A Rainha de Ouros está sentada num trono de pedra esculpido, no meio de um jardim. Segura um pentáculo no colo, com as duas mãos, e olha para ele com atenção. Rosas formam uma espécie de caramanchão por cima dela e, num canto da carta, um coelho corre na erva.
Na tradição de leitura, é a figura da abundância que cuida: generosa, prática, atenta ao conforto de quem está perto.

Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Arcano | Menor |
| Número | Sem número (figura de corte) |
| Naipe e elemento | Ouros (Pentáculos); Terra |
| Nome em Marselha / em inglês | Reyne de Deniers / Queen of Pentacles |
| Golden Dawn | «Rainha dos Tronos da Terra»; Água da Terra; de 20° de Sagitário a 20° de Capricórnio |
| Palavras-chave (direita) | Generosidade, cuidado, segurança, sentido prático |
| Palavras-chave (invertida) | Desconfiança, medo, dependência, descuido de si |
O desenho
Waite descreve-a assim: «O rosto sugere o de uma mulher morena, cujas qualidades se poderiam resumir na ideia de grandeza de alma; tem também o ar sério da inteligência; contempla o seu símbolo e talvez veja mundos nele.» (A. E. Waite, 1910)
A frase final, «talvez veja mundos nele», é das mais bonitas do livro. Mostra que Waite não via nesta rainha só uma dona de casa rica, mas alguém que encontra profundidade nas coisas concretas.
O trono tem cabeças de cabra esculpidas, que muitos leem como alusão a Capricórnio, e frutos e figuras de anjinhos. As rosas e a vegetação à volta fazem da cena um jardim fértil.
O coelho é o pormenor que toda a gente procura. Não é explicado por Waite; a leitura mais comum vê nele fertilidade e abundância da natureza.
➜ Rosa
Na história
As rainhas estão no tarot desde as cartas italianas do século XV, mas não nas cartas de jogar comuns daquela época em Itália e Espanha, onde as figuras eram rei, cavaleiro e valete. A rainha é uma das marcas próprias do tarot.
No Tarot de Marselha a carta chama-se Reyne de Deniers, com a grafia antiga. Na Golden Dawn, a Rainha de Ouros era a «Rainha dos Tronos da Terra», a parte de Água do elemento Terra, e regia os graus de 20° de Sagitário a 20° de Capricórnio.
O significado na tradição
Direita
Waite: «opulência, generosidade, magnificência, segurança, liberdade» — A. E. Waite, 1910.
Na leitura moderna mais comum, a Rainha de Ouros representa uma pessoa (de qualquer sexo) acolhedora e competente, que gere bem a casa, o dinheiro e as pessoas, e que torna a vida dos outros mais confortável.
Invertida
Para Waite: «o mal, suspeita, suspense, medo, desconfiança» — A. E. Waite, 1910.
Leituras modernas falam de cuidar dos outros e esquecer-se de si, de dependência material, ou de uma segurança que se transforma em medo de perder.
Na leitura: amor, trabalho e conselho
Amor. Na leitura tradicional, costuma indicar uma relação calorosa e estável, em que o amor se mostra em gestos práticos: cozinhar, cuidar, estar presente.
Trabalho. Associa-se a quem gere recursos com sensatez, a profissões de cuidado e a negócios ligados à terra, à casa ou à alimentação.
Conselho. A mensagem habitual é cuidar do que é concreto, o corpo, a casa, o orçamento, sem perder o gosto por olhar «mundos» nas coisas simples.
O que se diz e o que se sabe
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «O coelho tem um significado oculto definido» | Waite não o explica; as leituras são modernas |
| «A rainha sempre existiu nas cartas de jogar» | Nas cartas latinas antigas não havia rainha; no tarot há desde o séc. XV |
Continue a ler
➜ Carta anterior: Cavaleiro de Ouros
➜ Carta seguinte: Rei de Ouros
Fontes
- A. E. Waite, The Pictorial Key to the Tarot (1910), «Queen of Pentacles» — sacred-texts.com
- S. L. MacGregor Mathers (atrib.), Book T – The Tarot, Golden Dawn — PDF
- Wikipedia, «Minor Arcana» — en.wikipedia.org
- Wikipedia, «Tarot of Marseilles» — en.wikipedia.org