A Imperatriz é a carta III. No baralho de 1909, uma mulher coroada de estrelas descansa num trono almofadado, no meio de um campo de trigo maduro, com um bosque e uma cascata atrás. Ao lado, um escudo em forma de coração mostra o símbolo de Vénus.
Na tradição de leitura moderna, é a carta da fertilidade, da abundância e do cuidado. Nas cartas antigas, porém, era sobretudo uma figura de poder político: a mulher do imperador.

Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Arcano | Maior |
| Número | III |
| Nome em Marselha / em inglês | L'Impératrice / The Empress |
| Golden Dawn | Letra hebraica Daleth; planeta Vénus |
| Palavras-chave (direita) | fertilidade, abundância, criatividade, cuidado, natureza |
| Palavras-chave (invertida) | bloqueio, dependência, descuido, dúvida |
O desenho
A cena é das mais tranquilas do tarot. Waite enumera os elementos um a um:
- A coroa: «O seu diadema é de doze estrelas, reunidas em grupo.» Muitos leitores veem aqui os doze signos do zodíaco; outros, a mulher coroada de estrelas do Apocalipse (Ap 12,1). Waite não o explica.
- O escudo com o símbolo de Vénus (♀): «O símbolo de Vénus está no escudo que repousa perto dela.» Substitui a águia imperial das cartas antigas.
- O trigo: «Um campo de trigo amadurece à sua frente.» É a colheita, a terra que dá fruto.
- A cascata e o bosque: a água que corre e a vegetação cheia de vida.
- As romãs estampadas no vestido: um fruto de muitas sementes, símbolo antigo de fecundidade.
Waite resume: ela é «acima de tudo a fecundidade universal» e «o Jardim do Éden inferior, o Paraíso terrestre».
No Tarot de Marselha, L'Impératrice está sentada de frente, com um ceptro encimado por um globo e uma cruz, e segura no braço um escudo com a águia imperial. É uma soberana, não uma deusa da natureza.
Na história
A Imperatriz está entre as primeiras cartas conhecidas. No baralho Visconti di Modrone (também chamado Cary-Yale, c. 1440–1450), encomendado pela corte de Milão, aparece sentada num trono, com um vestido forrado de peles, ceptro e escudo com a águia imperial, uma divisa da família Visconti.
Alguns estudiosos pensam que o modelo possa ter sido Bianca Maria Visconti, filha do duque Filippo Maria e mulher de Francesco Sforza. É uma hipótese, não um facto documentado.
Nos baralhos franceses do séc. XVII, a imagem estabilizou: escudo com águia num braço, ceptro na outra mão. Os mestres de Marselha, como Jean Noblet (c. 1650) e Nicolas Conver (c. 1760), mantiveram-na quase igual.
A viragem veio com os ocultistas. No séc. XVIII, Court de Gébelin e Etteilla leram a carta à luz de uma suposta origem egípcia e ligaram-na a Ísis. A Golden Dawn atribuiu-lhe Vénus. Em 1909, Waite e Pamela Colman Smith tiraram-lhe a águia e o ar de corte, e puseram-na num campo de trigo.
O significado na tradição
Direita
«Fecundidade, ação, iniciativa, longevidade; o desconhecido, o clandestino; também dificuldade, dúvida, ignorância.» — A. E. Waite, 1910
A lista de Waite, como muitas outras, mistura sentidos opostos, herdados de várias fontes da cartomancia.
A leitura moderna simplificou: a Imperatriz é abundância, criatividade, cuidado e prazer das coisas simples. É frequentemente associada à maternidade, mas também a qualquer projeto que cresce e dá fruto.
Invertida
«Luz, verdade, o desenredar de assuntos complicados, regozijo público.» — A. E. Waite, 1910
É um dos casos em que a invertida de Waite parece mais favorável do que a direita. A leitura moderna vai noutro sentido: invertida, costuma indicar bloqueio criativo, dependência, excesso de cuidado com os outros e pouco consigo mesmo.
Na leitura: amor, trabalho e conselho
Amor. Na leitura tradicional moderna, costuma indicar carinho, estabilidade afetiva e uma relação que cresce. Muitos leitores ligam-na à família e à maternidade, mas nenhuma carta anuncia uma gravidez: questões de saúde e fertilidade são assunto para o médico.
Trabalho. É associada a projetos que dão fruto, criatividade e trabalho com as mãos ou com a natureza. Invertida, é lida como estagnação ou esforço sem retorno.
Conselho. Como conselho, a carta é lida como um convite a cuidar do que se semeou e a dar tempo ao crescimento. Abundância, aqui, é uma imagem, não uma promessa.
O que se diz e o que se sabe
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «A Imperatriz anuncia gravidez» | É uma leitura simbólica moderna; não é previsão médica |
| «Sempre foi uma deusa da natureza» | Nas cartas antigas era uma imperatriz com a águia imperial; a natureza entra com Waite (1909) |
| «O modelo foi Bianca Maria Visconti» | Hipótese de estudiosos, sem documento que o prove |
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Fontes
- A. E. Waite, The Pictorial Key to the Tarot (1910), «III. The Empress» — sacred-texts.com; significados divinatórios — sacred-texts.com
- Wikipedia, «The Empress (tarot card)» — en.wikipedia.org
- Sherryl E. Smith, «L'Imperatrice, The Empress in Tarot», Tarot Heritage — tarot-heritage.com
- Wikipedia, «Visconti-Sforza tarot deck» — en.wikipedia.org
- «Qlickable Qabalah» (atribuições da Golden Dawn) — nofaithinthehumanrace.com