Há perguntas que chegam ao Google todos os dias: «a magia funciona?», «tenho bruxaria feita?», «a amarração é pecado?». Muitas respostas que se encontram na internet foram escritas para vender.
Aqui respondemos de forma curta e honesta, a separar o que é facto, o que é tradição e o que é crença. Cada resposta tem depois uma explicação mais completa e as fontes.
Magia: funciona e é perigosa?
Não há provas de efeitos sobre outras pessoas; os rituais podem, sim, reduzir a ansiedade de quem os faz.
Não há provas de que faça mal à distância; os perigos reais são o medo, as burlas, o fogo e o adiamento de ajuda médica.
➜ A bruxaria volta contra quem a faz?
O «retorno» é uma crença (karma, lei do triplo da Wicca, formulada no século XX), não um facto demonstrado.
Sim: a tradição popular sempre foi caseira; o importante é a segurança e não querer mal a ninguém.
Fé e religião
➜ Magia e fé: são compatíveis?
Para a Igreja Católica não (Catecismo, §2115–2117); para outras religiões, como a Wicca, a magia faz parte da prática.
Para a Igreja Católica, sim: é magia que procura poder sobre outra pessoa; judaísmo e islão também a condenam.
Amarrações
➜ A amarração dura para sempre?
Não: nenhuma amarração é permanente nem garantida, e a promessa de «definitiva» é um argumento de venda.
Tentar prender alguém sem o seu consentimento é eticamente problemático, acredite-se ou não na magia.
Não indicamos preços; explicamos como a conta costuma crescer e que direitos tem antes de pagar.
Bruxaria, bruxos e burlas
➜ Como saber se tenho bruxaria?
Não há teste fiável; comece pela saúde (SNS 24: 808 24 24 24) e desconfie de quem «confirma» um feitiço e cobra.
Não há «melhor» comprovado; damos-lhe as perguntas a fazer antes de pagar e os sinais de burla.
➜ Qual a diferença entre bruxo e curandeiro?
Na tradição portuguesa, o bruxo fazia feitiços e o curandeiro ou a benzedeira procurava curar; nenhum substitui um médico.
Como respondemos
As respostas desta secção seguem três regras:
- Distinguir facto histórico, tradição popular, crença e interpretação esotérica.
- Não prometer resultados. Nenhum ritual garante nada.
- Pôr a saúde e a segurança primeiro. Quando o problema é de saúde, emocional ou legal, indicamos onde procurar ajuda.
Se procura explicações mais longas, a Enciclopédia e o Blog desenvolvem estes temas com mais pormenor.
Continue a ler
➜ Como escolher um bruxo sério e evitar burlas
Fontes
- Catecismo da Igreja Católica, §2115–2117 (Adivinhação e magia) — vatican.va
- Norton, M. I. e Gino, F., «Rituals alleviate grieving for loved ones, lovers, and lotteries», Journal of Experimental Psychology: General, 2014 — PubMed
- Francisco Bethencourt, O Imaginário da Magia: Feiticeiras, Adivinhos e Curandeiros em Portugal no Século XVI, Companhia das Letras, 2004.
- Código Penal, artigo 217.º (Burla) — pgdlisboa.pt