiras como o calundu e a cabula, e cultos urbanos que misturavam espíritos, santos e orixás. No início do século XX, o espiritismo estava em forte expansão no Rio de Janeiro. A Umbanda nasce deste encontro.
O marco de 1908
Segundo a tradição umbandista, a religião foi anunciada a 15 de novembro de 1908, numa sessão espírita em Niterói, pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, através do jovem médium Zélio Fernandino de Moraes. Desde 2012, uma lei brasileira fixa esta data como Dia Nacional da Umbanda.
Ressalva historiográfica: os historiadores lembram que esta narrativa se consolidou muito depois, e que vários grupos estavam, na mesma época, a combinar práticas espíritas e afro-brasileiras. 1908 é um marco simbólico, aceite pela maioria dos fiéis, mais do que um «ato de fundação» documentado.
Organização e debates
Em 1939, Zélio de Moraes fundou uma federação umbandista e, em 1941, realizou-se o primeiro congresso de Umbanda. Os estudiosos notam que esse congresso procurou afastar a religião das suas raízes africanas, o chamado «embranquecimento». O debate sobre a identidade africana da Umbanda continua até hoje.
Crenças principais
- Um Deus criador, chamado Olorum ou Zâmbi.
- Os orixás, forças divinas de origem africana, como Oxalá, Iemanjá, Ogum, Oxóssi, Xangô ou Oxum.
- Os guias espirituais, espíritos que se manifestam através dos médiuns, organizados em «linhas»: caboclos, pretos-velhos, erês (crianças), exus e pombagiras.
- A caridade, princípio central: segundo a tradição, a religião nasceu para ajudar os humildes.
- A reencarnação e a lei de causa e efeito, herdadas do espiritismo.
Exu não é o «diabo», como muitas vezes se ouve fora da religião. Na Umbanda, os exus são guardiães e mensageiros.
A prática: terreiros e giras
As cerimónias chamam-se giras e fazem-se no terreiro (ou tenda), dirigido por um pai ou mãe de santo. Nelas há pontos cantados com atabaques, defumação, e os médiuns incorporam os guias, que conversam com as pessoas e dão passes.
A Umbanda não tem livro sagrado único nem autoridade central. Cada terreiro tem os seus costumes.
➜ Mediunidade: o que é e o que se sabe
Correntes
| Corrente | Características |
|---|---|
| Umbanda «branca» | Mais próxima do espiritismo de Kardec |
| Omolocô e correntes populares | Mais próximas das tradições africanas |
Umbanda e candomblé
São religiões diferentes. O candomblé é mais antigo, de base africana, centrado no culto dos orixás e na iniciação. A Umbanda é brasileira, centrada nos guias espirituais e muito marcada pelo espiritismo.
➜ Candomblé: a religião dos orixás
A Umbanda em Portugal
Com a imigração brasileira, a Umbanda chegou também a Portugal, onde existem hoje terreiros. Quem se interessa deve procurar uma casa séria, em que as giras são abertas e não se cobra pela caridade. Desconfie de quem vende «trabalhos» em nome da Umbanda.
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➜ Espiritismo: a doutrina de Allan Kardec
➜ Santería, a religião afro-cubana
Fontes
- «Umbanda», Wikipédia — pt.wikipedia.org
- «Umbanda», Wikipedia — en.wikipedia.org
- Lei n.º 12.644, de 16 de maio de 2012 (Dia Nacional da Umbanda) — planalto.gov.br