Um sonho com um familiar que morreu, um sonho que parece um aviso, um sonho que se repete. Muitas pessoas sentem que certos sonhos são mais do que sonhos.
Nesta página vemos como as tradições interpretaram os sonhos, o que a ciência do sono sabe hoje e em que casos vale a pena falar com um médico.
Os sonhos nas tradições
Na Antiguidade
Os antigos levavam os sonhos muito a sério. Nos templos gregos de Asclépio, como o de Epidauro, os doentes dormiam num espaço sagrado à espera de um sonho em que o deus lhes indicasse a cura. Chamava-se incubação. Placas de mármore do século IV a.C. registam dezenas desses relatos.
Na Bíblia
Na tradição judaico-cristã, os sonhos surgem como meio de revelação: José do Egito, que interpreta os sonhos do Faraó, ou José de Nazaré, avisado em sonhos para fugir com Maria e o Menino.
Na tradição portuguesa
Na religiosidade popular, sonhar com um morto era muitas vezes entendido como um pedido de orações: a alma precisaria de ajuda para descansar. Daí o costume de rezar ou mandar dizer uma missa pela pessoa com quem se sonhou.
Também circularam os populares «livros dos sonhos», com listas de significados. São interpretações populares, sem base histórica comum: o mesmo sonho tem significados diferentes de livro para livro.
O que diz a ciência
Porque sonhamos
Os sonhos mais vivos acontecem sobretudo na fase REM do sono. Os investigadores associam-nos à forma como o cérebro organiza memórias e emoções. Por isso sonhamos tanto com o que nos preocupa ou com quem nos faz falta.
Sonhar com quem morreu
É muito comum no luto. Muitas pessoas descrevem estes sonhos como reconfortantes, uma espécie de despedida. Não são sinal de doença.
Sonhos «premonitórios»
Todos temos milhares de sonhos. Por acaso, alguns vão coincidir com o que acontece depois, e são esses que recordamos. Os outros esquecemos. Os psicólogos chamam-lhe memória seletiva.
Entre o sono e a vigília
Ao adormecer e ao acordar podem surgir imagens, vozes ou a sensação de uma presença. É a hipnagogia e, por vezes, a paralisia do sono.
➜ Presenças espirituais: o que se sente e porquê
Quando falar com um médico
- Pesadelos frequentes que perturbam o sono ou o dia, sobretudo depois de um acontecimento traumático.
- Mexer-se muito, gritar, dar pontapés ou cair da cama a sonhar. Depois dos 50 anos, isto pode ser a perturbação comportamental do sono REM, que deve ser avaliada por um médico, porque pode anteceder em anos algumas doenças neurológicas.
- Sonolência forte durante o dia ou episódios repetidos de paralisia do sono.
- Um luto que não alivia: um psicólogo pode ajudar.
Para quem quer registar os sonhos
Um caderno junto à cama, onde escreve o sonho logo ao acordar, é uma forma simples de refletir sobre ele. Muitas pessoas guardam estes registos no seu grimório pessoal, ao lado de orações e notas.
➜ Como fazer o seu grimório pessoal
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Fontes
- «Asclepeion», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Rapid eye movement sleep behavior disorder», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Sleep paralysis», NHS — nhs.uk
- Bíblia: Génesis 41; Mateus 2,13.