No Dois de Paus, um homem de pé nas ameias de um castelo olha para o mar e para a terra. Tem um pequeno globo na mão direita e um bastão na esquerda. Outro bastão está preso à parede.
É a carta de quem já tem alguma coisa e pensa no passo seguinte. Na tradição de leitura fala de planos, de ambição e de escolhas, mas também de uma certa inquietação.

Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Arcano | Menor |
| Número | 2 |
| Naipe e elemento | Paus; fogo |
| Nome em Marselha / em inglês | Deux de Bâton / Two of Wands |
| Golden Dawn | «Senhor do Domínio»; Marte em Carneiro (1.º decanato) |
| Palavras-chave (direita) | planeamento, ambição, domínio, decisão |
| Palavras-chave (invertida) | receio, surpresa, hesitação, planos adiados |
O desenho
- O globo — o mundo «na mão». Na leitura simbólica, o homem tem poder sobre o que é seu, mas olha para o que ainda não é.
- As ameias e o mar — segurança por trás, horizonte à frente.
- Os dois bastões — um na mão, outro fixo numa argola. Muitos leitores veem aqui o que já está conquistado e o que ainda está por usar.
- A rosa, a cruz e o lírio — Waite pede expressamente que se reparem neles, no lado esquerdo. Rosa e cruz lembram o simbolismo rosacruciano, muito presente na Golden Dawn a que Waite pertenceu. Waite não explica o sentido; é melhor não inventar um.
Na história
No Tarot de Marselha, o Dois de Paus mostra apenas dois bastões cruzados com flores e folhas estilizadas. A cena com o castelo e o globo é criação de Pamela Colman Smith, em 1909.
A Golden Dawn deu a cada carta numerada um título e um lugar no zodíaco. O Dois abre o signo de Carneiro, regido por Marte, e chama-se «Senhor do Domínio». A mesma ideia de domínio aparece no desenho de Smith.
O significado na tradição
Direita
Waite reconhece que esta carta tem leituras que não se conciliam:
«De um lado, riquezas, fortuna, magnificência; do outro, sofrimento físico, doença, desgosto, tristeza, mortificação.» — A. E. Waite, 1910
E compara o homem do desenho a Alexandre, o Grande, triste no meio da grandeza das riquezas deste mundo.
A leitura moderna mais comum ficou com o primeiro lado: planear o futuro, pensar em expandir, escolher entre ficar no seguro ou partir. A tristeza de Waite aparece, quando aparece, como insatisfação de quem tem muito e quer mais.
Invertida
Waite: «Surpresa, espanto, encantamento, emoção, perturbação, medo.» — A. E. Waite, 1910
Hoje lê-se muitas vezes como medo do desconhecido, planos que não saem do castelo, ou uma decisão adiada por falta de coragem.
Na leitura: amor, trabalho e conselho
Amor. Na leitura tradicional, costuma indicar uma relação em ponto de decisão: continuar como está ou arriscar algo novo. Pode também falar de distância.
Trabalho. É associado a planos de expansão, mudança de área ou viagem profissional. Os leitores costumam lê-lo como fase de preparação, não de concretização.
Conselho. Na tradição, o Dois de Paus sugere olhar para o mapa antes de partir: saber o que se quer e o que se arrisca.
O que se diz e o que se sabe
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «O Dois de Paus é sempre uma carta positiva» | O próprio Waite dá-lhe um lado de tristeza e doença |
| «A rosa e o lírio têm um significado fixo nesta carta» | Waite manda reparar neles, mas não diz o que significam |
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Fontes
- A. E. Waite, The Pictorial Key to the Tarot (1910), «Two of Wands» — sacred-texts.com
- Mary K. Greer, «The Golden Dawn Minor Arcana» — marykgreer.com
- David Cunliffe, «Golden Dawn Astrological Correspondences» — davidcunliffe.com
- Wikipedia, «Rider–Waite Tarot» — en.wikipedia.org